
Revisões constitucionais alargam mandatos no Zimbabué e no Cazaquistão, enquanto a Arménia prepara referendo geopolítico
Num mesmo dia, o Presidente do Zimbabué promulgou lei que prolonga o seu mandato e o Tribunal Constitucional do Cazaquistão permitiu a recandidatura de Tokayev; em Erevan, discute-se uma consulta popular para ancorar a aproximação ao Ocidente.
O Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, promulgou na terça-feira uma revisão constitucional que prolonga o mandato presidencial de cinco para sete anos e elimina a eleição direta do chefe de Estado, transferindo essa prerrogativa para o Parlamento. No mesmo dia, o Tribunal Constitucional do Cazaquistão decidiu que a nova Constituição, aprovada em referendo em março, reinicia a contagem dos mandatos, abrindo caminho para que o atual Presidente, Kassym-Jomart Tokayev, se candidate a um novo período de sete anos em 2029 e possa permanecer no poder até 2036.
Em Harare, a oposição e organizações de defesa dos direitos humanos classificaram a emenda como um “golpe constitucional”. O advogado Tendai Biti afirmou que a medida “privatiza o poder” e suspende, na prática, a realização de eleições diretas. A Human Rights Watch denunciou atos de violência e intimidação contra opositores durante o processo legislativo. O partido no poder, Zanu-PF, justifica a alteração com a necessidade de “estabilidade política e continuidade das políticas de desenvolvimento”. Observadores em Maputo e Luanda notam que a manobra se insere num padrão regional de extensão de mandatos por via parlamentar, sem consulta popular direta.
Em Astana, a decisão do tribunal baseia-se na nova lei fundamental que, segundo o Governo, visa transitar de um modelo “superpresidencialista” para uma república presidencial com um parlamento “influente”. No entanto, analistas em Moscovo e Washington sublinham que o texto reforça os poderes do chefe de Estado, incluindo a nomeação de altos funcionários e a criação de um Conselho Popular designado pelo Presidente. Tokayev, de 73 anos, afirmara em 2025 que não se recandidataria, mas o acórdão constitucional permite-lhe agora contornar esse compromisso. A decisão alinha o Cazaquistão com uma tendência observada noutras ex-repúblicas soviéticas, como a Rússia e o Uzbequistão, onde revisões constitucionais serviram para prolongar a permanência no poder.
Em contraste, a Arménia prepara um referendo constitucional previsto para 2027 com o objetivo de remover do texto fundamental as referências à reunificação com o enclave de Karabakh, território internacionalmente reconhecido como parte do Azerbaijão. Na perspetiva de Washington e de capitais europeias, a iniciativa do primeiro-ministro Nikol Pashinyan visa ancorar juridicamente o acordo de paz assinado com Baku em agosto de 2025 e consolidar o realinhamento estratégico de Erevan em direção ao Ocidente, reduzindo a influência russa. O processo enfrenta, porém, a oposição de setores nacionalistas e de oligarcas com ligações a Moscovo. A votação no Zimbabué está concluída e a lei já entrou em vigor; no Cazaquistão, a decisão do tribunal é definitiva, mas a eventual candidatura de Tokayev só se materializará em 2029; na Arménia, o referendo ainda carece de aprovação parlamentar e de um calendário eleitoral concreto.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
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| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.50 | critical |
| Imprensa africana subsaariana | −0.50 | critical |
O Zimbábue realizou um golpe de Estado constitucional: o presidente Mnangagwa eliminou as eleições diretas e garantiu o poder até 2030.
O rótulo de 'golpe de Estado constitucional' é adotado da oposição e apresentado como um fato objetivo, sem equilibrar a perspectiva do governo.
O presidente Mnangagwa assinou a lei que estende seu mandato até 2030 e abole as eleições diretas. A oposição chama isso de golpe de Estado constitucional.
A reportagem equilibra o anúncio oficial do governo com as críticas da oposição, mas o tom factual e a inclusão da maioria parlamentar normalizam sutilmente a mudança.
A reforma constitucional é lei: Mnangagwa continua presidente até 2030, com a Zanu-PF controlando o parlamento. A oposição chama isso de golpe.
Ao enfatizar o procedimento legal ('ASSINADO, SELADO E ENTREGUE') e a maioria do partido no poder, a cobertura apresenta a mudança como um ato legislativo de rotina, minimizando suas implicações democráticas.
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