
Ali Khamenei é sepultado em Mashhad após funerais que mobilizaram milhões
O ex-líder supremo iraniano, morto em fevereiro num ataque conjunto dos EUA e Israel, foi enterrado no santuário do Imã Reza, enquanto novos confrontos entre Teerã e Washington colocam em risco um acordo preliminar de paz.
O corpo do antigo líder supremo do Irão, Ali Khamenei, foi sepultado na noite de quinta-feira, 9 de julho, no salão de orações Dar al-Dhikr do santuário do Imã Reza, em Mashhad, nordeste do país. A cerimónia, que contou com a presença de altos dignitários como o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejei, encerrou quase uma semana de procissões fúnebres que atravessaram Teerão, Qom e as cidades iraquianas de Najaf e Karbala. As orações foram conduzidas pelo filho mais velho do clérigo, Mostafa Khamenei, mas o seu sucessor designado, Mojtaba Khamenei, não fez qualquer aparição pública, alimentando especulações sobre o seu estado de saúde após ter sido alegadamente ferido no mesmo ataque de fevereiro.
De acordo com a televisão estatal iraniana, entre 41 e 43 milhões de pessoas participaram nas cerimónias, num esforço das autoridades para projetar unidade e força após uma guerra de 40 dias que, segundo Teerão, foi desencadeada por uma agressão norte-americana e israelita. Nas ruas de Mashhad, milhares de enlutados brandiam bandeiras e cartazes apelando à vingança contra o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Para o regime iraniano, a dimensão das multidões serve como demonstração de lealdade interna e de resiliência face às pressões externas, num momento em que o país ainda recupera de protestos populares violentamente reprimidos em janeiro.
O funeral decorreu sob um novo ciclo de hostilidades. Horas antes, os Guardas da Revolução acusaram os Estados Unidos de bombardearem duas pontes na linha férrea que liga Teerão a Mashhad, numa tentativa de “ofuscar” as cerimónias. Washington confirmou ataques contra alvos iranianos, alegando que visavam degradar a capacidade de Teerão de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz. Em retaliação, forças iranianas atacaram ativos militares norte-americanos no Kuwait, Bahrein e Qatar, segundo comunicados oficiais. Esta escalada coloca em risco um memorando de entendimento preliminar assinado há três semanas para pôr fim ao conflito, de acordo com fontes diplomáticas em Genebra.
Na perspetiva de Bagdade, as cerimónias em Najaf e Karbala, que mobilizaram milhões de iraquianos, reforçam os laços entre as comunidades xiitas dos dois países. O Presidente iraniano, Masud Pezeshkian, agradeceu publicamente ao Iraque, sublinhando que o gesto “reflete a generosidade islâmica e árabe” do seu povo. Analistas em Beirute notam que a peregrinação do caixão de Khamenei pelos principais santuários xiitas consolida uma narrativa de martírio que transcende fronteiras, mas a ausência do novo líder supremo e a continuação dos combates mantêm o futuro político do Irão e a estabilidade regional em suspenso. O dossier permanece em aberto, com a comunidade internacional a acompanhar os próximos passos do Conselho de Segurança da ONU, onde se espera uma votação sobre uma nova resolução de cessar-fogo nas próximas semanas.
| Imprensa iraniana e afins | +1.00 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.20 | neutral |
O Irã celebra seu líder mártir, transformando o funeral em um ato de fé e resistência.
Sacraliza a figura do líder por meio de linguagem religiosa e repetição de 'mártir', tornando sua morte um evento sagrado e inquestionável.
Omite o contexto do ataque dos EUA que causou a morte, apresentando o enterro como um evento puramente espiritual.
O Ocidente enquadra o evento como uma variável em um conflito em andamento, reduzindo o significado religioso a um fator de risco.
Usa o contexto das trocas de ataques para deslocar o foco da cerimônia para as consequências geopolíticas, criando um senso de urgência.
Omite o número de 43 milhões de participantes relatado por outras fontes, limitando-se a 'enormes multidões'.
A América Latina solidária denuncia o assassinato do líder iraniano como um ato de agressão imperialista.
Enfatiza o termo 'assassinado' e descreve o ataque como 'surpresa', construindo uma narrativa de vitimização e culpabilização dos EUA.
Omite a participação de milhões de iranianos e o significado religioso do enterro, concentrando-se apenas no aspecto político-militar.
O Sudeste Asiático observa com distanciamento, questionando os números oficiais e mantendo uma posição neutra.
Usa o verbo 'declarado' para introduzir ceticismo sobre o tamanho da multidão, sem negar abertamente, mas criando distância.
Omite a estrutura religiosa e o contexto dos ataques, concentrando-se apenas na logística e nos números.
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