
Síria captura célula do Estado Islâmico responsável por atentados durante visita de Macron
A detenção ocorre após duas explosões em Damasco que fizeram um morto e 36 feridos, ensombrando a primeira visita de um chefe de Estado da UE desde a queda de Assad.
As autoridades sírias anunciaram na quinta-feira a captura de uma célula ligada ao grupo Estado Islâmico (EI), responsabilizada pelos dois atentados a bomba ocorridos a 7 de julho em Damasco, durante a visita do presidente francês Emmanuel Macron. O ministro do Interior, Anas Khattab, confirmou que o grupo estava sob custódia e que as investigações preliminares, conduzidas pelas forças de segurança interna, apontavam para a filiação ao EI. Na sexta-feira, o ministério revelou ainda ter descoberto um esconderijo de explosivos que, segundo as autoridades, seria utilizado para uma série de ataques planeados.
Os atentados, que causaram um morto e 36 feridos segundo o Ministério da Saúde sírio, ocorreram nas imediações do Hotel Four Seasons, onde Macron pernoitara, minutos após a partida do seu comboio para o palácio presidencial. O presidente francês, que não sofreu danos, afirmou em conferência de imprensa conjunta com o homólogo sírio, Ahmed al-Sharaa, que era necessário “não nos deixarmos desestabilizar” por tais ataques. Sharaa, por seu lado, elogiou a “coragem” de Macron em prosseguir a visita, a primeira de um chefe de Estado da União Europeia desde a deposição de Bashar al-Assad, no final de 2024. Ambos anunciaram o início do processo de troca de embaixadores residentes entre Damasco e Paris.
Na perspetiva de analistas europeus, os atentados expõem a fragilidade da segurança na Síria e o desafio que o novo governo enfrenta para consolidar o controlo territorial, num contexto em que células adormecidas do EI continuam ativas. O grupo extremista, que considera apóstatas as novas autoridades de Damasco, não reivindicou a autoria dos atentados, mas as forças de segurança sírias afirmam ter desmantelado “completamente o núcleo responsável” através de rusgas simultâneas em quatro bairros da capital e arredores, incluindo zonas de maioria alauíta. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos reportou dezenas de detenções no subúrbio de Ish al-Warwar, embora um residente local tenha dito à AFP que, tanto quanto sabia, nenhum alauíta fora visado. Alguns meios de comunicação regionais, contudo, descreveram as operações como uma repressão de opositores sob o pretexto do contraterrorismo.
Os atentados de terça-feira foram os segundos na capital síria em julho, depois de uma explosão num café, a 2 de julho, ter matado dez pessoas. A visita de Macron, adiada e mantida em segredo até à aterragem por razões de segurança, simbolizou um passo na normalização diplomática com a Síria pós-Assad, num momento em que o país necessita de centenas de milhares de milhões de dólares para a reconstrução. O governo de Sharaa, que no ano passado aderiu à coligação internacional liderada pelos EUA contra o EI, procura agora demonstrar capacidade para garantir a segurança e atrair investimento estrangeiro. As investigações prosseguem, e o ministro do Interior prometeu divulgar as identidades e ligações dos detidos assim que forem concluídas.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.70 | critical |
As autoridades sírias desmantelam com sucesso uma célula do ISIS, demonstrando capacidade de controle e segurança.
A narrativa baseia-se em declarações oficiais e reportagens factuais, apresentando os eventos como estabelecidos sem questionar as motivações do governo.
Omite o contexto de prisões em massa e potencial repressão política, focando apenas no sucesso de segurança.
O governo sírio explora os atentados para reprimir dissidentes, mascarando a repressão política como combate ao terrorismo.
A narrativa inverte a perspectiva: os atentados tornam-se um pretexto, e a atenção se desloca para as vítimas da repressão, não para os atacantes.
Omite a alegação oficial de ligação ao ISIS e a descoberta de explosivos, o que prejudicaria a narrativa do pretexto.
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