
Reino Unido e EUA endurecem regras de imigração e vistos para profissionais e estudantes
Londres atualiza lista de mais de 100 países que exigem visto e amplia deportações; Washington propõe aumentar salários mínimos para vistos H-1B e limitar permanência de estudantes estrangeiros.
O Reino Unido e os Estados Unidos anunciaram, em julho de 2026, um endurecimento paralelo das suas políticas de imigração, com consequências diretas para trabalhadores, estudantes e visitantes de dezenas de países. No Reino Unido, a Declaração de Alterações HC 259, apresentada ao Parlamento a 9 de julho, uniformiza as restrições por permanência irregular e alarga as regras de deportação a penas suspensas superiores a 12 meses. Simultaneamente, o Ministério do Interior britânico atualizou a lista de nacionalidades que necessitam de visto para visitas até seis meses, que passa a incluir mais de uma centena de Estados, entre os quais Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Do lado norte-americano, os departamentos de Segurança Interna, Trabalho e Estado propuseram, no âmbito da Agenda Regulatória Unificada, elevar o patamar salarial de entrada para o visto H-1B do percentil 17 para o 34 e restringir as colocações de profissionais em empresas clientes, além de substituir o regime de “duração do curso” por períodos fixos de estada para estudantes internacionais.
Segundo o governo britânico, as alterações visam eliminar zonas cinzentas na aplicação das regras migratórias e reforçar a segurança pública, ao equiparar penas suspensas a penas efetivas para efeitos de expulsão. Nos Estados Unidos, as agências federais justificam as medidas com a necessidade de proteger o mercado de trabalho doméstico e garantir a integridade dos programas. Observadores em Nova Deli sublinham que as empresas indianas de tecnologia, responsáveis por mais de 70% das aprovações H-1B, enfrentarão custos acrescidos e maior escrutínio documental. Na perspetiva de Brasília, o Brasil não figura nas listas britânicas de exigência de visto para estadas curtas, mas diplomatas africanos de língua portuguesa notam que a manutenção de barreiras para nações como Angola e Moçambique dificulta viagens de negócios e turismo, num momento em que a mobilidade intra-Commonwealth e para a Europa se torna mais seletiva.
As implicações práticas são imediatas. A partir de 3 de agosto de 2026, todos os pedidos de visto para o Reino Unido passarão a ser avaliados sob as novas regras uniformizadas de permanência e fiança migratória, com exceção dos regimes de residência da UE, que entram em vigor a 30 de julho. Nos EUA, a subida dos salários de referência encarecerá os processos de green card baseados em emprego, enquanto a limitação dos períodos de estada para estudantes — com as alterações ao OPT e CPT previstas para fevereiro de 2027 — introduz incerteza num contingente que, em 2023-24, contou com cerca de 330 mil indianos, metade dos quais oriundos dos estados de Telangana e Andhra Pradesh. Analistas em Lisboa avaliam que, embora os cidadãos portugueses não sejam diretamente visados pelas listas de vistos de curta duração, o ambiente pós-Brexit continua a erguer barreiras administrativas que podem redirecionar talento e turismo para destinos concorrentes na União Europeia.
As medidas inserem-se num contexto global de restrição migratória, com Londres e Washington a responderem a pressões políticas internas. O Reino Unido introduziu ainda a obrigação de o Secretário de Estado rever a regulação a cada cinco anos, demonstrando que os encargos para empresas e instituições de ensino não podem ser alcançados por meios menos restritivos. As propostas norte-americanas deverão ser finalizadas durante o mês de agosto, enquanto as alterações ao regime de estudantes estão calendarizadas para 2027. O dossiê permanece em aberto, com setores empresariais e governos estrangeiros a prepararem pedidos de esclarecimento e eventuais contestações durante o período de implementação.
| Imprensa africana subsaariana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.50 | critical |
The United Kingdom imposes new barriers on citizens of over 100 countries, including many Africans, making it harder to travel, work, and study.
The detailed list of countries creates the impression of an objective and indisputable measure, hiding the political choice to exclude certain nations.
The United States proposes changes to the H-1B program and OPT, framing them as routine regulatory updates.
The detailed description of procedures and involved agencies normalizes the restrictions, presenting them as technical steps rather than political choices.
The United States blocks entry and exit for holders of passports issued this year, directly affecting Latin American travelers.
The use of the verb 'block' attributes intentionality and hostility to the American state, turning a technical norm into an act of closure.
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