
Irã reivindica ataques a bases dos EUA no Bahrein e na Jordânia
Guarda Revolucionária afirma ter atingido instalações militares americanas em retaliação a ofensiva noturna; Jordânia relata interceptação de mísseis sem vítimas.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) do Irã reivindicou, nesta terça-feira, uma série de ataques com mísseis balísticos e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e na Jordânia. Segundo comunicados oficiais da força iraniana, a operação, batizada de Nasr 2, atingiu depósitos de armas, centros de comunicação e alojamentos de tropas na base de Al‑Juffair, sede da Quinta Frota norte‑americana, e o centro de controle da base aérea Príncipe Hassan, na Jordânia. As Forças Armadas jordanas confirmaram a entrada de projéteis no seu espaço aéreo e afirmaram ter interceptado quatro mísseis, registando a queda de destroços em várias localidades sem causar vítimas ou danos significativos. Washington, por meio do Comando Central (CENTCOM), anunciou pouco depois a terceira noite consecutiva de bombardeios contra alvos militares iranianos, incluindo posições em Bushehr, Chabahar e Bandar Abbas.
A ofensiva iraniana é apresentada por Teerã como retaliação direta às incursões americanas, que, segundo o IRGC, violaram o memorando de entendimento mediado pelo Paquistão e assinado no mês passado. A cláusula inicial do acordo previa a cessação imediata das hostilidades em todas as frentes, mas os Estados Unidos teriam mantido ataques contra infraestruturas civis e posições costeiras iranianas, incluindo um bombardeio que, de acordo com a versão da Guarda Revolucionária, atingiu uma escola no sul do Irã. Em paralelo, o IRGC acusa Washington de tentar subverter o corredor marítimo designado por Teerã para a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, escoltando embarcações não autorizadas. Em resposta, o Irã formalizou uma doutrina de retaliação “dois por um”, comprometendo‑se a atingir pelo menos dois alvos inimigos por cada alvo iraniano afetado.
Dirigindo‑se diretamente à população jordaniana, o IRGC divulgou uma nota em que nega qualquer hostilidade contra o reino hachemita e apela ao encerramento das bases americanas na região. “Não temos nenhuma animosidade contra o vosso país; pelo contrário, amamos‑vos profundamente, povo nobre”, lê‑se no comunicado, que associa a presença militar estrangeira ao sofrimento palestino e pede que os cidadãos exijam a dissolução das “bases de ocupação”. A Jordânia, que alberga cerca de três mil soldados norte‑americanos, não reportou danos materiais de monta, mas a intrusão no seu espaço aéreo reacendeu o debate interno sobre os riscos da presença militar estrangeira.
A escalada ocorre num momento de fragilidade diplomática, com o colapso do cessar‑fogo mediado pelo Paquistão a comprometer os canais de negociação. Na perspetiva de Brasília, a deterioração da segurança no Golfo Pérsico projeta incerteza sobre os mercados globais de petróleo, com potenciais reflexos nos fluxos de exportação do pré‑sal brasileiro. Observadores em Lisboa sublinham a vulnerabilidade das rotas marítimas de abastecimento energético a Portugal, enquanto diplomatas africanos de língua oficial portuguesa acompanham com apreensão o risco de contágio a outras regiões do Médio Oriente. O dossiê permanece em aberto: o IRGC afirma que a operação Nasr 2 “continua em curso” e os Estados Unidos não deram indicações de suspender os ataques noturnos, sem que novas conversações tenham sido anunciadas.
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Relatamos as alegações iranianas com ceticismo, destacando seu status não verificado e a negação iraniana em relação à Jordânia, mantendo uma distância cautelosa de qualquer endosso.
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