
Venezuela: raro 'doblete sísmico' deixa ao menos 164 mortos e desafia sismólogos
Dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5, separados por 39 segundos, atingiram o norte do país, agravando danos e levantando questões sobre a interação entre falhas tectônicas.
Dois terremotos consecutivos sacudiram o norte da Venezuela na noite de 24 de junho, com epicentros próximos à localidade de Yumare, a oeste de Caracas. O primeiro, de magnitude 7,2, foi seguido 39 segundos depois por um segundo abalo de 7,5, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A profundidade reduzida, entre 10 e 13 quilómetros, amplificou a intensidade das ondas sísmicas, que foram sentidas até o norte do Brasil. Autoridades venezuelanas confirmaram, até a manhã de quinta-feira, ao menos 164 mortos e cerca de mil feridos, com o estado de La Guaira a concentrar os danos mais severos. O aeroporto internacional de Caracas foi encerrado e o governo declarou estado de emergência.
O fenómeno, classificado pelo USGS como um 'doblete sísmico', é considerado raro pela comunidade científica. Diferentemente da sequência habitual de um sismo principal seguido de réplicas mais fracas, neste caso dois eventos de magnitude semelhante ocorreram quase em simultâneo, cada um com potencial destrutivo próprio. Especialistas sul-americanos, como o geólogo Andrés Folguera, investigador do Conicet na Argentina, explicam que a rutura da primeira falha pode ter transferido tensão para um segmento vizinho, precipitando a segunda fratura. Observadores na Península Ibérica, incluindo sismólogos da Rede Sísmica Nacional espanhola, sublinham que a complexidade da zona de falhas de desgarre, no limite entre as placas do Caribe e da América do Sul, favorece este tipo de interação.
Os relatos da população e os registos instrumentais revelam a dificuldade em distinguir os dois abalos. Muitos habitantes descreveram uma única e prolongada sacudida, o que, segundo analistas ibéricos, decorre da fusão das ondas sísmicas nos sismogramas quando os epicentros estão muito próximos. A estimativa de vítimas do USGS, que projeta entre 10 mil e 100 mil mortos, reflete a incerteza sobre a vulnerabilidade das construções e a densidade populacional nas áreas mais afetadas, um intervalo que as autoridades locais consideram ainda preliminar.
A região, embora menos ativa do que o Cinturão de Fogo do Pacífico, regista movimentos tectónicos laterais de cerca de dois centímetros por ano, acumulando tensão ao longo de décadas. O precedente mais próximo foi o terremoto de magnitude 7,7 em 1900. Agora, equipas de resgate trabalham nos escombros de Caracas e de outras cidades, enquanto os sismólogos monitorizam a possibilidade de réplicas significativas, que podem prolongar-se por meses. O balanço de vítimas permanece provisório e as investigações sobre a dinâmica exata do duplo evento estão em curso.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Dois fortes terremotos atingiram a Venezuela com apenas 39 segundos de intervalo, um raro dubleto sísmico que multiplicou a tragédia. Especialistas explicam que a primeira ruptura provavelmente transferiu tensão para uma falha próxima, desencadeando o segundo. O fenômeno incomum, com mais de 160 mortos, chamou a atenção para a mecânica desses grandes sismos tão próximos no tempo.
Um duplo evento sísmico de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiu a Venezuela, um fenômeno que os sismólogos descrevem como extraordinário. O diretor da Rede Sísmica Nacional da Espanha observou que dois terremotos de tamanho semelhante tão próximos no tempo são altamente incomuns. O mecanismo de dubleto, em que a ruptura de uma falha induz outra, está sendo estudado para entender a devastação.
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