
Trump autoriza chefe de inteligência interino a desclassificar registos da eleição de 2020
Decisão surge enquanto uma força-tarefa da Casa Branca recolhe milhares de documentos de agências como CIA e FBI, reacendendo o debate sobre a instrumentalização dos serviços secretos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que o diretor interino de Inteligência Nacional, Bill Pulte, tem ampla autorização para desclassificar quaisquer documentos, incluindo os relacionados com as eleições presidenciais de 2020. A declaração foi dada horas depois de a NBC News noticiar a criação de uma força-tarefa na Casa Branca que está a reunir milhares de páginas de registos da CIA, do FBI, do Departamento de Justiça e da Agência de Segurança Nacional com o objetivo de os divulgar publicamente. Pulte, um leal aliado político sem experiência prévia em segurança nacional, ocupa o cargo interinamente por um período que o próprio Trump estimou em “um ou dois meses”, até à eventual confirmação do procurador Jay Clayton pelo Senado.
Segundo a Casa Branca, a iniciativa insere-se num compromisso de “total transparência” e de partilha de informação com o público. A administração Trump sustenta que a divulgação dos documentos ajudará a esclarecer alegadas irregularidades eleitorais, uma narrativa que o presidente mantém desde a derrota para Joe Biden em 2020, apesar de mais de 60 processos judiciais não terem comprovado fraude generalizada. Na perspetiva de legisladores democratas e de organizações de defesa do direito ao voto, a medida representa uma tentativa de reavivar acusações infundadas para pressionar o Congresso a aprovar a lei SAVE, que exige identificação rigorosa dos eleitores e que, segundo os críticos, pode dificultar o registo de milhões de cidadãos elegíveis.
Analistas em Washington notam que a presença de figuras como o jornalista conservador John Solomon e o coronel reformado Derek Harvey na força-tarefa sinaliza uma orientação política alinhada com as teses de Trump. A recolha de documentos abrange material sensível de agências de informação e, de acordo com fontes citadas pela imprensa norte-americana, a equipa foi encorajada a limitar as ocultações de nomes, mesmo que isso exponha funcionários governamentais ou outros indivíduos. O gabinete do diretor de Inteligência Nacional e o presidente da Comissão de Inteligência do Senado, o republicano Tom Cotton, não comentaram as declarações de Trump. Cotton tem como data indicativa 15 de julho para a audiência de confirmação de Clayton, enquanto Pulte acumula o cargo com a liderança da Agência Federal de Financiamento da Habitação e já iniciou um corte de centenas de postos de trabalho na comunidade de inteligência.
O episódio é acompanhado com atenção noutras regiões. No Brasil, onde o debate sobre integridade eleitoral e desinformação digital é intenso, especialistas em direito constitucional veem no caso norte-americano um alerta para os riscos de politização dos órgãos de fiscalização. Em Lisboa, diplomatas europeus observam o processo com cautela, temendo que a instrumentalização de serviços secretos para fins políticos internos possa enfraquecer a confiança nas alianças de partilha de informações. O estado do dossiê permanece em aberto: a audiência de Clayton está prevista para as próximas semanas, Pulte mantém-se como diretor interino e a força-tarefa continua a compilar documentos, enquanto Trump reforça a pressão ao receber na terça-feira Tina Peters, ex-funcionária eleitoral do Colorado condenada por adulterar máquinas de votação.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um novo capítulo perigoso: a ordem de Trump para desclassificar os registros eleitorais de 2020 é uma tentativa descarada de reescrever a história e preparar o terreno para outro roubo de documentos secretos, ecoando o escândalo de Mar-a-Lago. Sua obsessão pela eleição perdida, protegida por uma Suprema Corte conivente, revela um ciclo de ilegalidade e mesquinhez.
O presidente Trump afirmou ter concedido ao diretor interino de inteligência nacional, Bill Pulte, ampla autoridade para desclassificar documentos, incluindo os relacionados às eleições de 2020. A medida ocorre enquanto uma força-tarefa da Casa Branca coleta material das agências de inteligência.
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