
Índia e Japão firmam primeiro projeto conjunto de defesa e alargam eixo tecnológico
Cimeira Modi-Takaichi produz acordo inédito de codesenvolvimento militar, declarações sobre IA e segurança económica, e a inauguração da quarta fábrica da Suzuki em Haryana.
A Índia e o Japão assinaram esta quinta-feira, em Nova Deli, o primeiro acordo de codesenvolvimento de equipamento de defesa entre os dois países, centrado no mastro naval furtivo UNICORN, que será coproduzido pela Bharat Electronics Limited. O anúncio, feito pelo primeiro-ministro Narendra Modi ao lado da homóloga japonesa Sanae Takaichi, insere-se num pacote mais vasto de iniciativas que inclui declarações conjuntas sobre inteligência artificial, segurança económica e resiliência energética, além da inauguração da nova unidade fabril da Maruti Suzuki em Kharkhoda, com um investimento previsto de 35 mil crores de rupias.
Segundo fontes oficiais indianas, a cimeira anual — a 16.ª entre os dois parceiros estratégicos — reflete a convergência de prioridades num contexto de turbulência geopolítica. A declaração conjunta manifesta “grave preocupação” com o uso de coerção económica, linguagem que, na perspetiva de Tóquio, tem como pano de fundo as práticas de Pequim. Ambos os governos sublinham que a Parceria Estratégica e Global Especial assenta na confiança mútua e no objetivo partilhado de um Indo-Pacífico livre, aberto e baseado em regras. A visita de Takaichi, a primeira à Índia desde que assumiu o cargo em outubro de 2025, insere-se na diplomacia de vaivém entre as duas capitais e ocorre meses depois de Modi ter estado em Tóquio, onde o Japão se comprometeu a mais do que duplicar o investimento na Índia na próxima década.
Do ponto de vista tecnológico e industrial, os acordos anunciados abrem novas frentes de cooperação. O mastro UNICORN, desenvolvido pela NEC e já instalado nas fragatas furtivas da classe Mogami da Força Marítima de Autodefesa do Japão, reduz a assinatura radar dos navios ao integrar múltiplas antenas num único domo. A sua produção na Índia, no quadro da iniciativa Make in India, é vista por analistas em Nova Deli como um passo para reforçar a dissuasão naval face à modernização da marinha chinesa. Paralelamente, a declaração sobre inteligência artificial prevê a utilização partilhada de um supercomputador japonês especializado e a colaboração em modelos de linguagem de grande escala, combinando a tecnologia de precisão nipónica com as capacidades indianas de software. No domínio energético, o Japão apoiará a instalação de mil centrais de biogás na Índia, transformando estrume bovino em combustível para veículos a gás natural comprimido, projeto que conta com a participação da Suzuki no desenvolvimento de canais de distribuição.
A dimensão económica da cimeira materializou-se no Fórum Económico Índia-Japão, que reuniu mais de 230 empresas e resultou em cerca de 120 projetos de cooperação, totalizando investimentos na ordem dos dois biliões de ienes. Modi anunciou ainda a criação de uma Japan Business Week, durante a qual altos funcionários do seu gabinete se reunirão com empresas japonesas para melhorar o ambiente de negócios. O comércio bilateral atingiu 27,5 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2025-26, e o objetivo declarado é duplicar o número de empresas japonesas em território indiano na próxima década. A próxima etapa institucional será a realização, até ao final do ano, de uma reunião ministerial 2+2 entre os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa dos dois países, conforme acordado na cimeira.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 3 idiomas
A cúpula Índia-Japão representa um salto na parceria estratégica indo-pacífica, com acordos concretos sobre gás natural liquefeito, semicondutores e inteligência artificial. Nova Déli recebe a primeira-ministra Takaichi como uma aliada-chave para a resiliência das cadeias de suprimento e a revitalização do Nordeste indiano. O entendimento é retratado como um pilar de estabilidade em uma Ásia abalada pelo protecionismo americano e pela assertividade chinesa.
A cúpula de Déli é enquadrada como uma reunião de rotina para avançar a cooperação econômica e de segurança, com foco em segurança econômica e inteligência artificial. Documentos conjuntos são esperados, mas o tom permanece sóbrio e descritivo, sem ênfase geopolítica. O encontro é uma das muitas peças da diplomacia econômica japonesa, não uma virada estratégica.
Amplie o olhar
OpenAI propõe ceder 5% ao governo dos EUA para partilhar ganhos da IA
10 idiomas · 20 veículos
De TechnologyÍndia trava nomes de utilizador no WhatsApp e alarga escrutínio ao Telegram e Signal
4 idiomas · 21 veículos
De Science & HealthSono fora da faixa ideal acelera envelhecimento e eleva risco cardiovascular, mostram estudos
4 idiomas · 6 veículos