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Energia e Climaquinta-feira, 2 de julho de 2026

Arábia Saudita retoma exportações de Ras Tanura e adota venda à vista, pressionando cotações do petróleo

Com 10 milhões de barris a caminho da Ásia e preços spot, o Brent cai para US$ 70, enquanto a relação com os EUA se deteriora após divergências na guerra do Irã.

A retomada dos carregamentos no porto de Ras Tanura, o maior terminal exportador de petróleo do mundo, e a mudança para vendas no mercado à vista pela Saudi Aramco injetaram 10 milhões de barris no mercado asiático em poucos dias. O movimento acelerou a queda do Brent, que recuou para cerca de US$ 70 por barril, bem distante dos quase US$ 120 registados em março, antes do acordo de paz provisório entre Estados Unidos e Irão. Pelo menos cinco superpetroleiros já atravessaram o Estreito de Ormuz com destino ao Japão e à China, segundo dados de transporte marítimo, enquanto outros quatro aguardam nas imediações do porto saudita.

A alteração na estratégia comercial da estatal saudita — que tradicionalmente opera com contratos de longo prazo e preços oficiais mensais — ocorre num momento de concorrência acrescida. Com o avanço das negociações de paz, outras cargas do Médio Oriente para embarque entre julho e agosto passaram a ser negociadas com desconto, e a maioria das refinarias asiáticas já tinha coberto as suas necessidades até agosto. Para escoar o petróleo acumulado durante quase quatro meses de interrupção, a Aramco ofereceu 6 milhões de barris com preços à vista, descritos como “muito atrativos” para compradores chineses. A expectativa dos operadores é que a empresa reduza de forma significativa os seus preços oficiais para agosto.

A retoma das exportações expõe também o desgaste nas relações entre Riade e Washington. Durante a guerra, a Arábia Saudita recusou o uso das suas bases aéreas e do espaço aéreo para a operação “Project Freedom”, concebida para escoltar navios no Estreito de Ormuz, forçando a suspensão da missão em menos de 48 horas. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman manteve a posição mesmo após telefonemas diretos de Donald Trump e de altos funcionários norte-americanos, temendo que a iniciativa reacendesse o conflito. A tensão levou os EUA a ponderar a redução da sua presença militar no reino e a transferência de forças para Israel e Jordânia, ao mesmo tempo que Riade intensifica contactos com a China e o Irão.

Para os países lusófonos, o novo patamar de preços tem efeitos distintos. Importadores líquidos como Brasil e Portugal beneficiam de um alívio nas pressões inflacionárias e nos custos logísticos, enquanto produtores como Angola veem as receitas fiscais sob risco, num contexto de fragilidade orçamental. O próximo marco a observar será a divulgação dos preços oficiais de venda da Aramco para agosto, que confirmará a profundidade da viragem comercial saudita e o seu impacto nos fluxos globais de crude.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A Arábia Saudita retomou as exportações de petróleo bruto de Ras Tanura após uma paralisação de quase quatro meses, com pelo menos cinco superpetroleiros transportando 10 milhões de barris. Para acelerar as vendas na Ásia, a Saudi Aramco passou a usar preços spot, contribuindo para um excesso de oferta que derrubou o Brent para abaixo de US$ 70 o barril.

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A guerra no Irã desgastou a aliança histórica entre Washington e Riad, com o governo Trump considerando reduzir sua presença militar no reino. A recusa saudita em conceder espaço aéreo para uma missão dos EUA expôs a crescente desconfiança e a falta de confiabilidade de Trump, marcando um ponto de virada nas relações bilaterais.

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Arábia Saudita retoma exportações de Ras Tanura e adota venda à vista, pressionando cotações do petróleo

Com 10 milhões de barris a caminho da Ásia e preços spot, o Brent cai para US$ 70, enquanto a relação com os EUA se deteriora após divergências na guerra do Irã.

A retomada dos carregamentos no porto de Ras Tanura, o maior terminal exportador de petróleo do mundo, e a mudança para vendas no mercado à vista pela Saudi Aramco injetaram 10 milhões de barris no mercado asiático em poucos dias. O movimento acelerou a queda do Brent, que recuou para cerca de US$ 70 por barril, bem distante dos quase US$ 120 registados em março, antes do acordo de paz provisório entre Estados Unidos e Irão. Pelo menos cinco superpetroleiros já atravessaram o Estreito de Ormuz com destino ao Japão e à China, segundo dados de transporte marítimo, enquanto outros quatro aguardam nas imediações do porto saudita.

A alteração na estratégia comercial da estatal saudita — que tradicionalmente opera com contratos de longo prazo e preços oficiais mensais — ocorre num momento de concorrência acrescida. Com o avanço das negociações de paz, outras cargas do Médio Oriente para embarque entre julho e agosto passaram a ser negociadas com desconto, e a maioria das refinarias asiáticas já tinha coberto as suas necessidades até agosto. Para escoar o petróleo acumulado durante quase quatro meses de interrupção, a Aramco ofereceu 6 milhões de barris com preços à vista, descritos como “muito atrativos” para compradores chineses. A expectativa dos operadores é que a empresa reduza de forma significativa os seus preços oficiais para agosto.

A retoma das exportações expõe também o desgaste nas relações entre Riade e Washington. Durante a guerra, a Arábia Saudita recusou o uso das suas bases aéreas e do espaço aéreo para a operação “Project Freedom”, concebida para escoltar navios no Estreito de Ormuz, forçando a suspensão da missão em menos de 48 horas. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman manteve a posição mesmo após telefonemas diretos de Donald Trump e de altos funcionários norte-americanos, temendo que a iniciativa reacendesse o conflito. A tensão levou os EUA a ponderar a redução da sua presença militar no reino e a transferência de forças para Israel e Jordânia, ao mesmo tempo que Riade intensifica contactos com a China e o Irão.

Para os países lusófonos, o novo patamar de preços tem efeitos distintos. Importadores líquidos como Brasil e Portugal beneficiam de um alívio nas pressões inflacionárias e nos custos logísticos, enquanto produtores como Angola veem as receitas fiscais sob risco, num contexto de fragilidade orçamental. O próximo marco a observar será a divulgação dos preços oficiais de venda da Aramco para agosto, que confirmará a profundidade da viragem comercial saudita e o seu impacto nos fluxos globais de crude.

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A Arábia Saudita retomou as exportações de petróleo bruto de Ras Tanura após uma paralisação de quase quatro meses, com pelo menos cinco superpetroleiros transportando 10 milhões de barris. Para acelerar as vendas na Ásia, a Saudi Aramco passou a usar preços spot, contribuindo para um excesso de oferta que derrubou o Brent para abaixo de US$ 70 o barril.

Imprensa europeia continental/ Mediterrânea
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A guerra no Irã desgastou a aliança histórica entre Washington e Riad, com o governo Trump considerando reduzir sua presença militar no reino. A recusa saudita em conceder espaço aéreo para uma missão dos EUA expôs a crescente desconfiança e a falta de confiabilidade de Trump, marcando um ponto de virada nas relações bilaterais.

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