
Crise de combustíveis na Rússia alastra-se à Ásia Central e expõe fragilidades logísticas
A escassez de gasolina, provocada por ataques ucranianos a refinarias, já afeta o abastecimento em quase 90% das regiões russas e leva o Quirguistão a pedir ajuda a seis países vizinhos.
A crise de abastecimento de combustíveis na Rússia transbordou as fronteiras e atinge agora a Ásia Central. O Quirguistão, que importa 90% da gasolina da Rússia, enviou pedidos oficiais a seis países — incluindo a própria Rússia, o Cazaquistão e a Bielorrússia — para garantir fornecimentos estáveis, enquanto os preços disparam no Uzbequistão e o Cazaquistão reforça o controlo fronteiriço para conter o contrabando de combustível. A medida expõe a dependência regional da infraestrutura energética russa, fragilizada por ataques sistemáticos de drones ucranianos que, segundo a deputada da Duma Nina Ostanina, terão colocado fora de serviço um terço das refinarias do país.
O mecanismo da crise é duplo: a destruição de capacidade de refinação e os estrangulamentos logísticos. O vice-primeiro-ministro Aleksandr Novak classificou a situação como uma “crise logística”, mas o reconhecimento público de Vladimir Putin sobre a existência de défice e as imagens de filas de horas em postos de abastecimento — com relatos de esperas de 18 horas na Sibéria — mostram uma dimensão mais profunda. A Rússia iniciou importações marítimas de gasolina da Índia e negociou carregamentos de emergência com a Bielorrússia e o Cazaquistão, enquanto o governo pondera proibir a exportação de gasóleo. No terreno, o racionamento alastra: em Oriol, o abastecimento passou a ser feito em dias alternados conforme a matrícula; na Crimeia, apenas veículos de emergência têm acesso garantido; na região de Krasnodar, agricultores temem não conseguir colher as safras por falta de combustível para as máquinas.
O impacto social e político começa a ser medido. Um inquérito da Gallup realizado entre março e maio de 2026 indica que 56% dos russos estão insatisfeitos com o seu nível de vida, o valor mais alto em 20 anos. Nas redes sociais, multiplicam-se vídeos de discussões em filas e mapas colaborativos para localizar postos com stock. Na Duma, um senador da região de Tomsk descreveu a situação como “catastrófica” para a agricultura, enquanto analistas em Moscovo notam que a escassez recorda os anos de penúria da década de 1990. Para observadores ocidentais, a vulnerabilidade energética russa contrasta com a narrativa de força do Kremlin e pode corroer o apoio popular à guerra, num momento em que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deu 40 dias aos seus militares para “persuadir a Rússia a negociar”.
O próximo marco a acompanhar é a reunião do gabinete de crise do setor petrolífero russo, que deverá apresentar medidas específicas para as regiões mais afetadas, sobretudo aquelas sem presença de grandes petrolíferas. A eficácia dessas ações e a evolução da campanha de ataques ucranianos determinarão se a crise se aprofunda, com potenciais consequências para a colheita agrícola e para a estabilidade do abastecimento nos países vizinhos da Ásia Central.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The fuel crisis in Russia is framed as a temporary technical issue, exacerbated by Western sanctions. Kyrgyzstan's request for supplies is depicted as routine cooperation between partners, not a sign of Russian weakness. The narrative downplays the impact on Central Asia and emphasizes Russia's resilience.
The fuel crisis in Russia is a symptom of a war economy growing ever more fragile, with direct repercussions on neighbors. Kyrgyzstan is forced to ask others for help, a sign that Moscow can no longer support its allies. The tone is critical, highlighting structural weaknesses of the Russian regime.
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