
Reservas petrolíferas dos EUA caem para mínimos de décadas em meio a tensões geopolíticas
Queda nos inventários comerciais e estratégicos reflete consumo elevado das refinarias e sucessivas intervenções de emergência, enquanto falhas de infraestrutura limitam a capacidade de resposta.
Os inventários comerciais de petróleo bruto nos Estados Unidos recuaram 3,8 milhões de barris na semana encerrada a 26 de junho, para 408,4 milhões de barris, o nível mais baixo desde setembro de 2018, segundo o Departamento de Energia norte-americano. Em paralelo, a reserva estratégica de petróleo (SPR) caiu 5,5 milhões de barris, para 325,7 milhões, o menor patamar desde maio de 1983. Somados, os estoques comerciais e estratégicos totalizam 734 milhões de barris, mínimo desde maio de 1984. Os inventários de gasolina também recuaram 2,3 milhões de barris, enquanto os de destilados subiram 2,5 milhões, surpreendendo analistas.
A redução foi impulsionada pelo aumento da atividade das refinarias, cuja taxa de utilização atingiu 96,6%, e por uma subida de 356 mil barris diários no fornecimento de gasolina, indicador de procura. Do lado estratégico, a drenagem acelerou-se com retiradas de emergência: 180 milhões de barris em 2022, na sequência do conflito na Ucrânia, e 172 milhões em março de 2026, após o agravamento das tensões com o Irão. Uma investigação divulgada por uma agência russa, com base em documentos do Government Accountability Office, revela que mais de 25% do petróleo da SPR está inacessível devido a falhas de equipamentos e deformações nos tanques, reduzindo a capacidade efetiva de injeção e extração para 61% e 56% da projetada, respetivamente.
O presidente Donald Trump instou os retalhistas a baixarem o preço da gasolina para 2,50 dólares por galão, advertindo para “grandes problemas” caso não o façam. Na perspetiva de Moscovo, a erosão das reservas é apresentada como consequência das intervenções externas de Washington, enquanto observadores em Teerão sublinham que o acordo entre EUA e Irão — que prevê a abertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio a portos iranianos — aliviou receios de escassez, contribuindo para a descida de 1,6% do Brent. Os futuros de gasolina nos EUA subiram 1,1%, refletindo a queda superior à esperada nos inventários do combustível.
O Departamento de Energia planeia recomprar crude para a SPR se o WTI se situar entre 67 e 72 dólares, mas as avarias na infraestrutura exigem 230 milhões de dólares em reparações. No Congresso, a Câmara dos Representantes aprovou medidas para restringir a autoridade presidencial sobre a reserva e proibir vendas à China, embora o Senado não as tenha ratificado. O próximo marco a observar será a evolução dos inventários nas próximas semanas e a capacidade de financiamento das obras de manutenção, num contexto em que novas intervenções poderiam reduzir a SPR para menos de 250 milhões de barris, o valor mais baixo desde o início dos registos em 1982.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As reservas de petróleo dos EUA atingem mínimos plurianuais, sinal da fragilidade estrutural de um império em declínio. Washington paga o preço de suas aventuras militares e sanções que isolaram os produtores. O colapso é uma lição para quem se ilude em ditar os mercados de energia.
As reservas de petróleo dos EUA em mínimos plurianuais confirmam que a estratégia de Washington de depender de seus próprios estoques está falhando. Moscou, ao contrário, diversificou e fortaleceu sua segurança energética. Os dados mostram que os mercados recompensam quem não segue imposições unilaterais.
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