
Trump exalta nacionalismo e ataca opositores como 'comunistas' no 250.º aniversário dos EUA
Discurso em Washington, marcado por calor extremo e protestos, renova retórica anticomunista e gabos de campanhas militares, enquanto sondagem revela que 61% dos americanos acham que o país não cumpre os ideais fundadores.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinalou o 250.º aniversário da independência do país com um discurso no National Mall, em Washington, no qual classificou a república americana como «a maior conquista da história da humanidade» e renovou ataques a adversários políticos, a quem apelidou de «comunistas». O discurso, que atrasou várias horas devido a tempestades que obrigaram à evacuação temporária do recinto, incluiu ainda referências a campanhas militares contra o Irão, cujas forças disse ter «arrasado», e a Venezuela, num tom que analistas em Washington interpretam como uma tentativa de mobilizar a base eleitoral para as eleições intercalares de novembro.
Segundo observadores em Brasília, a retórica anticomunista de Trump ecoa em setores conservadores brasileiros, mas gera apreensão quanto a possíveis escaladas na América Latina, sobretudo após a menção à Venezuela. Em Lisboa, analistas notam que o tom nacionalista e unilateral contrasta com o multilateralismo europeu e reaviva tensões transatlânticas. Já em capitais africanas de língua portuguesa, como Luanda e Maputo, a linguagem belicista contra o Irão reacende memórias de intervenções unilaterais e é interpretada como um sinal de endurecimento ideológico que pode afetar a cooperação para o desenvolvimento. Nos Estados Unidos, o discurso suscitou reações divergentes: apoiantes como Richard Sullivan, de 70 anos, declararam sentir «orgulho de ser americano», enquanto nas imediações do Capitólio grupos mascarados exibiam bandeiras confederadas e símbolos do Patriot Front, entoando palavras de ordem como «Reclaim America!».
A realização do evento sob condições meteorológicas extremas – temperaturas recorde de 39,4°C e evacuações devido a trovoadas – evidenciou a determinação de Trump em centrar as celebrações na sua figura política. Milhares de pessoas foram instadas a abandonar o National Mall horas antes do discurso, gerando cenas de caos quando alguns se recusaram a sair e tentaram regressar, gritando «Trump! Trump!». O presidente justificou a insistência comparando o calor suportado pelos veteranos do Dia D, reforçando uma narrativa de sacrifício e patriotismo.
Com as eleições intercalares de novembro no horizonte, o discurso inscreve-se numa estratégia de vitimização e mobilização do eleitorado conservador, num país onde, segundo uma sondagem da Universidade Quinnipiac, 61% dos cidadãos consideram que os EUA não estão a cumprir os ideais da Declaração de Independência. A poucos meses do ato eleitoral, a polarização política e a retórica de confronto com o «comunismo» interno prometem marcar o debate público, enquanto a comunidade internacional observa os sinais de uma América cada vez mais dividida e assertiva no plano externo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump hails the US as the 'crowning achievement' but attacks opponents as 'communists'. The celebrations were marred by storms. Latino American media criticize the divisive rhetoric and aggressive nationalism.
Trump hails the US as crowning achievement but largely sticks to a traditional patriotic script. Storms delay the speech. Sub-Saharan African media report the event in a descriptive, neutral tone.
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