
ONU alerta que regulação da IA está a perder a corrida para a tecnologia
Relatório preliminar de painel científico independente das Nações Unidas conclui que os avanços da inteligência artificial superam a capacidade dos governos de criar normas de segurança, enquanto Rússia, Europa e Taiwan avançam com os seus próprios modelos de governação.
A inteligência artificial está a desenvolver-se a um ritmo que os governos não conseguem acompanhar, concluiu o primeiro relatório preliminar do Painel Científico Internacional Independente sobre IA da ONU. O documento, divulgado no início de julho, sublinha que os sistemas mais avançados já planeiam tarefas, escrevem código e executam encomendas complexas com supervisão humana mínima, enquanto as tentativas de regulação enfrentam um “dilema da evidência”: quando há dados científicos suficientes para legislar, a tecnologia já deu mais um salto. O painel, composto por 40 peritos de vários países, aponta que os EUA e a China concentram cerca de 90% da capacidade informática que sustenta os principais modelos, aprofundando assimetrias globais.
A resposta regulatória fragmenta-se por regiões. Na Rússia, o Ministério do Desenvolvimento Digital (Mintsifry) prepara-se para assumir, a 1 de setembro, o papel de regulador principal da IA, com poderes para definir a política estatal, preparar legislação, coordenar atos normativos de outros organismos e gerir o acesso a dados públicos para treino de modelos. A legislação em discussão prevê ainda um registo de “modelos de confiança” para uso em sistemas críticos do Estado. Na Europa, uma consultora da ONU e da Comissão Europeia defendeu, em entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, que o bloco deve explorar alternativas aos grandes modelos probabilísticos dos EUA, investindo em abordagens simbólicas e causais onde já tem tradição de investigação, como na Suécia e na Alemanha, para não se tornar “perdedor da revolução da IA”. Em Taiwan, o Ministério dos Assuntos Económicos registou mais de 21 mil inscrições num novo programa de certificação em “planeamento de aplicações de IA”, concebido para acelerar a adoção prática da tecnologia nas empresas e contrariar a concentração dos benefícios nos setores de semicondutores e alta tecnologia.
O impacto social da aceleração tecnológica manifesta-se em tensões entre eficiência e pensamento crítico. Na Indonésia, a Autoridade de Serviços Financeiros (OJK) alertou que as burlas com recurso a deepfake — manipulação de imagem, voz e linguagem corporal — estão a tornar-se tão sofisticadas que só uma literacia digital reforçada pode funcionar como barreira. Jornais indonésios notam ainda que a dependência excessiva da IA generativa está a suscitar preocupações entre educadores, que temem a atrofia das capacidades de análise e redação dos estudantes. Na América Latina, a imprensa argentina ecoa o debate sobre a “descarga cognitiva”, com o colunista Federico Lix Klett a alertar que a tentação de delegar o pensamento num modelo de linguagem é uma armadilha que enfraquece a “soberania do pensamento próprio”. Em Espanha, uma leitora do La Gaceta ironizava que as máquinas parecem dar lições de convivência: “se modelos concebidos por nós podem coexistir sem atritos estéreis, porque nos custa tanto o respeito básico perante a discrepância?”
A divergência de perspetivas não trava os planos governamentais. Na Rússia, o projeto de lei-quadro sobre IA, já aprovado em primeira leitura na Duma, deverá entrar em vigor gradualmente a partir de setembro, com impacto potencial em quase 28 mil empresas de software. Na Suécia, o debate político sobre IA foi praticamente omisso nos discursos dos líderes partidários durante a semana de Almedalen, apesar de o Governo ter publicado em fevereiro uma estratégia que visa colocar o país entre os dez primeiros do mundo na área. O painel da ONU continuará a elaborar recomendações globais, mas o seu relatório final só é esperado dentro de vários meses, prolongando o vazio normativo num campo que, segundo o secretário-geral António Guterres, “incide em todos os âmbitos”.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The atlantica press emphasizes that work holds intrinsic value and that AI should not be feared but managed. It advises individuals to adapt by developing skills AI cannot replicate, framing the change as manageable rather than threatening.
The Latin American press frames AI as a double-edged sword, drawing on historical metaphors like Frankenstein. It warns against extreme reactions and calls for a thoughtful integration of AI into society, emphasizing that the real challenge lies in how we use technology.
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