
Israel mantém presença militar indefinida no Líbano, Síria e Gaza, anuncia ministro da Defesa
Yisrael Katz afirma que forças permanecerão em 'zonas de segurança' sem prazo de retirada, enquanto acordo com Beirute prevê desarmamento do Hezbollah.
O ministro da Defesa de Israel, Yisrael Katz, declarou na quarta-feira que as Forças de Defesa de Israel (IDF) permanecerão “indefinidamente” nas autodesignadas “zonas de segurança” estabelecidas no sul do Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza. A decisão, comunicada durante uma cerimónia em memória dos soldados mortos na guerra de 2006, foi reiterada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que visitou tropas no sul libanês e condicionou qualquer retirada ao desarmamento total do Hezbollah. Segundo fontes israelitas, a medida visa proteger as comunidades do norte de Israel de ataques do grupo xiita, que Telavive classifica como organização terrorista apoiada pelo Irão.
A posição israelita contrasta com o acordo-quadro assinado a 27 de junho sob mediação dos Estados Unidos, que prevê a criação de “zonas-piloto” no sul do Líbano onde o exército libanês assumiria o controlo, abrindo caminho para uma retirada gradual das forças israelitas. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, defendeu o entendimento, afirmando que a sua implementação deverá conduzir à saída das tropas israelitas e ao regresso dos deslocados. Contudo, Netanyahu sublinhou que Israel não abandonará as posições enquanto o Hezbollah mantiver capacidade militar, e Katz advertiu que qualquer ataque iraniano contra as forças israelitas no Líbano será respondido com “força total”.
Na perspetiva de Teerão, veiculada pela imprensa estatal iraniana, a presença militar israelita constitui uma continuação da ocupação e uma violação da soberania dos países da região. O Irão, que negoceia com Washington um memorando de entendimento sobre o seu programa nuclear, tentou incluir a retirada israelita do Líbano nas conversações, mas Netanyahu rejeitou qualquer imposição externa. Analistas em Jerusalém notam que o acordo tripartido EUA-Israel-Líbano, alcançado após meses de contactos discretos, reconhece o direito de Israel a manter uma zona-tampão até que a ameaça do Hezbollah seja eliminada, mas a sua aplicação enfrenta a resistência do grupo armado, que continuou a lançar ataques após o cessar-fogo de 17 de junho.
O conflito, que eclodiu em março com disparos de rockets do Hezbollah em retaliação pela morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, já provocou mais de 4.200 mortos no Líbano, segundo o ministério da Saúde libanês, e 38 soldados israelitas mortos, de acordo com as IDF. Em Gaza, as forças israelitas ocupam cerca de 70% do território, enquanto na Síria alargaram a presença para além da zona desmilitarizada dos Montes Golã. Observadores em Lisboa e Brasília acompanham os desenvolvimentos com preocupação, sublinhando o risco de escalada regional. O dossiê permanece em aberto, com a implementação do acordo-quadro dependente da capacidade de Beirute para desarmar o Hezbollah e da vontade de Israel em retirar, num contexto em que as negociações indiretas prosseguem sem um calendário definido.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O novo acordo tripartite entre EUA, Israel e Líbano reformula a luta contra o Hezbollah, esclarecendo os compromissos para desarmar a milícia. A presença militar israelense no sul do Líbano é justificada como necessária enquanto o Hezbollah permanecer uma ameaça, e o acordo é apresentado como um sucesso estratégico.
O regime sionista, por meio de suas declarações, confirma a intenção de ocupar permanentemente territórios no Líbano, Síria e Gaza, ameaçando mais uma vez o Irã. Teerã denuncia esses movimentos como mais uma prova do expansionismo israelense e do fracasso das tentativas de impor uma retirada por meio de negociações.
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