
Mercados automóveis divergem no semestre: América Latina acelera, EUA e Rússia enfrentam ventos contrários
Enquanto Colômbia e Brasil registam crescimentos robustos impulsionados por incentivos e concorrência chinesa, os Estados Unidos mostram resiliência seletiva e a Rússia vê a líder Lada recuar no acumulado do ano.
O primeiro semestre de 2026 revela trajetórias distintas nos principais mercados automóveis, com a América Latina a destacar-se em expansão acelerada e os Estados Unidos e a Rússia a enfrentarem condições mais adversas. Na Colômbia, as matrículas de veículos novos dispararam 50,1% face ao mesmo período de 2025, totalizando 157.620 unidades, segundo dados da Andi e da Fenalco. O Brasil acompanhou a tendência, com 1,42 milhões de unidades comercializadas e um crescimento de 18,4%, superando as projeções iniciais das associações do setor. Em contraste, as vendas trimestrais nos EUA recuaram cerca de 1% em termos homólogos, para 4,1 milhões de veículos, penalizadas pelos preços elevados da gasolina — acima dos 4 dólares por galão durante grande parte do período, reflexo do conflito entre os EUA e o Irão — e pelas taxas de juro altas.
A dinâmica de cada região assenta em motores distintos. No mercado norte-americano, a procura revelou uma clivagem: consumidores de rendimentos mais elevados sustentaram as vendas de camionetas e SUV, enquanto os segmentos de menor poder de compra migraram para o mercado de usados. A General Motors viu as entregas caírem 4,2%, mas superou as estimativas graças a modelos como o GMC Sierra; a Honda avançou 8,4% e a Toyota 1,1%, ambas beneficiando da aposta em híbridos. Já na América do Sul, o crescimento foi puxado pela oferta diversificada e pela pressão competitiva das marcas chinesas. No Brasil, a BYD aproximou-se, em apenas seis meses, do volume total de vendas de 2025, e as fabricantes chinesas conquistaram uma fatia recorde de 19,7% dos emplacamentos em junho, estimulando descontos e planos de financiamento subsidiados. Programas governamentais como o Carro Sustentável, com isenção de IPI para modelos compactos de baixas emissões, e o recém-lançado Move Brasil, que oferece crédito bonificado a motoristas de aplicativos, amplificaram o impulso.
Na Rússia, o cenário é de recuperação mensal, mas de contração no semestre. A AvtoVAZ vendeu 30,6 mil automóveis Lada em junho, mais 14,3% do que um ano antes, mas o acumulado de 154,1 mil unidades representa uma quebra de 2,4% face ao primeiro semestre de 2025. A quota de mercado da marca ronda os 24,4%, sustentada por modelos como o Granta e o Niva Travel, enquanto a empresa prepara o lançamento do crossover Azimut em setembro. Observadores em Moscovo notam que a inflação pressiona os custos de produção, mas os preços de retalho se mantiveram praticamente estáveis, com indexação de apenas 1% na viragem do ano.
O segundo semestre trará testes relevantes. No Brasil, o aumento do imposto de importação sobre híbridos e elétricos para 35%, em vigor desde 1 de julho, poderá travar a escalada das marcas chinesas e reconfigurar a oferta. Nos EUA, a recente assinatura de um memorando de entendimento para pôr fim à guerra com o Irão já aliviou os preços dos combustíveis, mas analistas norte-americanos mantêm cautela quanto ao impacto duradouro na procura. A trajetória das taxas de juro e a evolução dos incentivos à eletrificação permanecem como marcos a monitorizar em todos os mercados.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As vendas da Lada dispararam em junho com crescimento de dois dígitos em relação ao ano anterior, garantindo uma participação de mercado de quase um quarto. Apesar de uma ligeira queda no semestre, a marca nacional mostra resiliência e retoma a liderança no mercado interno.
O mercado automotivo colombiano teve um salto de 50% nos emplacamentos no primeiro semestre, puxado por marcas como Kia, Renault e Toyota. Enquanto isso, as montadoras chinesas de veículos elétricos compensam a fraqueza doméstica com uma forte demanda externa.
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