
Primeiro-ministro da Moldávia demite-se e governo cai em plena crise de governação
Alexandru Munteanu abandona o cargo oito meses após tomar posse, sem explicar detalhadamente os motivos, num contexto de escândalo sobre salários e nomeações em empresas estatais.
O primeiro-ministro da Moldávia, Alexandru Munteanu, anunciou na sexta-feira, 3 de julho, a sua demissão, provocando a queda automática de todo o executivo, conforme estipula a constituição do país. Numa declaração publicada nas redes sociais, Munteanu afirmou ter deixado o cargo no momento em que percebeu que já não podia exercer o mandato “de acordo com os meus princípios e convicções”, sem especificar as razões concretas. A decisão ocorre semanas depois de investigações jornalísticas terem revelado salários considerados excessivos e irregularidades na contratação de dirigentes na MoldATSA, a empresa estatal de navegação aérea, incluindo a nomeação de uma prima da presidente Maia Sandu sem concurso público.
A presidência moldava reagiu rejeitando qualquer interferência no trabalho do governo. Sandu declarou que Munteanu teve “total liberdade” para governar e classificou como falsas as especulações de que o primeiro-ministro teria sido impedido de combater abusos. A chefe de Estado anunciou que iniciará consultas com as bancadas parlamentares na próxima semana para indicar um novo candidato ao cargo, enquanto o gabinete demissionário permanece em funções de gestão corrente. O Partido de Ação e Solidariedade (PAS), de orientação pró-europeia, detém a maioria absoluta no parlamento, o que, na perspetiva de observadores em Bruxelas, deverá permitir uma transição governativa rápida, ainda que a credibilidade do executivo saia afetada.
A oposição e setores políticos em Moscovo interpretaram a demissão como sintoma de uma crise mais profunda. O ex-presidente Igor Dodon, líder dos socialistas pró-russos, já tinha exigido a saída do governo e da presidente, acusando o executivo de corrupção e de impor um “controlo quase ditatorial”. A senadora russa Elena Perminova qualificou o episódio como “a falência definitiva do regime de Maia Sandu” e defendeu a realização de eleições antecipadas. Em contraste, nas capitais europeias, a continuidade do processo de adesão à União Europeia é vista como a prioridade imediata, e a própria Sandu reiterou que “o caminho da Moldávia permanece inalterado: reformas e adesão à UE”.
Munteanu, um economista de 62 anos com passagem pelo Banco Mundial, assumira o cargo em novembro de 2025, depois de o PAS vencer as eleições legislativas de setembro com a promessa de acelerar a integração europeia. A Moldávia, país candidato à UE situado entre a Ucrânia e a Roménia, tem oscilado historicamente entre governos pró-europeus e pró-russos, e a atual crise coincide com um debate público sobre uma eventual unificação com a Roménia, que Sandu admitiu poder acelerar a entrada no bloco comunitário. O parlamento moldavo já criou uma comissão de inquérito para investigar a gestão das empresas estatais, enquanto o país aguarda a nomeação do novo primeiro-ministro e a formação de um governo que restaure a confiança nas instituições.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O primeiro-ministro moldavo renunciou inesperadamente, afirmando que já não podia exercer o seu mandato de acordo com os seus princípios. A presidente iniciará consultas com os grupos parlamentares para nomear um sucessor. A medida representa um desafio processual para o partido pró-europeu no poder.
O primeiro-ministro Munteanu demitiu-se abruptamente, desencadeando uma crise governamental num dos países mais pobres da Europa. A demissão surge na sequência da indignação pública com os salários excessivos na agência estatal de segurança aérea. O vazio político levanta questões sobre a estabilidade da trajetória de candidatura à UE da Moldávia.
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