
BYD se prepara para retomar liderança global em elétricos enquanto crise industrial abala a Europa
Fabricante chinesa deve superar Tesla no segundo trimestre, ao mesmo tempo que a Volkswagen planeja cortes históricos e a América Latina exibe dinâmicas contrastantes entre carros e motos.
A fabricante chinesa BYD entregou 557.090 veículos totalmente elétricos no trimestre encerrado em junho, volume que, segundo estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg, deve superar os cerca de 396.500 da Tesla, recolocando a empresa na liderança mundial de BEV. As vendas totais da BYD, incluindo híbridos, cresceram 5,5% no mês, com 43% das unidades destinadas a mercados internacionais, sinalizando que a expansão global se tornou o motor central da companhia.
A pressão chinesa ecoa com força na Europa. O grupo Volkswagen avalia duplicar os cortes de pessoal para 100 mil postos de trabalho e fechar quatro fábricas na Alemanha, segundo informações que circulam antes da reunião do conselho de supervisão em 9 de julho. Em Frankfurt, o assessor especial da BYD para a Europa, Alfredo Altavilla, afirmou que a empresa está “muito perto” de decidir a aquisição de uma segunda fábrica no continente — possivelmente na Espanha ou na França — para acelerar a produção local e contornar tarifas. A fabricante chinesa já vendeu mais de 100 mil veículos na região nos primeiros cinco meses do ano, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025.
Na América Latina, os mercados exibem trajetórias divergentes. Na Colômbia, as matrículas de veículos novos cresceram 50,1% no primeiro semestre, impulsionadas por elétricos e híbridos, que já respondem por 43,8% do total; o Tesla Model Y foi o modelo mais vendido. Já na Argentina, os patentamentos de automóveis caíram 12,8% em junho na comparação anual, acumulando retração de 9,9% no semestre, enquanto as motocicletas dispararam 42,3% no mês e 43,8% no acumulado, refletindo a preferência por veículos de menor custo e o crescimento do trabalho por aplicativos. Sete em cada dez carros novos vendidos no país são importados.
A Itália registrou em junho o sétimo mês consecutivo de alta, com 146.423 emplacamentos e crescimento de 10,6%, mas analistas em Roma alertam que o resultado foi inflado por frotas de aluguel de curta duração e pelos últimos efeitos dos incentivos. As elétricas atingiram quota recorde de 10,1%, porém a maior parte dos subsídios beneficiou modelos de marcas chinesas como Leapmotor e BYD, que já figura entre as dez mais vendidas e domina o segmento de híbridos plug-in com 32,6% de participação. A Stellantis, dona da Fiat, cresceu 23% no mês, mas a fatia de mercado do grupo permanece abaixo de 30%.
O próximo marco será a decisão da BYD sobre a nova fábrica europeia, que pode reconfigurar a geografia industrial do setor, enquanto o conselho da Volkswagen se reúne para deliberar o plano de reestruturação mais profundo da sua história. Na América Latina, os olhos se voltam para a sustentação da demanda por elétricos na Colômbia e para a capacidade da Argentina de absorver o elevado estoque de 130 mil veículos parados nas concessionárias.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os mercados automotivos latino-americanos exibem crescimento robusto, com híbridos e elétricos conquistando fatias significativas. A iminência de a BYD ultrapassar a Tesla nas vendas globais de elétricos puros é tratada como um fato concorrencial, sem alarmismo. A cobertura permanece focada nos números de emplacamento, nos modelos mais vendidos e no boom das motocicletas.
Uma segunda onda chinesa atinge a indústria europeia: a BYD ameaça a Tesla e planeja produção local, enquanto a Volkswagen cogita cortes históricos de empregos. O crescimento do mercado italiano é artificialmente inflado por incentivos que beneficiam sobretudo os fabricantes chineses. A transição elétrica avança, mas o custo recai sobre os trabalhadores e as marcas tradicionais.
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