
Indústria global perde fôlego em junho com fim do impulso de estocagem e alívio parcial nos custos
Os índices de gerentes de compras recuaram nas economias avançadas em junho, com o esgotamento da estocagem preventiva, enquanto o alívio nos custos energéticos e o cessar-fogo no Oriente Médio trouxeram algum respiro.
A expansão da indústria manufatureira global prosseguiu em junho, mas perdeu ímpeto à medida que o impulso da estocagem preventiva se esgotou e os novos pedidos desaceleraram. Os índices de gerentes de compras (PMI) recuaram nos Estados Unidos, na zona do euro e no Reino Unido, enquanto economias emergentes como Brasil e Colômbia registraram melhoras. O conflito no Oriente Médio continuou a perturbar as cadeias de abastecimento, mas a assinatura de um memorando de cessar-fogo entre Washington e Teerã, em 17 de junho, e a queda dos preços do petróleo trouxeram algum alívio às pressões de custos.
O arrefecimento reflete o fim do ciclo de formação de estoques que impulsionara a produção nos meses anteriores. Nos EUA, o ISM caiu de 54,0 para 53,3, e o PMI da S&P Global recuou para 53,9, com o emprego industrial a registar o corte mais acentuado desde 2020. Na zona do euro, o indicador composto cedeu para 51,4, o menor nível em quatro meses, embora a produção tenha acelerado para máximos de dois meses. A Alemanha manteve-se praticamente estagnada (50,3), enquanto a França regressou timidamente à expansão (51,2), mas com quedas na produção e nas encomendas. O Reino Unido viu a produção fabril saltar para o ritmo mais forte desde setembro de 2024, mas o PMI caiu para 52,5, com a entrada de novos trabalhos a perder força.
Na Ásia, Taiwan destacou-se com um PMI de 60,7, sustentado pela procura global por cadeias de inteligência artificial, embora analistas alertem para o risco de 'inflação de IA' nos preços de componentes. Na América Latina, o Brasil voltou ao campo expansionista (50,8), mas a produção e as novas encomendas permaneceram em contração, com a criação de empregos e a acumulação de estoques a sustentar o índice. A Colômbia acelerou para 53,7, impulsionada pela redução da incerteza política após as eleições presidenciais e pelo aumento dos pedidos. Em todos os blocos, as disrupções logísticas persistiram, alongando os prazos de entrega, embora com sinais de melhoria na Alemanha e na Colômbia. As pressões inflacionistas cederam face aos picos recentes, mas continuam elevadas, sobretudo nos EUA e na Europa, onde os bancos centrais já subiram os juros.
O impacto total do memorando de cessar-fogo ainda não está capturado nos dados, uma vez que a maioria das respostas às sondagens foi recolhida antes do anúncio. A reabertura do Estreito de Ormuz e a normalização dos mercados energéticos poderão aliviar ainda mais os custos, mas os relatos contraditórios sobre a implementação do acordo mantêm a incerteza elevada. Os próximos marcos a observar são as decisões de política monetária da Reserva Federal e do Banco Central Europeu, que avaliarão se a tendência de desinflação é suficiente para interromper o ciclo de aperto.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Em junho, a indústria manufatureira global teve um desempenho misto. A produção cresceu em várias regiões, mas a demanda perdeu força e os PMIs indicaram um ritmo de expansão mais lento. Os números traçam um quadro complexo, com algum alívio nas cadeias de suprimentos e uma fraqueza persistente das exportações.
A produção industrial saltou para uma máxima de 21 meses, com as empresas a acumular stocks antes de aumentos de preços e disrupções no fornecimento esperados devido à guerra no Irão. Contudo, as novas encomendas enfraqueceram, travando o crescimento global da indústria. A sombra do conflito paira sobre as cadeias de abastecimento, gerando uma corrida urgente aos inventários.
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