
Ronaldo marca, e gesto labial antes do pênalti gera debate sobre 'Bismillah'
Imagens do capitão português antes da cobrança decisiva contra a Croácia viralizaram, mas não há confirmação do que foi dito; especulação reacende discussão sobre sua relação com a cultura árabe.
Portugal garantiu a classificação para os oitavos de final do Mundial de 2026 com uma vitória de virada por 2-1 sobre a Croácia, em Toronto, num jogo em que Cristiano Ronaldo voltou a concentrar as atenções muito para além do relvado. O momento decisivo surgiu aos 66 minutos, quando o árbitro norueguês Espen Eskas assinalou grande penalidade a favor da seleção lusa, após falta de Nikola Vlasic sobre Renato Veiga. Ronaldo, capitão e cobrador habitual, converteu com um remate rasteiro que igualou o marcador — o primeiro golo de sempre do avançado em jogos a eliminar num Campeonato do Mundo. Contudo, o que verdadeiramente incendiou as redes sociais foi o plano fechado das câmaras de televisão nos segundos que antecederam a corrida para a bola: o movimento dos lábios do jogador, captado sem áudio isolado, levou milhões de utilizadores a especular que terá pronunciado a palavra árabe “Bismillah” (“em nome de Deus”).
A ausência de qualquer confirmação oficial — nem Ronaldo, nem a Federação Portuguesa de Futebol se pronunciaram — não travou a viralidade do momento. No Brasil, a repercussão dividiu-se entre a torcida esperançosa e o humor característico das redes, com comentários que iam de “que receba a hidayah” a sugestões jocosas como “Beras Basmati”. Em Portugal, a imprensa desportiva sublinhou a ambiguidade do gesto, recordando que o jogador, natural da Madeira e de formação católica, utiliza frequentemente expressões como “Vamos lá” antes de lances de bola parada. Já em países de maioria muçulmana, como a Malásia e a Indonésia, a leitura foi mais simbólica: muitos adeptos interpretaram o alegado “Bismillah” como um sinal de proximidade cultural, enquanto uma franja crítica questionava a transformação de um lance não verificado em notícia.
O episódio não é inédito. Em abril de 2026, durante um jogo do Al Nassr frente ao Al Najma, um vídeo semelhante já tinha gerado especulação idêntica. A permanência de Ronaldo na Arábia Saudita desde dezembro de 2022 tornou familiar o seu contacto com expressões árabes do quotidiano: em treinos, foi ouvido a dizer “Yallah, Yallah”, e em várias ocasiões utilizou “Insha’Allah” ou o cumprimento “Assalamualaikum”. Antigos companheiros de equipa, como o guarda-redes Waleed Abdullah, chegaram a afirmar em entrevistas que o português manifestara interesse pelo Islão, mas essas declarações nunca foram corroboradas pelo próprio. Observadores em Lisboa notam que o uso de “Bismillah” não é exclusivo de muçulmanos — cristãos arabófonos também o empregam —, o que retira à palavra qualquer valor probatório sobre uma eventual conversão religiosa.
A partida teve ainda uma carga emocional acrescida. Ronaldo dedicou a vitória ao antigo colega de seleção Diogo Jota, falecido num acidente de viação exatamente um ano antes, a 3 de julho de 2025. “Vencemos por nós, pelo Diogo e por Portugal”, escreveu nas redes sociais, num tributo que humanizou a celebração e deslocou momentaneamente o foco da polémica labial. O golo de Gonçalo Ramos, que selou o 2-1 final, confirmou a reviravolta e manteve viva a campanha lusa no torneio.
Com o apuramento, Portugal enfrentará a Espanha nos oitavos de final, num duelo ibérico que reeditará confrontos marcantes de Europeus e Mundiais. A equipa das quinas chega embalada pela capacidade de reação, mas também sob o olhar de um ecossistema mediático que, cada vez mais, transforma gestos mínimos em narrativas globais — mesmo quando o protagonista, dentro de campo, continua a responder com golos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um vídeo do movimento labial de Cristiano Ronaldo antes da penalidade contra a Croácia desencadeou uma onda de especulação no Sudeste Asiático. Muitos adeptos estão convencidos de que ele sussurrou 'Bismillah', enquanto outros o descartam como um simples 'deseja-me sorte' ou um gesto supersticioso. O debate mistura esperança religiosa sincera, ceticismo mediático e humor online.
A mídia europeia trata o clipe viral com curiosidade distanciada, notando que não há áudio nem confirmação oficial. A pergunta 'Ronaldo rezou em árabe ou apenas murmurou uma superstição?' é colocada como um divertido quebra-cabeça das redes sociais, não como uma questão de fé. A história é enquadrada como uma tempestade digital passageira, não como uma virada religiosa ou cultural.
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