
ONU lança 'alerta vermelho' para El-Obeid e Emirados pedem cessar-fogo imediato no Sudão
Sessão urgente do Conselho de Direitos Humanos debate cerco a cidade estratégica; Abu Dhabi defende embargo de armas, enquanto Teerão acusa potências regionais de alimentar conflito.
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, lançou esta sexta-feira um 'alerta vermelho' perante o que descreveu como uma nova catástrofe de direitos humanos em curso na cidade sudanesa de El-Obeid, capital do estado do Cordofão do Norte. Numa sessão urgente do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, convocada pelo Reino Unido com o apoio da Alemanha, Irlanda, Países Baixos e Noruega, Türk detalhou que a população civil vive há 18 meses sob condições de cerco impostas pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), com escassez crítica de água potável e ataques repetidos de drones. O gabinete da ONU documentou 15 ataques com drones entre 6 e 28 de junho, que mataram pelo menos 45 civis e feriram 41, admitindo que o número real de vítimas será provavelmente superior.
Na mesma sessão, os Emirados Árabes Unidos, membros do Quarteto para o Sudão, apelaram a um cessar-fogo imediato e incondicional e a uma trégua humanitária urgente, sublinhando que 'não há solução militar para o conflito'. A declaração de Abu Dhabi condenou 'todas as violações do direito internacional cometidas por ambas as partes beligerantes' e defendeu a expansão do embargo de armas da ONU a todo o território sudanês como 'medida necessária para travar as hostilidades e garantir a proteção dos civis'. Os Emirados saudaram ainda os resultados da Conferência de Berlim e os esforços do Quinteto para promover uma via política liderada por civis, independente dos grupos armados e extremistas.
Contudo, a posição dos Emirados é contestada por atores regionais. A imprensa iraniana acusa diretamente Abu Dhabi de fornecer armamento, financiamento e apoio logístico às RSF, atribuindo-lhes um 'papel principal' na perpetração de crimes contra civis sudaneses. Em Paris, o analista Jan Pospisil, da plataforma Peace and Conflict Resolution Evidence, afirmou que, embora a guerra civil sudanesa não seja uma guerra por procuração no sentido literal, 'sem apoio internacional, a guerra não continuaria assim'. Pospisil observou que nenhum dos atores externos — 'sejam os Emirados, que fornecem armas às RSF, os Estados Unidos ou a Arábia Saudita' — dispõe de influência suficiente para conduzir as partes a um cessar-fogo, quanto mais a um acordo político.
O cerco a El-Obeid, cidade com cerca de meio milhão de habitantes e que acolhe perto de 100 mil deslocados internos, faz temer uma repetição da tomada de El-Facher, no Darfur, onde as RSF foram acusadas de múltiplas atrocidades. O Conselho de Direitos Humanos deverá votar na segunda-feira um projeto de resolução que condena a escalada de violência das RSF e apela a uma trégua humanitária que conduza a um cessar-fogo imediato. A votação ocorre num contexto de crescente pressão internacional para que se ataque a 'economia de guerra' que, segundo Türk, beneficia atores nacionais e estrangeiros à custa do sofrimento da população sudanesa.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The UN Human Rights Council discusses the siege of El Obeid, but the real culprit is the West arming the rebels. Iran denounces the international silence and calls for an immediate embargo to stop the humanitarian catastrophe orchestrated by the US and its allies. The resistance of the Sudanese people is praised as heroic.
The UN debate on the siege of El Obeid focuses on violations of international law. Europe supports a resolution for an arms embargo but calls on all parties to dialogue. A cautious approach prevails, with calls for independent investigations and humanitarian access.
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