
Trump encontra Zelensky e líder sírio à margem da cimeira da NATO em Ancara
Presidente dos EUA procura relançar negociações de paz na Ucrânia e pressiona aliados por maior gasto militar, num contexto de tensões transatlânticas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega esta terça-feira a Ancara para participar na cimeira da NATO, onde manterá encontros bilaterais com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e com o líder sírio, Ahmed al-Sharaa, anunciou a Casa Branca. Um alto funcionário norte-americano, sob anonimato, afirmou que Trump discutirá com Zelensky “formas de pôr fim à guerra”, sublinhando que “o campo de batalha congelou nos últimos meses” e que o presidente sente “uma verdadeira urgência” em travar o conflito. Trump tenciona também pressionar os aliados da Aliança a elevarem a despesa com defesa para 5% do PIB, meta acordada no ano passado.
A cimeira decorre num momento de fricção transatlântica acentuada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, iniciada em fevereiro, que desencadeou uma crise energética global com o fecho do Estreito de Ormuz. De acordo com fontes da administração Trump, o presidente tem criticado vários membros da NATO por não terem permitido o uso de bases militares para ataques preventivos e por não ajudarem a reabrir a via marítima. Diplomatas europeus, por seu lado, manifestam incerteza face às intenções de Washington, citando os anúncios de retirada de cinco mil soldados do continente e a insistência de Trump em adquirir a Gronelândia, território da Dinamarca, aliado da NATO. O secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, tentou aliviar tensões durante uma visita a Washington, elogiando a pressão de Trump pelo aumento dos gastos militares, mas o presidente manteve as críticas.
Em Kiev, o encontro é visto como uma oportunidade para recentrar a atenção de Trump no conflito com Moscovo, depois de meses em que a mediação norte-americana esteve paralisada devido ao envolvimento no Irão. Zelensky e Trump conversaram por telefone no sábado, tendo o líder ucraniano afirmado existir uma “perspetiva real de pôr fim a esta guerra”. A administração Trump indicou que, após a reunião com Zelensky, o presidente contactará Vladimir Putin. O Kremlin, por sua vez, confirmou que Trump ofereceu ajuda para encontrar uma solução, mas Moscovo insiste que qualquer acordo deve incluir o controlo total da região do Donbas, condição rejeitada por Kiev. Putin recusou um encontro bilateral direto com Zelensky, proposto pelo ucraniano no mês passado.
O encontro com al-Sharaa, cujo conteúdo não foi detalhado, ocorre depois de Trump ter sugerido publicamente que a Síria combata o Hezbollah no Líbano, afirmação que o líder sírio considerou mal interpretada. A cimeira da NATO, que decorre até 8 de julho, terá como temas principais as ameaças à região euro-atlântica, a Ucrânia e o flanco sul da Aliança. Espera-se o anúncio de contratos de defesa no valor de milhares de milhões de dólares, enquanto os aliados aguardam os próximos passos de Trump na aproximação a Moscovo e na pressão por maior investimento militar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa russa apresenta o encontro como um passo para a resolução do conflito, enfatizando a intenção de Trump de falar com Putin depois. A urgência de acabar com a guerra é destacada, e a possibilidade de progresso diplomático é notada.
A imprensa atlântica destaca as tensões em torno da cúpula, com alguns meios de comunicação expressando preocupação com as posições de Trump sobre a Groenlândia, gastos com defesa e a guerra no Irã. A reunião é vista como um momento crítico para a Ucrânia e os aliados da OTAN.
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