
Irão anuncia implementação de entendimento com EUA que protege aliados regionais
Presidente do Parlamento iraniano afirma que memorando de Islamabad incluiu o fim da guerra contra o Hezbollah e o Hamas, mas reconhece que a execução é difícil.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou no domingo que um memorando de entendimento alcançado com os Estados Unidos — conhecido como “entendimento de Islamabad” — está em fase de implementação e inclui, por insistência de Teerão, cláusulas que preveem o fim das hostilidades contra os aliados do Irão no chamado Eixo da Resistência. As declarações foram proferidas em encontros com delegações do Hezbollah, do Hamas e de outras fações palestinianas e iemenitas que se deslocaram a Teerão para o funeral do líder supremo Ali Khamenei. Segundo a agência estatal Irna e outros meios oficiais iranianos, Ghalibaf afirmou que a integridade territorial do Líbano e a soberania do país foram “linhas vermelhas” mantidas nas negociações, e que os artigos 1.º, 3.º, 4.º, 5.º, 10.º e 11.º do memorando foram convertidos em obrigações vinculativas.
Na perspetiva de Teerão, o documento representa um reconhecimento prático, por parte de Washington e de Israel, dos grupos armados aliados da República Islâmica. Ghalibaf sublinhou que a diplomacia iraniana atuou “com espírito combativo” e que a condição para uma negociação forte é a “prontidão para a guerra e para o martírio”. O dirigente do Hezbollah, Mohammed Fneish, ecoou esta leitura ao afirmar que a guerra no Líbano “parou graças à intervenção do Irão e à obrigação imposta aos EUA e a Israel de cumprirem os termos do memorando”. Já o presidente do conselho de liderança do Hamas, Mohammed Darwish, classificou cada cláusula do entendimento como “uma vitória do Irão e uma derrota dos EUA”. Em paralelo, o vice-presidente iemenita, Mohammed al-Nuaimi, garantiu que o Ansarullah está preparado para cooperar diplomaticamente, mas também para “ações defensivas” se as negociações falharem.
O conteúdo integral do memorando não foi divulgado publicamente, e as referências conhecidas provêm exclusivamente de fontes oficiais iranianas e dos seus interlocutores. Analistas regionais, citados pela imprensa árabe, observam que a insistência de Teerão em incluir garantias para o Líbano e para Gaza num acordo com os EUA visa consolidar a imagem do Irão como fiador da segurança dos seus parceiros, num momento de transição de liderança após a morte de Khamenei. A mesma leitura é partilhada por observadores em Beirute, que notam que o Hezbollah procura capitalizar o cessar-fogo como prova da eficácia do apoio iraniano, enquanto o Hamas tenta reforçar a narrativa de que a resistência armada obrigou Israel a concessões.
A cerimónia fúnebre de Khamenei decorreu sob forte dispositivo de propaganda, com a presença de centenas de influenciadores digitais estrangeiros convidados pelo regime, segundo o Iran International, numa tentativa de contrariar o isolamento diplomático evidenciado pela ausência de altos representantes das principais potências. O próprio Ghalibaf reconheceu que a implementação do entendimento “é difícil, mas possível”, sem detalhar calendários ou mecanismos de verificação. O dossiê permanece opaco, e os próximos passos dependerão da capacidade de Teerão e dos seus aliados de manterem a coesão política enquanto prosseguem as conversações indiretas com Washington.
| Imprensa iraniana e afins | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.60 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
Iran has imposed on America the end of the war against its allies. The leader's sacrifice has strengthened national determination.
The deceased leader is presented as the guarantor of victory, and the agreement as his legacy, personalizing the state in the figure of the leader.
The agreement is a charade to mask the regime's weakness after Khamenei's death. Israel is not fooled.
The agreement's significance is minimized by reducing it to propaganda, and Iranian rhetoric is equated to a regional threat.
Iran seeks to consolidate internal power with an agreement that fuels anti-American rhetoric. The region watches cautiously.
The agreement is framed as part of a broader regional strategy, with Iran using rhetoric to distract from internal weaknesses.
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