
Alemanha compra mísseis Tomahawk dos EUA para colmatar lacuna estratégica na defesa
Acordo firmado à margem da cimeira da NATO em Ancara prevê a aquisição e estacionamento dos mísseis de cruzeiro em solo alemão, enquanto Berlim promove o desenvolvimento de sistemas europeus próprios.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, anunciou no Bundestag a assinatura de um acordo com os Estados Unidos para a compra de mísseis de cruzeiro Tomahawk, que serão estacionados em território alemão. A decisão, comunicada a 9 de julho, foi negociada nos bastidores da cimeira da NATO em Ancara e, segundo Merz, «fecha uma importante lacuna estratégica na nossa defesa». O número de mísseis e de rampas de lançamento Typhon a adquirir é classificado, mas fontes governamentais em Berlim indicam que Washington se comprometeu a emitir a licença de exportação necessária já em agosto. O acordo substitui o plano da administração Biden de 2024, que previa o destacamento de uma unidade norte-americana com Tomahawk em Wiesbaden a partir de 2026, entretanto cancelado pelo presidente Donald Trump.
Na perspetiva de Berlim, a aquisição responde a uma vulnerabilidade há muito assinalada por especialistas: a Rússia estacionou mísseis Iskander, com capacidade nuclear, no enclave de Kaliningrado, a cerca de 500 quilómetros de Berlim. Os Tomahawk, com um alcance de até 2.550 quilómetros, permitiriam atingir alvos no interior do território russo, reforçando a dissuasão. Merz sublinhou que, paralelamente, a Europa trabalhará no desenvolvimento de sistemas próprios de longo alcance, tendo os ministros da Defesa da NATO acordado em Ancara um investimento de 50 mil milhões de euros, metade dos quais suportados pela Alemanha. «A NATO é e continuará a ser uma aliança transatlântica, mas nós, europeus, não podemos simplesmente delegar a nossa segurança a terceiros», afirmou o chanceler.
Do lado norte-americano, o acordo alinha-se com a exigência de Trump de que os aliados europeus assumam os custos da sua própria segurança, adquirindo material de defesa fabricado nos EUA. A administração anterior vira no estacionamento de Tomahawk uma solução provisória até que os europeus desenvolvessem capacidades próprias de «deep precision strike». A nova administração inverteu essa lógica, suspendendo o destacamento de pessoal e equipamento próprios e favorecendo uma venda direta que, segundo analistas em Washington, garante lucros à indústria de defesa norte-americana. A escassez destes mísseis e a relutância estratégica em partilhá-los tinham sido apontadas por Merz em maio como obstáculo, mas as conversas diretas com Trump destravaram o processo.
A cimeira de Ancara, que Merz classificou como tendo superado todas as suas expectativas, decorreu sob tensões provocadas por ataques de Trump à Espanha e pela reivindicação sobre a Gronelândia. Apesar disso, os membros europeus e o Canadá reconheceram a necessidade de aumentar o esforço de defesa, com a Alemanha a comprometer-se a atingir a meta de 5% do PIB antes do prazo previsto. O dossier Tomahawk conhecerá os próximos passos em agosto, com a emissão das licenças de exportação, enquanto o desenvolvimento do sistema europeu de mísseis de cruzeiro de longo alcance prossegue, sem data anunciada para a sua entrada em serviço.
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | +0.80 | aligned |
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.20 | neutral |
A Alemanha alinha-se com os EUA, mas a Rússia observa com cautela.
Citações seletivas de fontes ocidentais sugerem que o acordo foi controverso mesmo nos EUA, lançando dúvidas sobre sua sabedoria.
O tom celebratório do governo alemão e o apoio dos aliados da OTAN ao acordo são omitidos.
A Alemanha assume a liderança na defesa europeia, comprando mísseis que atingem o coração da Rússia.
Uma linguagem hiperbólica ('Anti-Putin-Raketen') enquadra o acordo como uma resposta necessária a uma ameaça, legitimando a corrida armamentista.
A hesitação americana anterior e a potencial reação russa são omitidas, concentrando-se apenas no benefício estratégico.
A Índia registra o acordo como um fato técnico-militar, sem se alinhar a nenhum lado.
Um tom distante e factual e contexto histórico (guerra do Irã) despolitizam a história, apresentando-a como uma transação de armas de rotina.
O contexto político da cúpula da OTAN e a controvérsia em torno do acordo, bem como os tons celebratórios ou críticos de outros blocos, são omitidos.
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