
Jovens recorrem à IA para terapia e namoro, acendendo alerta sobre riscos à saúde mental
Mais da metade dos jovens suecos já discute problemas íntimos com chatbots, enquanto o uso de IA em aplicativos de relacionamento dispara 300% nos EUA, levantando preocupações entre especialistas.
Uma pesquisa europeia com 3.800 participantes, incluindo mil suecos de 11 a 25 anos, revelou que 54% dos jovens na Suécia recorrem a inteligência artificial para discutir problemas pessoais e íntimos. Na Alemanha e na Irlanda, as proporções são ainda maiores, de 63% e 62%, respetivamente. Nos Estados Unidos, um levantamento do Kinsey Institute com 5 mil solteiros mostrou que 26% usam IA em interações amorosas, um salto de mais de 300% em relação ao ano anterior. Os números indicam uma migração acelerada da busca por apoio emocional e vínculos afetivos para plataformas de conversação generativa, que operam sem supervisão clínica.
A atratividade dessas ferramentas reside na disponibilidade permanente, no anonimato e na ausência de julgamento. No entanto, especialistas suecos e brasileiros alertam para o viés de concordância dos algoritmos. “A IA não foi feita para psicoterapia”, afirma Per Carlbring, professor de psicologia clínica da Universidade de Estocolmo, sublinhando que o sistema é programado para validar o utilizador, não para o confrontar com aspetos necessários ao crescimento pessoal. O psicanalista brasileiro Christian Dunker descreve essa dinâmica como uma “espécie de antiterapia”, que pode agravar a solidão e gerar diagnósticos equivocados. Em paralelo, a cirurgiã plástica Flávia Bonato, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, observa que imagens geradas por IA para simular resultados estéticos criam expectativas irrealistas, já que a tecnologia não considera limitações anatómicas nem processos de cicatrização.
O fenómeno atinge com particular intensidade os adolescentes. Na Argentina, psiquiatras como Juana Poulisis recomendam limites consensuados e técnicas como o método Pomodoro para mitigar a ansiedade associada à dependência digital. No Brasil, 98% das crianças e adolescentes de 10 a 15 anos estão conectados, e 72% usam redes sociais ativamente, muitas vezes partilhando dados pessoais sem controlo de privacidade. A diluição das fronteiras entre o público e o privado, apontada por Dunker, amplifica vulnerabilidades. A invasão da IA no espaço doméstico acelera-se: a Amazon lançou a Alexa+ com memória conversacional, a Samsung apresentou televisores com assistentes visuais e a OpenAI confirmou o desenvolvimento de um altifalante inteligente com câmara, previsto para breve.
Enquanto isso, aplicações clínicas supervisionadas começam a mostrar utilidade. Na Indonésia, a IA é usada como ferramenta de apoio na deteção precoce de riscos na gravidez, sempre com validação médica. O contraste entre o uso regulado e a adoção informal em saúde mental reforça a necessidade de diretrizes. O próximo marco a observar será o lançamento do dispositivo doméstico da OpenAI, que promete levar a conversação generativa a um novo patamar de presença física nos lares, e a eventual resposta de autoridades sanitárias e entidades profissionais, que já manifestam preocupação com a substituição de cuidados humanos por interações algorítmicas.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
A Europa continental reconhece o fenômeno, mas pede cautela: a IA não é um terapeuta.
Apresenta a opinião de um especialista (psicólogo) para contrabalançar os depoimentos positivos dos usuários, criando uma falsa equivalência entre suporte acessível e dano potencial.
Omite o contexto mais amplo de por que os jovens recorrem à IA—falta de acesso a terapia acessível, estigma e conveniência—que fortaleceria o argumento a favor da IA como solução temporária.
A América Latina denuncia os perigos da IA como confidente: uma ameaça à saúde mental e à autenticidade.
Acumula exemplos concretos de dano (engano, substituição de terapia, padrões de beleza) para construir uma narrativa de crise generalizada, fazendo o risco parecer generalizado e inevitável.
Omite quaisquer depoimentos positivos de usuários ou dados que mostrem que a IA pode fornecer suporte eficaz e de baixa barreira para aqueles sem acesso à terapia tradicional.
A Rússia minimiza a relevância da história, concentrando-se na falta de confiabilidade técnica e na manipulabilidade da IA.
Ignora a questão substancial da IA como confidente e a substitui por notícias técnicas (falha, manipulação), sugerindo que o verdadeiro problema é a funcionalidade da IA, não seu papel na vida pessoal.
Omite qualquer discussão sobre as dimensões emocionais ou psicológicas do uso da IA, bem como os dados europeus sobre o comportamento dos jovens.
Amplie o olhar
Crise diplomática entre Brasil e Argentina atinge nível inédito após insultos de Milei a Lula
8 idiomas · 33 veículos
De Economy & MarketsCXMT estreia na Bolsa de Xangai com valorização de 470% e torna-se a empresa mais valiosa da China
9 idiomas · 18 veículos
De TechnologyKimi K3 abala mercados e expõe fratura na governança global da inteligência artificial
4 idiomas · 10 veículos