
No terminal de Yerbateros, uma família de nove vê a viagem de Fiestas Patrias saltar de 273 para 1.400 soles
Com a aproximação das celebrações da independência peruana, os preços dos bilhetes de autocarro disparam, os bancos fecham e Machu Picchu adapta a venda de ingressos para conter as multidões.
Às vésperas do feriado mais aguardado do calendário peruano, o terminal de Yerbateros, em San Luis, fervilhava com dezenas de passageiros de olhos postos nos guichês. Um deles, que planejava viajar com a família alargada para Huancayo, viu o custo total da viagem de nove pessoas saltar de cerca de 273 soles para quase 1.400 soles. O trajeto, que habitualmente se faz por 30 a 50 soles por pessoa, era agora vendido a 200 soles, um aumento que as empresas atribuíam a um acidente de viação dias antes na Carretera Central, embora o trânsito já estivesse normalizado. A mesma pressão era sentida no terminal de Atocongo, onde os bilhetes para Arequipa, que costumam oscilar entre 100 e 120 soles, chegavam a ser oferecidos por 250 ou 280 soles, e os transportadores informais aproveitavam a urgência das famílias para cobrar tarifas igualmente inflacionadas.
O episódio não é um acaso, mas o retrato de um país que se move em massa durante as Fiestas Patrias. O feriado duplo de 28 e 29 de julho — que celebra a proclamação da independência de 1821 e homenageia as Forças Armadas e a Polícia Nacional — é o epicentro de um período cívico que, em 2026, se estendeu com a declaração do dia 27 como não laborável compensável para o setor público. A medida, pensada para impulsionar o turismo interno e dinamizar a economia, transforma a semana numa pausa alargada que, segundo a companhia aérea SKY, levaria mais de 72 mil passageiros aos céus peruanos só entre 23 e 29 de julho, com Cusco, Arequipa e Piura entre os destinos mais procurados. Nas estradas e nos terminais, porém, a euforia do descanso colide com a lei da oferta e da procura, e o direito ao lazer converte-se, para muitos, num esforço financeiro inesperado.
A dimensão cultural deste movimento é indissociável da própria identidade peruana. A pesquisa divulgada pela consultora GRM, realizada com estratos médios e altos de Lima Metropolitana, revelava que 62% dos limeños planeavam celebrar a data, e quase seis em cada dez optariam por um almoço familiar. O orgulho nacional, partilhado por 78% dos inquiridos, convivia com um otimismo cauteloso: 35% diziam sentir “otimismo” e 22% “entusiasmo”, mas 17% confessavam “prudência” e “incerteza”. A tomada de posse da presidente eleita Keiko Fujimori, a 28 de julho, acrescentava uma camada política a um feriado que, na perspetiva de analistas em Lima, é tradicionalmente um momento de reencontro com a família e a gastronomia, mais do que de consumo conspícuo.
Enquanto as famílias se organizavam, a cidade adaptava-se. Na avenida Brasil, em Jesús María, os preparativos para o desfile cívico-militar do dia 29 obrigavam a desvios e restrições que se prolongariam até à tarde do feriado. Os bancos fecharam as portas nos dias 28 e 29, e o Banco de la Nación já operava com atendimento restrito no dia 27, deixando as plataformas digitais como único recurso para transferências e pagamentos. Em Machu Picchu, a resposta ao aumento de visitantes foi uma medida excecional: a partir dali, os turistas que chegassem a Aguas Calientes poderiam comprar ingressos presenciais com até três dias de antecedência, em vez de apenas para o próprio dia, uma tentativa de aliviar as longas filas que se formavam no Centro Cultural de Machupicchu, onde mil bilhetes diários se esgotavam em horas.
Ao cair da noite de 27 de julho, com as malas já fechadas e os últimos viajantes a bordo, o país suspendia a rotina. Nas janelas dos autocarros que partiam de Yerbateros, as luzes amareladas do terminal refletiam-se nos vidros, enquanto as famílias se acomodavam para a viagem. Lá fora, a avenida Brasil aguardava, vazia e silenciosa, o estrado onde, dali a poucas horas, a nova presidente observaria o desfile militar. Era o prelúdio de um feriado que, entre o asfalto e a pedra inca, voltava a unir o país num mesmo gesto de pausa e celebração.
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| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
O Peru se prepara para as Fiestas Patrias entre aumentos de preços e esperanças: os consumidores enfrentam custos crescentes, mas o turismo interno está em alta.
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A Rússia planeja seus dias de feriado para 2027, com 118 dias de descanso previstos, ignorando as celebrações peruanas.
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A Indonésia anuncia as datas dos feriados nacionais de agosto de 2026, oferecendo um fim de semana prolongado para o Dia da Independência.
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