
China rejeita críticas a lei de unidade étnica e acusa Ocidente de difamação
Nova legislação, em vigor desde 1 de julho, prevê sanções a indivíduos fora do país e é condenada por EUA, UE, ONU e Taiwan.
A Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos da China entrou em vigor na quarta-feira, 1 de julho, e em poucos dias suscitou condenações de Washington, Bruxelas, Genebra e Taipé, ao mesmo tempo que Pequim rejeitou as críticas como “difamação maliciosa” e ingerência em assuntos internos. O diploma, aprovado em março pelo Congresso Nacional do Povo, estabelece a base legal para responsabilizar pessoas e grupos fora das fronteiras chinesas por atos que “minem a unidade e o progresso étnico ou incitem o separatismo étnico”, uma cláusula que, segundo críticos ocidentais, legitima a repressão transnacional.
Na perspetiva de Pequim, a lei visa reforçar o Estado de direito e proteger os direitos e interesses legítimos de todos os 56 grupos étnicos oficialmente reconhecidos, incluindo tibetanos e uigures. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou que o fortalecimento da coesão nacional é benéfico para o desenvolvimento socioeconómico e para a governação dos direitos humanos, e acusou “certos países” de fecharem os olhos a esses progressos, fabricarem informações e instrumentalizarem politicamente as questões étnicas. O governo chinês sustenta que a lei combate o terrorismo violento, o separatismo étnico e o extremismo religioso, e que as comunidades minoritárias, muitas delas situadas em regiões montanhosas ou historicamente menos desenvolvidas, beneficiarão de medidas de apoio à infraestrutura, à integração cultural e ao acesso a serviços públicos.
A reação em capitais ocidentais e em organismos internacionais foi de forte oposição. O Departamento de Estado norte-americano classificou a lei como “problemática”, por obrigar pessoas fora da China a promover a agenda de unidade étnica do Partido Comunista ou enfrentar retaliações. A União Europeia alertou para o risco de restrição adicional dos direitos culturais, linguísticos e religiosos das minorias. O alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, pediu a revogação do diploma, e a Amnistia Internacional denunciou uma “assimilação forçada” institucionalizada. Em Taipé, a bancada do Partido Democrático Progressista (DPP) tentou colocar na agenda legislativa uma moção de condenação à lei, argumentando que esta representa uma tentativa de Pequim de usar legislação doméstica para violar a soberania de outros Estados e ameaçar cidadãos taiwaneses no estrangeiro. A proposta, porém, foi rejeitada pelos votos do Partido Nacionalista Chinês (KMT) e do Partido Popular de Taiwan (TPP), que o DPP acusou de serem “colaboradores do Partido Comunista Chinês”.
A cláusula de extraterritorialidade é o ponto que mais inquieta analistas e comunidades da diáspora. Observadores em Lisboa notam que a formulação vaga da lei pode gerar autocensura entre cidadãos chineses residentes em Portugal e nos países africanos de língua oficial portuguesa, onde a presença económica e migratória chinesa é significativa, embora não haja ainda registo de casos concretos. A lei determina ainda o mandarim como língua oficial a ser ensinada desde a infância, obriga as escolas a incutirem um “forte sentimento de pertença ao povo chinês” e vincula os pais a orientarem os filhos para que “amem o Partido Comunista Chinês e o povo chinês”. Com o diploma já em vigor, a tensão diplomática mantém-se, sem que estejam previstas, para já, novas iniciativas multilaterais de resposta.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.30 | critical |
Europe condemns the Chinese law as a violation of human rights and fundamental freedoms, defending a rules-based international order.
It appeals to universal human rights norms to delegitimize the law, presenting China's position as an unacceptable exception.
It omits Beijing's internal security rationale and the support from other authoritarian powers.
India does not automatically side with the West: the Chinese law is an internal matter, but must be monitored for regional security implications.
It frames the issue within a hierarchy of strategic priorities, where border stability and competition with China matter more than human rights rhetoric.
It does not delve into specific violations denounced by the West or criticisms from human rights organizations.
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