
Merz rejeita críticas de Trump e promete acelerar gastos militares da Alemanha
Chanceler alemão afirma que país duplicará orçamento de defesa em quatro anos e atingirá meta da NATO de 3,5% do PIB até 2029, antes do prazo de 2035.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, rejeitou nesta sexta-feira as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou como “ridículos” os gastos militares da Alemanha na NATO. Em conferência de imprensa em Berlim, Merz afirmou que o país não tem “nenhum motivo para se envergonhar” e anunciou que a Alemanha duplicará o seu orçamento de defesa no espaço de quatro anos. “Este é o maior esforço que alguma vez fizemos para reforçar as nossas capacidades de defesa”, declarou, sublinhando que a maior economia europeia assumirá a meta de investir 3,5% do PIB em defesa até 2029, seis anos antes do prazo acordado na cimeira da NATO em Haia, no ano passado.
A resposta de Merz surge depois de Trump ter recorrido à rede Truth Social para denunciar o que considera uma repartição desigual dos encargos da aliança. O presidente norte-americano publicou uma tabela com os gastos militares dos aliados e escreveu que os valores da Alemanha entre 2014 e 2025 foram “MUITO INFERIORES” aos dos EUA e de outros membros da NATO, acrescentando: “É ridículo que os EUA continuem neste caminho unilateral quando a relação não é recíproca.” Na perspetiva de Washington, a pressão sobre os parceiros europeus visa corrigir um desequilíbrio que, segundo a administração Trump, sobrecarrega o contribuinte americano sem contrapartidas estratégicas claras.
As declarações ocorrem na véspera da cimeira da NATO em Ancara, onde os líderes da aliança militar pretendem deixar para trás as tensões recentes com Trump — em particular, as ameaças de anexação da Gronelândia e a guerra contra o Irão, desencadeada sem consulta aos aliados europeus. Na cimeira de Haia, os Estados-membros elevaram a meta de despesa para 3,5% do PIB até 2035, face aos anteriores 2%. Merz garantiu que a Alemanha levará a Ancara o compromisso de antecipar essa meta, ao mesmo tempo que sublinhou a ameaça representada pela Rússia. “Levamos muito a sério a ameaça russa e estamos a armar-nos para a enfrentar”, afirmou, após um encontro com líderes dos países bálticos.
Para cumprir a promessa de duplicar o orçamento militar, o governo de Berlim prepara uma expansão das forças armadas que, segundo analistas em Bruxelas, implicará cortes noutras áreas, incluindo a despesa social. A tensão entre prioridades internas e compromissos externos ecoa noutras capitais europeias. Em Lisboa, observadores notam que Portugal, membro fundador da NATO, também enfrenta pressão para aumentar os gastos com defesa, atualmente abaixo dos 2% do PIB, num contexto em que a aliança procura demonstrar coesão e capacidade de resposta autónoma no flanco leste. A cimeira de Ancara deverá testar a solidez desse compromisso coletivo, com a Alemanha a assumir-se como porta-voz de uma defesa europeia reforçada.
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The NATO summit is portrayed as an unknown, with Europe forced to speak about Ukraine while the US takes a transactional approach.
Uncertainty and lack of coordination are emphasized, creating a cautious atmosphere without taking an explicit stance.
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