
Atentado em Damasco mata 10 e expõe fragilidade da segurança na Síria pós-Assad
Explosão em café próximo ao Palácio da Justiça e ataque a posto de controle em Jaramana reacendem alerta sobre células extremistas e desafios do novo governo.
Uma explosão num café do centro de Damasco, a 2 de julho, matou 10 civis e feriu outros 21, no atentado mais sangrento na capital síria desde o ataque a uma igreja em junho de 2025. Menos de 24 horas depois, um homem atacou com granadas de mão um posto de controlo das forças de segurança em Jaramana, nos subúrbios da cidade, ferindo três agentes antes de morrer ao detonar acidentalmente o terceiro engenho. O Ministério do Interior sírio classificou o primeiro ataque como “explosão terrorista” provocada por um engenho artesanal de cerca de um quilo carregado de estilhaços metálicos, enquanto o segundo incidente foi atribuído a um indivíduo já procurado por homicídio e tráfico de droga.
A condenação regional foi imediata. O Ministério dos Negócios Estrangeiros libanês considerou que o atentado “representa uma nova tentativa de minar a segurança e a estabilidade na Síria, numa fase delicada do seu processo de recuperação”, sublinhando que a localização junto ao Palácio da Justiça “sugere um ataque deliberado a um símbolo da justiça e do Estado de direito”. O Parlamento Árabe e a Arábia Saudita manifestaram solidariedade total com Damasco, reiterando a rejeição de “todas as formas de violência, extremismo e terrorismo”. A partir do Cairo, o empresário egípcio Naguib Sawiris apontou “os resquícios do antigo regime” como únicos interessados em “fazer fracassar a experiência síria após a revolução”. Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado até ao momento.
Os dois episódios ocorrem num contexto de esforço das novas autoridades — que tomaram o poder em dezembro de 2024 após a ofensiva relâmpago que derrubou Bashar al-Assad — para consolidar o controlo sobre o território e conter grupos extremistas. O atentado no café, frequentado por advogados, é o mais mortífero em Damasco desde o ataque suicida contra uma igreja no bairro de Duweilaa, há um ano, que causou 25 mortos e foi reivindicado por um grupo fundamentalista sunita, embora o governo o tenha atribuído ao Estado Islâmico. A Síria aderiu entretanto à coligação internacional contra o EI, mas células adormecidas da organização continuam ativas, segundo fontes de segurança ocidentais. O atacante de Jaramana, identificado como Daniel Riad Daoud, tinha um perfil criminal comum, o que não exclui a possibilidade de instrumentalização por redes organizadas.
Na perspetiva de observadores em Lisboa e Brasília, a sucessão de incidentes testa a capacidade do novo executivo, liderado por uma coligação islamita, para garantir a segurança e avançar na reconstrução institucional de um país fragmentado por mais de uma década de guerra. A comunidade internacional, incluindo os países lusófonos com assento em fóruns multilaterais, tem condicionado o aprofundamento da cooperação à estabilização efetiva e ao respeito pelos direitos das minorias. O Ministério do Interior sírio garantiu que “os autores deste ato terrorista e todos os que estão por detrás dele serão perseguidos e levados à justiça” e prometeu divulgar atualizações através dos canais oficiais. As investigações prosseguem, enquanto Damasco tenta evitar que a violência mine a credibilidade do seu projeto político.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa do Golfo Árabe condena veementemente o atentado terrorista em Damasco, enquadrando-o como uma tentativa desesperada de leais ao regime deposto de minar o novo Estado sírio e seu caminho pós-revolucionário. Multiplicam-se as expressões de solidariedade e condolências, enfatizando a necessidade de combater o terrorismo e apoiar a estabilidade da Síria.
A mídia da Europa continental vê o ataque de Damasco como um lembrete severo da persistente ameaça terrorista na Síria, desafiando diretamente a autoridade do presidente Ahmed Al-Charaa. O atentado, o mais sangrento desde 2025, expõe a precariedade da segurança do país apesar das transições políticas.
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