
França e Marrocos confirmam favoritismo e reviverão semi de 2022 nos quartos
Com um pênalti de Mbappé e uma segunda parte demolidora dos Leões do Atlas, europeus e africanos despacharam, respetivamente, Paraguai e Canadá e reeditarão o duelo que decidiu um finalista no Catar.
Duas vitórias de construção oposta desembocaram no mesmo destino: a reedição de uma semifinal de Copa do Mundo. Em Filadélfia, a França precisou de um pênalti solitário de Kylian Mbappé, aos 25 minutos do segundo tempo, para furar o ferrolho paraguaio e vencer por 1–0. Horas antes, em Houston, Marrocos superou um primeiro tempo de sufoco, impôs a sua hierarquia na etapa final e goleou o anfitrião Canadá por 3–0, com dois gols de Azzedine Ounahi e um de Soufiane Rahimi. O resultado confirma o confronto para a próxima quinta-feira, em Foxborough, nos arredores de Boston — uma repetição da semifinal de 2022, vencida pelos Bleus por 2–0.
O duelo entre França e Paraguai transformou-se rapidamente em uma guerra de atrito sob 38 °C de temperatura. A equipa sul-americana, que eliminara a Alemanha nos pênaltis, montou uma linha de cinco defensores e apostou no jogo físico e nas provocações para desestabilizar os favoritos. Durante mais de uma hora, a França trocou passes sem converter a posse em chances reais: nenhum remate à baliza no primeiro tempo. A resistência cedeu após a entrada de Désiré Doué, que, aos 21 minutos, foi derrubado por Diego Gómez dentro da área. Após revisão do VAR, o árbitro uzbeque Ilgiz Tantashev assinalou a penalidade máxima, que Mbappé converteu com segurança, igualando Lionel Messi na artilharia da competição, com sete golos, e atingindo o 19.º tento em Mundiais. Os minutos finais foram marcados por empurrões, insultos e o gesto do guarda-redes Orlando Gill, que atirou a bola nas costas de Mbappé depois de ter a mão estendida ignorada. “Ficámos de mãos sujas, mas mostrámos que também sabemos jogar esse futebol”, disse o capitão francês, enquanto o treinador Didier Deschamps revelou ter pedido aos jogadores mais altos que protegessem o craque no fim, temendo uma agressão.
Em Houston, o Marrocos também sofreu para se impor. O Canadá, impulsionado pela condição de anfitrião e pela melhor campanha da sua história, pressionou alto nos primeiros 45 minutos e obrigou o guarda-redes Yassine Bounou a duas intervenções decisivas. A equipa africana perdeu ainda o seu artilheiro Ismaël Saibari por lesão muscular aos 22 minutos. Contudo, o cenário mudou radicalmente no segundo tempo. Aos cinco minutos, uma jogada ensaiada de livre, com Achraf Hakimi a rolar rasteiro para trás, encontrou Ounahi, que rematou de primeira para o fundo das redes. A partir daí, o conjunto de Mohamed Ouahbi controlou o ritmo e explorou os espaços deixados pelo adversário, com o mesmo Ounahi a ampliar em contra-ataque e Rahimi a fechar a goleada já nos descontos. “Já não somos uma surpresa. Quando se fala de Marrocos, fala-se de um candidato sério”, afirmou o selecionador, cuja equipa se tornou a primeira africana a atingir dois quartos de final consecutivos e acumula 34 jogos sem perder em todas as competições.
Na imprensa internacional, a exibição francesa gerou leituras distintas: na Europa, destacou-se a capacidade de sofrer e de se adaptar a um jogo “sujo”, enquanto na América do Sul se valorizou a disciplina tática do Paraguai e a atuação do guarda-redes Gill, que ainda fez duas defesas monumentais nos descontos. Já a vitória marroquina foi celebrada em todo o continente africano como a confirmação de uma potência consolidada, com o centro de formação Mohammed VI a ser apontado como a fábrica de talentos como Ounahi. Os dois triunfos recordam que, num Mundial, a versatilidade — a capacidade de vencer bem ou de vencer no limite — é frequentemente o traço dos verdadeiros candidatos ao título.
O reencontro entre França e Marrocos reeditará um dos duelos mais simbólicos do Catar 2022 e colocará frente a frente Mbappé e o seu amigo Hakimi. Para os marroquinos, será a oportunidade de ultrapassar a barreira psicológica daquele 2–0 e de dar mais um passo rumo à final que escapou há quatro anos. Para os Bleus, a chance de mostrar que aprenderam a lição de uma noite de desgaste e que continuam a ser a equipa a abater.
| Imprensa latino-americana | −0.10 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | +0.50 | aligned |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
The South American side proved it can compete on equal footing with the favorites, but a refereeing decision decided the match.
Emphasizes Paraguay's resistance and gamesmanship to create an 'almost feat' narrative, appealing to South American pride.
The reigning world champion flexes its muscles and shows an extra gear, ready to defend the title.
Highlights records and history to legitimize French superiority, projecting the clash with Morocco as an epic rematch.
The physical struggle and heat that troubled France are not highlighted.
France is not as unbeatable as it seems, and Morocco can take advantage.
Downplays France's performance to boost Moroccan hopes, using the penalty detail as a weakness.
Mbappé's 7 tournament goals and France's 150th World Cup goal are not highlighted.
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