
Xi Jinping lança organização mundial de IA e promete formação a países em desenvolvimento
China reúne 29 países na WAICO, com adesão do Brasil e Moçambique, enquanto EUA e Europa ficam de fora
O presidente chinês, Xi Jinping, inaugurou a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai, com o anúncio da criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), um organismo intergovernamental que arranca com 29 Estados fundadores, entre os quais Brasil, Rússia, Indonésia, Paquistão e Moçambique. Xi comprometeu-se a oferecer 5.000 vagas de formação em IA a países em desenvolvimento nos próximos cinco anos, a instalar centros de cooperação com blocos regionais como a ASEAN, a União Africana e a CELAC, e a disponibilizar a 30 países um sistema chinês de alerta meteorológico baseado em IA. A sede permanente da WAICO será em Xangai.
Na sua intervenção, Xi Jinping defendeu que o desenvolvimento da inteligência artificial não deve ser “uma atuação a solo de um único país, mas uma sinfonia de cooperação internacional”, alertando contra a criação de “novas injustiças históricas” resultantes do acesso desigual à tecnologia. O líder chinês apelou a modelos de código aberto, à manutenção do controlo humano sobre os sistemas e a uma abordagem “centrada nas pessoas”, ao mesmo tempo que criticou o que descreveu como um “alargamento excessivo do conceito de segurança nacional” no domínio da IA. De acordo com a imprensa estatal chinesa, a iniciativa responde às reivindicações dos países do Sul Global por uma maior participação na governação da IA. Os Estados Unidos e a União Europeia não aderiram à WAICO. Em Washington, a administração tem apostado na inovação liderada pelo setor privado e imposto restrições à exportação de semicondutores avançados para a China, invocando razões de segurança nacional. Em Bruxelas, a UE privilegiou um quadro regulatório centrado nos direitos fundamentais e na transparência. Analistas em Xangai observam que Pequim procura afirmar-se como uma terceira via, oferecendo tecnologia aberta como bem público global para contornar os bloqueios ocidentais.
A adesão do Brasil, confirmada pelo governo, insere-se na estratégia de acelerar a capacitação tecnológica interna e de reforçar a presença em fóruns de governação digital. Moçambique é o único país africano de língua oficial portuguesa entre os fundadores, enquanto Portugal, à semelhança dos restantes Estados-membros da UE, não subscreveu o acordo. O secretário-geral da ONU, António Guterres, presente na cerimónia, apelou a que a IA não fique sob controlo de “um punhado de países ou empresas” e defendeu uma governação inclusiva e ancorada no direito internacional, o que conferiu respaldo multilateral à iniciativa chinesa.
A criação da WAICO ocorre num momento de intensa rivalidade tecnológica entre Washington e Pequim. Modelos chineses de código aberto, como o Kimi K3 da Moonshot AI, aproximam-se rapidamente do desempenho dos concorrentes norte-americanos e são adotados por empresas como a Siemens e a DoorDash, atraídas pelo menor custo. Contudo, as autoridades chinesas ponderam também restringir o acesso estrangeiro a alguns modelos avançados, o que revela uma tensão entre o discurso de abertura e as preocupações de segurança. A WAICO inicia agora os trabalhos de definição de padrões técnicos e de cooperação, enquanto a conferência de Xangai prossegue até 20 de julho, com a expectativa de novos anúncios de parcerias.
| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | +0.40 | aligned |
Southeast Asia re-projects China's initiative as a direct challenge to US technological hegemony, celebrating the training offer as an opportunity for developing countries.
By emphasizing the contrast with the United States and using the phrase 'tantang dominasi' (challenge to dominance), the bloc builds a bipolar competition narrative where China is the champion of the Global South.
Concerns about military and cyber use of AI, mentioned in other blocs, are absent.
Latin America reports Xi's warning against unilateral AI dominance, stressing the need for international rules and human control.
By quoting Xi's words directly without added commentary, the bloc adopts a reporting tone that turns the speech into a shared caution, without taking sides.
The concrete offer of 5,000 training courses, which is the core of the story, is not mentioned.
Russia presents China's proposal as a model of ethical and fair governance, supporting the creation of a global AI system based on consensus.
By emphasizing terms like 'fair' and 'ethical', the bloc associates China with universal values, legitimizing its leadership in the field.
The offer of 5,000 courses and the challenge to US dominance are absent.
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