Hungria avança com reforma constitucional para afastar presidente e investiga ex-chanceler por vínculos com Moscou
A nova maioria parlamentar de Péter Magyar aprovou emenda que força a saída do chefe de Estado e abriu inquérito contra Péter Szijjártó, enquanto organizações de direitos humanos alertam para riscos ao devido processo.
O Parlamento húngaro aprovou, em 13 de julho, uma emenda constitucional que destitui o presidente Tamás Sulyok, aliado do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, e o governo de Péter Magyar iniciou uma investigação formal contra o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó, por suspeitas de conluio com a Rússia. As duas medidas integram a chamada “Operação Fogo Purificador”, com a qual o novo executivo, empossado em maio após uma vitória eleitoral esmagadora, pretende desmantelar o sistema de poder construído por Orbán ao longo de 16 anos.
A emenda, aprovada por 139 votos a favor e seis contra, estabelece ainda um limite de 12 anos de mandato para deputados e uma idade máxima de 70 anos para juízes do Tribunal Constitucional, o que afasta da próxima legislatura cerca de metade da bancada do Fidesz e a sua cúpula, incluindo o próprio Orbán. O presidente Sulyok tem até sábado para sancionar a alteração que o remove do cargo; se não o fizer, o Parlamento iniciará um processo de impeachment. Magyar advertiu que não há fundamento para que Sulyok remeta o texto ao Tribunal Constitucional, atualmente composto por juízes nomeados durante os governos de Orbán.
A ofensiva legislativa e a investigação a Szijjártó — que nega ter agido contra os interesses nacionais e acaba de assumir um cargo na fabricante chinesa de automóveis BYD — suscitaram alertas de organizações de direitos humanos. A Amnistia Internacional na Hungria considerou que o procedimento de destituição presidencial carece de garantias legais, enquanto a Human Rights Watch (HRW) enviou um dossiê à comissão de Liberdades Civis do Parlamento Europeu, advertindo que “restaurar o Estado de direito exige o respeito pelo devido processo e tempo para uma consulta genuína”. A União Húngara de Liberdades Civis criticou a urgência com que se impôs o limite de mandatos parlamentares. Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudara a queda de Orbán como um momento histórico, mas o alerta da HRW pode moderar o entusiasmo inicial.
O inquérito a Szijjártó baseia-se em reportagens da imprensa internacional que descrevem um canal informal entre o ex-ministro e o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, através do qual Moscovo teria obtido informações sensíveis sobre processos internos da União Europeia e conseguido o levantamento de sanções a familiares do oligarca Alisher Usmanov. Magyar prometera durante a campanha apurar se houve “traição à pátria”. Na perspetiva de observadores em Lisboa, a velocidade das reformas e a instrumentalização da maioria constitucional reacendem o debate sobre os limites da alternância democrática no espaço europeu, enquanto em Brasília o caso é acompanhado como um exemplo dos desafios de transições pós-autoritárias. O dossiê segue agora para a comissão parlamentar europeia, e o desfecho da crise presidencial deverá conhecer novos desenvolvimentos até ao final da semana.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
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| Imprensa russa e CEI | −0.20 | neutral |
O governo de Magyar desmantela o sistema de Orbán com reformas constitucionais, mas os direitos humanos estão em risco.
Alterna fatos de reforma com críticas de ONGs para criar um quadro ambíguo, convidando o leitor a julgar se isso é progresso ou novo autoritarismo.
Não menciona a investigação iniciada por Magyar contra o ex-ministro das Relações Exteriores Szijjártó por supostos laços com a Rússia, elemento central na narrativa do bloco russo.
O governo Magyar inicia uma investigação por traição contra o ex-ministro Szijjártó, um ato de perseguição política.
Relata as declarações de Magyar sem comentários, mas enfatiza o contexto de acusações pré-eleitorais, sugerindo que a investigação é politicamente motivada.
Omite a agenda reformista mais ampla de Magyar (mudanças constitucionais, limites de mandato) e as preocupações com direitos humanos, centrais no bloco europeu continental, fazendo a história parecer uma simples caça às bruxas política.
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