
Multidões despedem-se do líder supremo iraniano Khamenei, mas sucessor e filho Mojtaba permanece ausente
Cerimónia fúnebre reúne milhões de iranianos e delegações de mais de 70 países, enquanto o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, não comparece por razões de segurança e saúde, num contexto de tensão pós-guerra e negociações de cessar-fogo.
Milhões de iranianos participaram este domingo na oração fúnebre pelo antigo líder supremo Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro num ataque aéreo conjunto dos EUA e de Israel. A cerimónia decorreu na grande mesquita Imam Khomeini, em Teerão, perante um mar de bandeiras e cânticos de luto, mas a ausência do seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, dominou o debate público. Segundo o jornal The New York Times, responsáveis de segurança iranianos impediram a sua participação até na última etapa das cerimónias, em Mashhad, por receio de que Israel pudesse aproveitar a sua aparição para um ataque cirúrgico. Três outros filhos do antigo guia estiveram presentes na oração, liderada pelo aiatola Jafar Sobhani, de 97 anos.
A narrativa oficial iraniana apresentou o funeral como uma demonstração de unidade nacional e de renovação da lealdade ao regime, após uma guerra de doze dias com Israel em 2025, protestos internos no início de 2026 e o conflito com os EUA que culminou no cessar-fogo atual. Para observadores do Médio Oriente, a presença massiva de populações transportadas gratuitamente e a mobilização de estruturas estatais como o metro de Teerão — que registou sete milhões de viagens entre sábado à noite e domingo de manhã — refletem o esforço do sistema em projetar coesão numa altura em que o novo líder não dá a cara. Com Mojtaba alegadamente ferido no mesmo bombardeamento que vitimou o pai e vários familiares, a sua invisibilidade alimenta dúvidas sobre a estabilidade da sucessão.
A dimensão internacional do funeral foi sublinhada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, ao anunciar a presença de representantes de mais de 70 países, incluindo Arábia Saudita, Egito, Qatar, Paquistão, Iraque e Líbano — o que, na leitura de Teerão, comprova o isolamento limitado da República Islâmica. O presidente norte-americano Donald Trump, em entrevista ao site Axios, disse estar surpreendido com as lágrimas dos enlutados, sugeriu que poderia eliminar todos os líderes iranianos “com um único tiro” mas optou por não o fazer para manter interlocutores, e confirmou uma pausa de uma semana nas conversações bilaterais. Tanto em Washington como em capitais europeias, estas declarações foram recebidas como mais um gesto de pressão negocial sobre um regime frágil.
Após um segundo dia de velório aberto no domingo, o cortejo fúnebre parte esta segunda-feira pelas ruas da capital, seguindo depois para Qom, centro do clero xiita, e para as cidades sagradas iraquianas de Najaf e Karbala, antes de o corpo ser sepultado na próxima quinta-feira junto ao santuário do imã Reza, em Mashhad. A escolha do local de enterro sublinha a linhagem religiosa do poder iraniano, enquanto a passagem pelo Iraque procura afirmar a influência regional. Com a ausência do novo guia e uma opinião pública dividida, a longa cerimónia de adeus a Khamenei torna-se também um termómetro da resiliência do sistema perante os desafios internos e externos que se avizinham.
| Imprensa do Golfo árabe | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.90 | aligned |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.80 | critical |
The Gulf observes with caution, focusing on the missing Mojtaba as a potential sign of instability.
By highlighting the absence of the designated successor, the narrative sows doubt about the regime's cohesion without directly attacking it.
Does not mention the temporary pause in US-Iran talks, which would contextualize the regional calm.
Iranian nation honors its martyred leader with unprecedented participation, demonstrating unity and faith.
Religious and patriotic language sacralizes Khamenei as a martyr and frames the event as a referendum on regime legitimacy.
Omits the absence of Mojtaba Khamenei and any dissent, presenting a fully unified image.
The US demonstrates its military dominance and ridicules Iranian emotions, framing the funeral as a propaganda event.
Contrasts American military might with Iranian emotional display, belittling the latter to delegitimize the regime.
Omits the scale of genuine public turnout and international delegations, reducing the event to a target.
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