
Do gelo portenho ao calor de Mérida: um continente sob o mesmo céu de julho
Na madrugada de 7 de julho de 2026, Buenos Aires amanheceu sob geada e temperaturas negativas, enquanto cidades mexicanas se preparavam para máximas de 37°C e chuvas torrenciais, num retrato de contrastes que uniu a América Latina.
Na madrugada de terça-feira, 7 de julho de 2026, os termómetros na região metropolitana de Buenos Aires desceram a valores negativos, com geada a cobrir os vidros dos automóveis e o asfalto das ruas. O Servicio Meteorológico Nacional argentino registou mínimas de até 4 graus abaixo de zero em alguns pontos do conurbano, um cenário que se repetia desde o início do mês com a chegada de uma massa de ar polar. Contudo, o mesmo boletim que alertava para o frio intenso anunciava uma reviravolta: à tarde, o céu limpo e a entrada de ar mais temperado elevariam a temperatura até aos 20 graus, um contraste térmico que, em poucas horas, transformaria a paisagem gelada numa tarde quase primaveril.
Enquanto a capital argentina vivia essa oscilação, o México enfrentava um mosaico de condições extremas. Em Monterrey, no norte do país, o termómetro alcançava os 37°C, com o sol a brilhar entre nuvens esparsas, levando as autoridades a recomendar hidratação constante e a evitar a exposição solar nas horas centrais do dia. Na Península de Yucatán, Mérida registava máximas semelhantes, enquanto Cancún e Chetumal, banhadas pelo Caribe, mantinham temperaturas mais amenas, na casa dos 30°C, mas com uma humidade que tornava o calor ainda mais opressivo. Em contraste, a Cidade do México e o Vale de Toluca amanheciam sob um céu carregado e uma probabilidade de chuva que chegava aos 90%, com os habitantes a sair de casa de guarda-chuva e agasalho, preparados para aguaceiros que poderiam causar alagamentos e transtornos no trânsito.
A instabilidade não se limitava ao centro do país. O Servicio Meteorológico Nacional mexicano emitia alertas para chuvas intensas em estados como Guerrero, Oaxaca, Chiapas e Veracruz, onde se esperavam acumulados de até 150 milímetros, acompanhados de descargas elétricas e possível queda de granizo. Em Jalisco, a zona metropolitana de Guadalajara registava 23,9°C e um vento suave de 3 km/h, com o céu nublado a prometer precipitações ligeiras. A combinação de canais de baixa pressão, humidade do Pacífico e uma circulação ciclónica em altitude desenhava um quadro de tempo severo que se estenderia por toda a semana, afetando também a região de Puebla e Morelos, onde as temperaturas não ultrapassavam os 23°C e as chuvas fortes ameaçavam deslizamentos e inundações.
Do outro lado do continente, no nordeste brasileiro, Aracaju vivia um início de semana mais ameno. A capital sergipana registava mínimas de 21°C e máximas de 27°C, com chuva fraca na segunda e terça-feira, mas a previsão apontava para a abertura do céu a partir de quarta-feira, com índices ultravioleta elevados a exigirem proteção solar. A variação climática na cidade, embora menos extrema, ecoava a imprevisibilidade que marcava o dia em toda a América Latina, onde os serviços meteorológicos se tornavam a principal bússola para milhões de pessoas.
Na Argentina, o alívio térmico previsto para a tarde de terça-feira era apenas um interlúdio. Alertas do SMN indicavam a aproximação de um sistema de tempestades que, a partir da madrugada seguinte, traria 48 horas de chuvas intensas, granizo e rajadas de vento às províncias de Neuquén e Río Negro, com possibilidade de neve nas zonas mais altas. O mesmo fenómeno avançaria depois para o centro e norte do país, com acumulados que poderiam duplicar as médias mensais em cidades como Bahía Blanca e General Pico. Enquanto isso, em Tucumán, o sol regressava após dias de frio polar, com uma máxima de 17°C que, para os tucumanos, representava um respiro bem-vindo antes de novas descidas de temperatura. Enquanto em Buenos Aires o gelo derretia sob o sol da tarde, em Toluca as nuvens baixas continuavam a descarregar uma chuva fina e persistente, como se o céu se recusasse a revelar o que viria a seguir.
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