
Cimeira da NATO em Ancara revela megacontratos de defesa para aplacar Trump
Líderes europeus anunciam dezenas de mil milhões em armamento e aumento de gastos, enquanto Washington exige partilha de encargos e apoio na guerra com o Irão.
A cimeira da NATO que arrancou esta terça-feira em Ancara ficou marcada pela apresentação de contratos de armamento avaliados em dezenas de mil milhões de dólares, num esforço dos aliados europeus para demonstrar a Washington que estão a cumprir as exigências de maior investimento na defesa. O secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, anunciou a assinatura de acordos que incluem a substituição da frota de aviões de vigilância AWACS por aeronaves GlobalEye da sueca Saab e a aquisição de um décimo avião-tanque Airbus A330 MRTT, além de parcerias navais e de defesa aérea entre países como Países Baixos, Bélgica e Reino Unido. Na perspetiva de Bruxelas, o objetivo é converter em capacidades concretas o aumento de 20% nas despesas militares registado em 2025, que elevou o total dos membros europeus e do Canadá para mais de 570 mil milhões de dólares.
A administração norte-americana, contudo, mantém um discurso de pressão. O presidente Donald Trump, que aterrou em Ancara ao início da tarde, reiterou nas últimas semanas críticas à “dependência excessiva” dos europeus em relação ao poderio militar dos EUA e acusou os aliados de não terem apoiado suficientemente a campanha militar contra o Irão. Segundo fontes diplomáticas citadas pelas agências, a Casa Branca condiciona a sua presença na Europa a uma “repartição justa” dos encargos e já iniciou uma revisão de seis meses do destacamento de forças no continente, com a retirada de meios como um porta-aviões e aviões de reabastecimento. Na ótica de Washington, a NATO deve evoluir para um modelo “3.0”, em que a defesa convencional da Europa seja assumida pelos próprios europeus, libertando os EUA para o teatro do Indo-Pacífico.
A guerra com o Irão introduziu uma nova linha de fratura. Diplomatas europeus sublinham que, apesar de não terem sido consultados sobre a ofensiva, a maioria dos países cumpriu os compromissos de disponibilização de espaço aéreo e bases. Ainda assim, a impopularidade do conflito e o seu impacto económico geraram restrições que Trump interpreta como deslealdade. Em Ancara, os líderes europeus esperam que a relação próxima entre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e Trump, bem como a ofensiva de charme de Rutte, ajudem a evitar um choque frontal. Paralelamente, a cimeira deverá reafirmar o apoio à Ucrânia, com um pacote de assistência de 70 mil milhões de euros, e discutir a segurança marítima no Estreito de Ormuz, onde uma missão naval europeia está a ser preparada, mas aguarda clareza sobre o acordo entre Washington e Teerão.
A escolha de Ancara como palco sublinha o peso geopolítico da Turquia, que procura capitalizar a cimeira para relançar a sua indústria de defesa e reverter sanções. Fontes próximas das negociações indicam que Trump poderá sinalizar a disponibilidade para readmitir o país no programa de caças F-35, suspenso desde a compra do sistema russo S-400, uma hipótese a que Israel se opõe publicamente. A cimeira prossegue na quarta-feira com reuniões bilaterais e a adoção de uma declaração final que, segundo antecipam responsáveis da Aliança, deverá reiterar que o Irão “nunca deverá obter uma arma nuclear” e exigir o respeito pela liberdade de navegação no Golfo Pérsico.
| Imprensa africana subsaariana | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.10 | neutral |
| Imprensa japonesa-coreana | −0.50 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.20 | neutral |
Trump denounces European allies for not reciprocating, putting NATO's future in doubt.
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