
A fachada ilusória e o arco de 250 pés: a capital americana sob o olhar de Trump
Enquanto uma lona fotorealista cobre o Pórtico Norte da Casa Branca, o projeto de um arco triunfal colossal reacende o debate sobre os limites da paisagem monumental de Washington.
Na manhã de quinta-feira, operários desenrolaram lentamente uma lona sobre o Pórtico Norte da Casa Branca. Não era um pano qualquer: a superfície trazia impressa uma réplica fotorrealista das colunas e do frontão que escondia, criando a ilusão de que a fachada permanecia intocada. A cena, descrita por quem passava pelo jardim como um trompe l’oeil de escala arquitetónica, marcou o início de mais uma intervenção no coração do poder americano — uma restauração que, segundo o presidente, corrige décadas de negligência.
A obra no pórtico é apenas a face mais visível de uma vaga de construções que se espalha por Washington. O presidente Donald Trump ordenou a demolição da Ala Este para erguer um salão de baile com capacidade para mil pessoas, remodelou o Rose Garden com um pavimento que lembra o clube de Mar-a-Lago, na Florida, e mandou instalar um heliporto de granito no Relvado Sul. Ao todo, dezoito projetos maiores, estimados em 1,2 mil milhões de dólares, redesennham os espaços simbólicos da capital, do Lafayette Park ao espelho de água do Lincoln Memorial.
O mais ambicioso desses planos, porém, ainda está no papel. Trump propôs um Arco Triunfal de 250 pés (cerca de 76 metros) no Memorial Circle, uma estrutura que ultrapassaria o atual recorde mundial, o Arco da Praça da República na Cidade do México, e ofuscaria o vizinho Lincoln Memorial, de 99 pés. A Comissão Nacional de Planeamento da Capital recomendou alterações ao projeto: a lei de 1910 que limita as alturas no centro de Washington a 130 pés obriga a redistribuir os volumes. A sugestão é reduzir o mezanino e o miradouro para 130 pés e concentrar os restantes 40 pés na estátua da Liberdade que coroaria o monumento, mantendo a altura total mas respeitando a norma.
A proposta gerou uma onda de críticas que ecoou durante horas numa audiência pública. Cynthia Morrison, mãe de um soldado tombado, afirmou que o espaço aberto entre o Lincoln Memorial e o Cemitério de Arlington “não é terra vazia, mas uma vista memorial deliberadamente projetada”. Michael Lemmon, veterano do Vietname e queixoso numa ação judicial contra o arco, declarou que a estrutura “não honra o sacrifício dos camaradas ali sepultados”. A comissão, presidida por um aliado de Trump, não levantou objeções de fundo, mas exigiu a incorporação de recomendações da aviação civil — o arco ficaria na rota do Aeroporto Ronald Reagan — e ajustes na iluminação e nos acessos pedonais.
Enquanto o debate prossegue, a lona do Pórtico Norte permanece como um espelho da tensão entre a imagem e a matéria. Atrás da fachada impressa, as colunas dóricas que durante dois séculos emolduraram a entrada principal da Casa Branca são restauradas — ou, segundo sugeriu o aliado Rodney Cook, poderão dar lugar a capitéis coríntios, à semelhança do Capitólio. A poucos quilómetros dali, o futuro arco, a ser construído em betão e revestido a granito, promete inscrever no horizonte da capital uma silhueta que, para os seus críticos, altera a escala íntima de uma paisagem pensada para a memória, e não para a grandiosidade.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
The Atlantic press ironizes Trump's projects, presenting them as 'Trump l'oeil' and highlighting regulatory hurdles, adopting a stance of critical skepticism.
It uses irony and wordplay to belittle the initiative, while factual reports on regulatory difficulties reinforce the impression of a quixotic venture.
Trump's direct quote about stripping 150-year-old paint is omitted, which could have presented the project as a personal and proud initiative.
The Arab Gulf reports facts without comment, describing the work as a request by Trump and part of a series of projects, taking no stance.
It adopts a purely descriptive tone, avoiding any evaluation or critical contextualization, which normalizes the initiative as routine.
Both the triumphal arch proposal and its difficulties, and the photorealistic nature of the tarp, are omitted, which could have added controversial elements.
Russia reports the work as carried out on Trump's orders, directly quoting his words, presenting him as an active and decisive agent.
It uses direct presidential quotation to lend authority to the narrative, without adding critical commentary, making the initiative appear as an act of leadership.
The triumphal arch proposal and the ironic criticisms from the Atlantic press are omitted, which could have questioned the effectiveness or appropriateness of the projects.
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