
Netanyahu acelera votações para garantir apoios antes da dissolução do Knesset
Com o Parlamento a dias de se dissolver e o Likud em queda nas sondagens, o primeiro-ministro israelita tenta aprovar leis exigidas por partidos ultraortodoxos e reformar o controlo partidário.
O governo de Benjamin Netanyahu acelera a aprovação de sete projetos de lei antes da dissolução automática do Knesset, prevista para 15 de julho, com possibilidade de prorrogação por 12 dias. As votações ocorrem a poucos meses das eleições legislativas de 27 de outubro, num contexto de desgaste do primeiro-ministro devido aos atentados de 7 de outubro de 2023 e à guerra em Gaza. A oposição acusa o executivo de usar o tempo legislativo para satisfazer interesses partidários em vez de responder às necessidades do país.
O projeto mais controverso, segundo a imprensa israelita, é a isenção do serviço militar para estudantes de escolas religiosas (yeshivot), uma reivindicação histórica dos partidos ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá. Em troca, estas formações apoiarão propostas do Likud, como a reforma do setor de radiodifusão — que críticos descrevem como uma tentativa de controlo político dos media — e a alteração do estatuto do procurador-geral, cujos pareceres deixariam de ser vinculativos. O líder da oposição, Yair Lapid, afirmou que o governo está “ocupado com a sobrevivência da coligação”, enquanto o antigo chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, cujo partido Yashar lidera algumas sondagens, classificou a maratona legislativa como “leis contra o exército”.
Na perspetiva de analistas em Telavive, a pressa legislativa reflete também a fragilidade eleitoral de Netanyahu. Sondagens recentes mostram o Yashar a ultrapassar o Likud, e o bloco de oposição sionista aproxima-se dos 61 assentos necessários para formar governo. Perante este cenário, o primeiro-ministro tenta reforçar o controlo sobre a lista do partido, exigindo dez lugares reservados — um número sem precedentes — o que lhe permitiria afastar dirigentes incómodos. Fontes do Likud, citadas por jornais israelitas, descrevem Netanyahu como “histérico” e falam numa “purga política” para travar a queda nas intenções de voto.
O governo procura ainda revogar a reforma da certificação kosher aprovada pelo executivo anterior, devolvendo o monopólio à autoridade rabínica, uma medida que, segundo observadores, beneficia diretamente o partido Shas. Em paralelo, o Likud pondera reservar um lugar na sua lista para Bezalel Smotrich, líder do Partido Sionista Religioso, que corre o risco de não atingir o limiar eleitoral. A dissolução do Knesset está marcada para 15 de julho, mas os deputados podem estender a sessão até 27 de julho para concluir as votações. A oposição promete obstruir os projetos, enquanto as negociações internas no Likud sobre a composição da lista deverão ser submetidas ao comité central nos próximos dias.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | −0.30 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.70 | critical |
O governo israelense corre para aprovar leis antes da dissolução do parlamento, enquanto a oposição critica e o público está irritado.
Ao apresentar fatos sem comentários, a narrativa parece objetiva e confiável.
O bloco omite a agenda legislativa específica e as negociações internas da coalizão, detalhadas em outros blocos.
O Likud considera reservar uma vaga para Smotrich para evitar perda de votos, enquanto as pesquisas mostram a oposição ganhando terreno. A coalizão se esforça para garantir alianças e aprovar leis.
Ao enfatizar manobras internas e números de pesquisas, a narrativa cria a impressão de uma luta pelo poder e vulnerabilidade eleitoral.
O bloco omite a raiva pública e as falhas que levaram ao ataque de 7 de outubro, destacadas em outros blocos.
Netanyahu está histérico com os resultados das pesquisas, seu governo se esforça para aprovar leis e a raiva popular aumenta. A oposição ganha terreno.
Usando linguagem emocional e citando a mídia israelense, a narrativa constrói uma imagem de fraqueza e desespero, deslegitimando o líder.
O bloco omite a agenda legislativa específica e as manobras internas do Likud, concentrando-se em vez disso nas reações emocionais.
Amplie o olhar
Receitas fiscais disparam em economias emergentes, mas trajetória da dívida segue como ponto de atenção
4 idiomas · 10 veículos
De TechnologyOpenAI lança agente de trabalho autónomo e anuncia o fim do navegador Atlas
7 idiomas · 7 veículos
De Science & HealthArábia Saudita redesenha corredor Índia-Europa e atrai Canadá em nova geopolítica comercial
2 idiomas · 5 veículos