
Turquia negocia venda de mísseis russos S-400 a país do Golfo para reaver caças F-35
Ancara busca autorização de Moscou para transferir os sistemas, enquanto Israel pressiona Washington contra a venda dos jatos furtivos, temendo desequilíbrio militar no Oriente Médio.
A Turquia terá finalizado a venda dos seus sistemas de defesa aérea S-400 de origem russa a uma monarquia do Golfo Pérsico, segundo o jornal pró-governo Hürriyet, num movimento que visa destravar o regresso de Ancara ao programa de caças furtivos F-35 e o levantamento das sanções impostas pelos Estados Unidos. O Kremlin confirmou contactos com a parte turca sobre o destino dos mísseis, classificando o tema como “extremamente sensível”, enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizou durante a cimeira da NATO em Ancara a disponibilidade para anular as penalizações e reconsiderar a venda dos caças de quinta geração.
Na perspetiva de Ancara, a operação resolve um triplo impasse: remove o principal obstáculo às relações de defesa com Washington, abre caminho à aquisição de até 40 aeronaves F-35 e pode garantir motores para o caça nacional KAAN. A administração Trump, por seu lado, condiciona qualquer reaproximação à saída dos S-400 do território turco, temendo que os radares russos recolham dados sensíveis sobre a tecnologia furtiva dos F-35. Em Moscovo, o porta-voz Dmitry Peskov sublinhou que qualquer transferência para um terceiro país exige autorização russa, e fontes citadas pela Bloomberg indicam que as consultas se intensificaram nas últimas semanas, depois de uma proposta inicial de Ancara para devolver os sistemas à Rússia não ter prosperado.
A hipótese de Ancara aceder aos F-35 desencadeou uma ofensiva diplomática de Israel, cujo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, usou entrevistas a cadeias norte-americanas para classificar o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, como “um regime infetado pela Irmandade Muçulmana” e alertar que a venda “destruiria o equilíbrio de poder no Médio Oriente”. Em Telavive, analistas militares receiam que a Força Aérea turca, já presente na Síria e dotada de uma indústria de defesa em expansão, possa limitar a liberdade de ação israelita no espaço aéreo sírio e libanês, comprometendo a superioridade qualitativa que Israel mantém como único operador regional do F-35I Adir. A imprensa israelita noticia ainda uma articulação com a Grécia para travar a operação no Pentágono e no Congresso.
Os potenciais compradores no Golfo, Emirados Árabes Unidos ou Catar, dispõem de sistemas Patriot e, no caso emiradense, do antimíssil THAAD, mas procuram diversificar as suas arquiteturas de defesa após os bombardeamentos iranianos registados durante o conflito regional deste ano. A eventual presença de S-400 no Dubai ou em Doha introduziria uma capacidade estratégica de negação de área que, na leitura de observadores em Washington, poderia complicar a interoperabilidade com forças norte-americanas estacionadas na região. A concretização do negócio permanece, contudo, dependente da autorização de Moscovo e da superação de resistências no Congresso dos EUA, onde legisladores exigem garantias de que os sistemas russos deixaram de estar operacionais e de que Ancara não retomará cooperação semelhante com a Rússia no futuro.
| Imprensa russa e CEI | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | −0.80 | critical |
| Imprensa iraniana e afins | 0.00 | neutral |
Russia manages the crisis with caution, reaffirming its sovereignty over the S-400 system and the need for continued contacts, without admitting any loss of control.
The Kremlin uses the label 'super-sensitive' to defuse the news and shift focus to ongoing diplomacy, avoiding confirmation or denial of the sale.
Russia omits the active role of the United States in conditioning Turkey's decision and the prospect of Ankara's return to the F-35 program.
Israel sounds the alarm: Erdogan's Turkey is replacing Iran as the dominant power, and the F-35 will accelerate its rise, threatening regional balance.
The Israeli narrative uses historical analogy (decline of one power, rise of another) to turn a commercial transaction into an existential threat, pushing for US intervention.
Israel omits that the sale of the S-400 could weaken Turkey's air defense and that re-entry into the F-35 program is conditional.
Iran records the Turkish move as a fact, highlighting the logic of the S-400/F-35 swap and the lifting of sanctions, without emphasizing strategic consequences.
Iranian media present the sale as already completed and rational, normalizing an operation that other actors consider destabilizing, and reducing tension to a simple deal.
Iran omits Russian concerns about the sensitivity of the sale and Israeli objections to Turkey's military strengthening.
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