
O baixo 'sujo' que Paul McCartney gravou em minutos: os Rolling Stones e o novo 'Foreign Tongues'
Com 14 faixas, participações de Robert Smith e Bruno Mars, e críticas ao autoritarismo, o 25º álbum de estúdio da banda britânica chega menos de três anos após 'Hackney Diamonds'.
Mick Jagger tinha um pedido simples para Paul McCartney: queria um baixo “sujo”. A conversa, relatada pelo próprio vocalista, aconteceu durante as sessões de Foreign Tongues, o novo álbum dos Rolling Stones, e McCartney resolveu a encomenda em poucos minutos. O resultado está em “Covered In You”, uma das 14 faixas que a banda lançou esta semana, e que já circula como mais um capítulo na longa colaboração entre dois dos maiores nomes do rock britânico. O episódio, aparentemente banal, revela o método de trabalho que os Stones adotaram para este 25.º disco de estúdio: gravações rápidas, sem excessos de produção, capturando a energia do momento.
O álbum foi registado em menos de um mês nos Metropolis Studios, no oeste de Londres, sob a batuta do produtor Andrew Watt, o mesmo que revitalizou a sonoridade do grupo em Hackney Diamonds (2023). Aos 82 anos, Jagger e Keith Richards, acompanhados pelo “jovem” Ronnie Wood, de 79, voltaram a reunir-se na cidade que os viu nascer como banda há mais de seis décadas. A urgência não é acidental: a saúde de Richards, que enfrenta uma artrite que afeta a técnica e o levou a cancelar uma digressão europeia em 2026, e a consciência da finitude — o baterista Charlie Watts morreu em 2021 — parecem ter acelerado o processo criativo. “Foi um mês de energia intensa e concentrada”, resumiu Richards, enquanto Jagger elogiou a dimensão intimista do estúdio, onde “se pode sentir a paixão de todos”.
Musicalmente, Foreign Tongues não procura reinventar a roda, mas também não se limita a revisitar glórias passadas. O alinhamento inclui rock direto (“Rough and Twisted”), baladas com falsetes que remetem aos anos 80 (“Jealous Lover”) e incursões pelo country e pelo honky-tonk (“Ringing Hollow”). As letras, porém, mostram uma banda atenta ao presente: em “Mr. Charm”, Jagger ironiza sobre o “magnata louco” Elon Musk e a vontade de ir a Marte; em “Covered In You”, fala em “autocratas que se multiplicam como ratos sujos”. A capa, criada pelo artista norte-americano Nathaniel Mary Quinn, funde os traços dos três membros num rosto compósito que evoca um Frankenstein do rock — uma imagem que, segundo críticos europeus, sintetiza a longevidade anómala de uma banda que já não precisa de provar nada, mas insiste em existir.
A receção ao disco tem sido marcada por leituras distintas consoante a geografia. Na imprensa latino-americana, destaca-se o videoclipe de “Jealous Lover”, protagonizado pela atriz Anya Taylor-Joy, de origem argentina e assumida fã de Lionel Messi, o que gerou ampla repercussão no Brasil e em Portugal. Observadores em Moscovo sublinham o conteúdo político das canções, enquanto analistas italianos e franceses valorizam a produção de Watt e a capacidade de os Stones soarem contemporâneos sem se disfarçarem de jovens. Em Lisboa, a crítica nota que o álbum chega num momento em que a banda parece ter abandonado a obsessão de competir com o próprio catálogo, optando antes por uma maturidade que não exclui a ironia.
Há ainda espaço para o luto e a memória. “Hit Me in the Head” recupera gravações de bateria e voz de Charlie Watts, um gesto que, longe de ser comercial, funciona como uma homenagem ao músico que durante quase 60 anos foi o coração rítmico do grupo. E Keith Richards, que há duas décadas guardava “Some of Us”, decidiu finalmente gravá-la, assumindo o microfone com a voz gasta e a guitarra incisiva que o definem. O disco encerra com uma versão de “Beautiful Delilah”, de Chuck Berry, como se os Stones, ao olharem para trás, reafirmassem que o rock’n’roll, para eles, nunca foi uma questão de idade, mas de atitude.
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | +0.70 | aligned |
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.60 | aligned |
Russia neutralizes political content by presenting the album as a routine event.
Russia ignores political references in the lyrics to present the album as a purely musical product.
Russia omits mentions of political themes such as criticism of Elon Musk and autocrats, which are present in Western reviews.
Continental Europe celebrates Foreign Tongues as a timeless masterpiece, a return to rock roots.
Continental Europe emphasizes continuity with the band's glorious past, downplaying stylistic or political innovations.
Continental Europe does not mention the political content of the songs, which is central in Atlantic coverage.
The Atlantic world frames the album as a politically engaged statement, proving the Stones remain relevant in the current era.
The Atlantic world highlights specific lyrical references to contemporary figures like Elon Musk and autocrats, connecting the album to current events.
Amplie o olhar
Desfile do 14 de Julho em Paris consagra 'despertar estratégico' europeu e apoio à Ucrânia
9 idiomas · 31 veículos
De Economy & MarketsCorrida da IA vira disputa por eficiência de custos
6 idiomas · 16 veículos
De TechnologyIA amplifica conhecimento, mas concentra poder: o paradoxo que preocupa líderes globais
4 idiomas · 7 veículos