
Entre leques e plissados, Dior desvia o olhar do vestido invisível de Taylor Swift
Sob calor extremo, Jonathan Anderson apresentou uma coleção de alta-costura que funde a obra de Lynda Benglis, a chita indiana e o burburinho em torno do casamento secreto da cantora.
Nos jardins do Museu Rodin, com os termómetros acima dos 30 graus, os convidados abanavam-se com os leques que a Dior lhes entregara à entrada. Sabrina Carpenter, Priyanka Chopra, Josh O’Connor e Pharrell Williams estavam entre as figuras que, na primeira fila, tentavam amenizar a vaga de calor enquanto o desfile de alta-costura para o outono-inverno 2026-2027 começava. As modelos surgiram com peças em que a técnica do plissado dominava: pregas de diferentes tamanhos, aplicadas a tecidos metálicos, tweed e tule, criavam volumes que se transformavam a cada passo, num efeito quase escultórico.
A coleção bebeu diretamente da obra da artista americana Lynda Benglis, conhecida desde os anos 1960 por verter látex no chão das galerias e deixar o metal dobrar-se sob o próprio peso. O ateliê da Dior foi pensado como uma extensão desse estúdio, onde o tecido plano ganha tridimensionalidade por meio de nós, moldes e prensas. A inspiração indiana, que Benglis absorveu ao viver em Ahmedabad, traduziu-se no recurso à chita setecentista — algodão pintado à mão com motivos botânicos e cores vibrantes. No Brasil, a chita chegou com os portugueses e, ao longo do século XIX, enraizou-se no vestuário e na decoração popular, tornando-se um símbolo da exuberância manual que a proposta de Jonathan Anderson revisitou.
O desfile aconteceu apenas três dias depois de Taylor Swift e Travis Kelce terem casado em Nova Iorque com modelos de alta-costura Dior desenhados por Anderson, mas cujas imagens permanecem inéditas. A encomenda foi lida por analistas europeus como uma vitória simbólica da maison do grupo LVMH sobre a Chanel, que vestira Dua Lipa para o seu casamento na Sicília. A exposição mediática em torno dos 273 milhões de seguidores de Swift no Instagram oferece à Dior uma visibilidade que poucas campanhas conseguiriam igualar, num momento em que o mercado de luxo enfrenta um abrandamento da procura. Contudo, observadores em Paris notam que o próprio criador tentou mudar o assunto: em vez de alimentar o mistério do vestido que ninguém viu, preferiu deslocar o olhar para a arte.
A tradição da alta-costura foi cumprida com o encerramento a cargo de uma noiva — a única que as câmaras puderam registar naquela semana. Um vestido strapless claro, véu longo de chiffon plissado à mão, rematado com dentes-de-leão em pluma e flores de cato bordadas, deslizou pelo cenário de fetos. A imagem que perdurou foi a do tecido em movimento, dobrando-se como matéria viva, ecoando a investigação de Benglis sobre a transformação da superfície em volume.
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| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.10 | neutral |
Dior triunfa com Anderson: a maison confirma sua liderança em alta-costura com uma coleção que mescla arte e artesanato, e a escolha de Taylor Swift prova a nova direção.
Usando superlativos e enfatizando as referências artísticas e o endosso de celebridades como validação, o bloco constrói uma narrativa de sucesso inevitável.
O bloco omite qualquer perspectiva crítica sobre a coleção ou as motivações comerciais por trás do acordo do vestido de noiva de Taylor Swift, bem como o fato de que o vestido não foi mostrado publicamente.
Anderson tenta reorientar a atenção para a alta-costura, não para a fofoca do casamento. A coleção é o verdadeiro evento.
Ao enquadrar o vestido de noiva como uma distração e a coleção como o trabalho substancial, o bloco usa um contraste para afirmar a primazia do artístico sobre o comercial.
O bloco omite a recepção triunfal da coleção e a importância do endosso de Taylor Swift para a estratégia de marca da Dior.
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