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Mídia e Entretenimentoquarta-feira, 8 de julho de 2026

A porta azul e o êxodo: o ano em que o K-pop se despediu de vários dos seus rostos

De Seul à Cidade do México, 2026 concentrou saídas e reconfigurações que alteram o mapa de grupos como NCT, ENHYPEN e ZEROBASEONE, enquanto o público lusófono acompanha cada anúncio com luto e expectativa.

No dia 15 de março, o KSPO Dome de Seul foi palco de uma despedida coreografada até ao último gesto. Os nove membros dos ZEROBASEONE, grupo nascido de um reality show com data de validade anunciada, encerraram o seu ciclo com um espetáculo em que cada um saiu de cena por uma única porta azul, construída para a ocasião. O simbolismo não era subtil, mas a comoção dos fãs também não: quatro dos integrantes regressaram à agência YH Entertainment e, semanas depois, já se preparavam para estrear um novo projeto. A porta azul tornou-se, para muitos, a imagem de um ano em que o K-pop viu partir, em catadupa, alguns dos seus nomes mais reconhecíveis.

A 8 de julho, a SM Entertainment confirmou que Winwin, artista chinês de 28 anos, não renovaria o contrato exclusivo e deixaria o NCT e todas as suas subunidades a partir de 9 de julho. A notícia, partilhada na plataforma Weverse, agradecia aos fãs pelo “amor contínuo e apoio inabalável” e sublinhava os mais de dez anos de ligação do cantor à empresa, desde os tempos de trainee. Winwin, que debutara em 2016 no NCT 127 e mais tarde integrara o WayV, estava afastado das atividades musicais desde 2021, quando se mudou para a China, abriu o seu próprio estúdio e se lançou como ator em dramas como “Sweet Games” e “Snowfall”. A sua saída junta-se às de Mark Lee, que em abril deixou o NCT e as subunidades NCT 127 e NCT Dream para fundar a sua própria editora, a Upper Room, e de Lucas, que também abandonou o grupo no mesmo mês. Ainda em abril, o tailandês Ten optou por não renovar a gestão da sua carreira a solo com a SM, mas manteve-se no NCT e no WayV para as atividades coletivas — uma solução híbrida que, na perspetiva de observadores em Seul, pode tornar-se um modelo para artistas que querem autonomia criativa sem romper totalmente com o grupo.

O fenómeno não se limitou ao universo NCT. A 10 de março, a Belift Lab, subsidiária da HYBE, anunciou que Heeseung, o vocalista principal dos ENHYPEN, deixaria o grupo para se concentrar numa carreira a solo, adotando o nome artístico EVAN. A decisão surgiu apenas dois meses depois de o grupo ter vendido 1,65 milhões de cópias do EP “The Sin: Vanish” no primeiro dia, o que, segundo analistas da indústria em Tóquio e Los Angeles, ilustra a pressão para que os ídolos procurem caminhos individuais mesmo no auge comercial. Já os KARD, grupo misto que desde 2017 construiu uma base de fãs global com uma sonoridade que cruza ritmos latinos, EDM e hip-hop, anunciaram a dissolução definitiva após o lançamento do álbum “Where To Now? (Part.2): NOWHERE”, a 28 de julho, e uma última digressão mundial. A DSP Media falou em “discussões longas e ponderadas”, mas o desfecho ecoa uma tendência mais ampla: o fim dos contratos de sete ou dez anos que, em 2026, coincide com o regresso de vários membros do serviço militar obrigatório e com a renegociação de vínculos que já não se limitam à Coreia do Sul.

Para o público lusófono, estas mudanças são vividas com uma intensidade particular. No Brasil, onde os ENHYPEN se apresentam pela primeira vez em julho, com três noites na Arena CDMX e um espetáculo ao ar livre no Campo Marte, a saída de Heeseung foi recebida com uma mistura de choque e apoio ao novo projeto de EVAN. Em Portugal e em Angola, as comunidades de fãs acompanham cada comunicado através de traduções instantâneas nas redes sociais, e a partida de Winwin reacendeu o debate sobre a sustentabilidade de carreiras transnacionais num sistema que, segundo académicos em Lisboa, ainda assenta numa lealdade quase absoluta à agência. A digressão “Blood Saga” dos ENHYPEN, que passará pelo México em pleno ambiente do Mundial de 2026, mostra como o K-pop se entrelaça cada vez mais com eventos globais, mas também como as ausências são sentidas: o alinhamento dos concertos já não inclui as canções que tinham Heeseung como peça central, e os fãs cantam as partes vazias como um ato de memória coletiva.

A 24 de agosto, os NCT 127 regressarão com o seu sétimo álbum de estúdio, mas fá-lo-ão com apenas cinco membros ativos: Johnny, Taeyong, Yuta, Jaehyun e Haechan. Doyoung e Jungwoo ainda cumprem o serviço militar, e Mark já não está lá. A imagem que fica é a de um palco onde as marcas dos que partiram são preenchidas por vozes do público — e por uma porta azul que, ao fechar-se, deixa entrever outras que se abrem.

Divergência — quem conta como
Eixo: Industry Critique vs. Fan Enthusiasm
40%Média
2 blocos · posições de 0.00 a +0.80
Chinese skeptical pressLatin American celebratory press
ATLLAT
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa atlântica / anglosfera0.00neutral
Imprensa latino-americana+0.80aligned
Imprensa atlântica / anglosfera0.00
Voz

A saída é uma decisão comercial normal dentro da indústria K-pop em evolução.

Mecanismouniversalizzazione

Ao listar múltiplas saídas e um novo programa de talentos, a narrativa normaliza o evento como parte de um ciclo, reduzindo seu impacto dramático.

Omissão

Omite o sucesso de atuação de WinWin na China e a perspectiva crítica sobre a longevidade dos ídolos, apresentando a saída como puramente contratual.

PragmatismoDistanciamento
Imprensa latino-americana+0.80
Voz

A chegada do ENHYPEN ao México é um momento histórico para o K-pop e seus fãs.

Mecanismodiversione promozionale

O artigo usa a demanda dos fãs e múltiplas datas de concertos para criar uma narrativa de sucesso avassalador e triunfo cultural.

Omissão

Ignora completamente as notícias de saídas do K-pop, focando exclusivamente em um evento positivo para evitar manchar a imagem do gênero.

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

A porta azul e o êxodo: o ano em que o K-pop se despediu de vários dos seus rostos

De Seul à Cidade do México, 2026 concentrou saídas e reconfigurações que alteram o mapa de grupos como NCT, ENHYPEN e ZEROBASEONE, enquanto o público lusófono acompanha cada anúncio com luto e expectativa.

No dia 15 de março, o KSPO Dome de Seul foi palco de uma despedida coreografada até ao último gesto. Os nove membros dos ZEROBASEONE, grupo nascido de um reality show com data de validade anunciada, encerraram o seu ciclo com um espetáculo em que cada um saiu de cena por uma única porta azul, construída para a ocasião. O simbolismo não era subtil, mas a comoção dos fãs também não: quatro dos integrantes regressaram à agência YH Entertainment e, semanas depois, já se preparavam para estrear um novo projeto. A porta azul tornou-se, para muitos, a imagem de um ano em que o K-pop viu partir, em catadupa, alguns dos seus nomes mais reconhecíveis.

A 8 de julho, a SM Entertainment confirmou que Winwin, artista chinês de 28 anos, não renovaria o contrato exclusivo e deixaria o NCT e todas as suas subunidades a partir de 9 de julho. A notícia, partilhada na plataforma Weverse, agradecia aos fãs pelo “amor contínuo e apoio inabalável” e sublinhava os mais de dez anos de ligação do cantor à empresa, desde os tempos de trainee. Winwin, que debutara em 2016 no NCT 127 e mais tarde integrara o WayV, estava afastado das atividades musicais desde 2021, quando se mudou para a China, abriu o seu próprio estúdio e se lançou como ator em dramas como “Sweet Games” e “Snowfall”. A sua saída junta-se às de Mark Lee, que em abril deixou o NCT e as subunidades NCT 127 e NCT Dream para fundar a sua própria editora, a Upper Room, e de Lucas, que também abandonou o grupo no mesmo mês. Ainda em abril, o tailandês Ten optou por não renovar a gestão da sua carreira a solo com a SM, mas manteve-se no NCT e no WayV para as atividades coletivas — uma solução híbrida que, na perspetiva de observadores em Seul, pode tornar-se um modelo para artistas que querem autonomia criativa sem romper totalmente com o grupo.

O fenómeno não se limitou ao universo NCT. A 10 de março, a Belift Lab, subsidiária da HYBE, anunciou que Heeseung, o vocalista principal dos ENHYPEN, deixaria o grupo para se concentrar numa carreira a solo, adotando o nome artístico EVAN. A decisão surgiu apenas dois meses depois de o grupo ter vendido 1,65 milhões de cópias do EP “The Sin: Vanish” no primeiro dia, o que, segundo analistas da indústria em Tóquio e Los Angeles, ilustra a pressão para que os ídolos procurem caminhos individuais mesmo no auge comercial. Já os KARD, grupo misto que desde 2017 construiu uma base de fãs global com uma sonoridade que cruza ritmos latinos, EDM e hip-hop, anunciaram a dissolução definitiva após o lançamento do álbum “Where To Now? (Part.2): NOWHERE”, a 28 de julho, e uma última digressão mundial. A DSP Media falou em “discussões longas e ponderadas”, mas o desfecho ecoa uma tendência mais ampla: o fim dos contratos de sete ou dez anos que, em 2026, coincide com o regresso de vários membros do serviço militar obrigatório e com a renegociação de vínculos que já não se limitam à Coreia do Sul.

Para o público lusófono, estas mudanças são vividas com uma intensidade particular. No Brasil, onde os ENHYPEN se apresentam pela primeira vez em julho, com três noites na Arena CDMX e um espetáculo ao ar livre no Campo Marte, a saída de Heeseung foi recebida com uma mistura de choque e apoio ao novo projeto de EVAN. Em Portugal e em Angola, as comunidades de fãs acompanham cada comunicado através de traduções instantâneas nas redes sociais, e a partida de Winwin reacendeu o debate sobre a sustentabilidade de carreiras transnacionais num sistema que, segundo académicos em Lisboa, ainda assenta numa lealdade quase absoluta à agência. A digressão “Blood Saga” dos ENHYPEN, que passará pelo México em pleno ambiente do Mundial de 2026, mostra como o K-pop se entrelaça cada vez mais com eventos globais, mas também como as ausências são sentidas: o alinhamento dos concertos já não inclui as canções que tinham Heeseung como peça central, e os fãs cantam as partes vazias como um ato de memória coletiva.

A 24 de agosto, os NCT 127 regressarão com o seu sétimo álbum de estúdio, mas fá-lo-ão com apenas cinco membros ativos: Johnny, Taeyong, Yuta, Jaehyun e Haechan. Doyoung e Jungwoo ainda cumprem o serviço militar, e Mark já não está lá. A imagem que fica é a de um palco onde as marcas dos que partiram são preenchidas por vozes do público — e por uma porta azul que, ao fechar-se, deixa entrever outras que se abrem.

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Ao listar múltiplas saídas e um novo programa de talentos, a narrativa normaliza o evento como parte de um ciclo, reduzindo seu impacto dramático.

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Omite o sucesso de atuação de WinWin na China e a perspectiva crítica sobre a longevidade dos ídolos, apresentando a saída como puramente contratual.

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A chegada do ENHYPEN ao México é um momento histórico para o K-pop e seus fãs.

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