
EUA retiram forças adicionais da Nigéria, mas mantêm cooperação de inteligência contra o Estado Islâmico
A retirada anunciada pelo comando militar dos EUA em África refere-se apenas às tropas enviadas para uma operação específica na bacia do Lago Chade, permanecendo um contingente de cerca de 200 militares para treino e partilha de informações.
Os Estados Unidos retiraram a maioria das forças destacadas para a operação conjunta que, em maio, eliminou o número dois do Estado Islâmico a nível global, Abu-Bilal al-Minuki, na bacia do Lago Chade, no nordeste da Nigéria. O anúncio foi feito pelo general Dagvin Anderson, comandante do Comando dos EUA para África (AFRICOM), à margem da Conferência de Chefes de Defesa Africanos, que decorreu em Luanda com a participação de 35 países, incluindo o Brasil. Contudo, o quartel-general da defesa nigeriana clarificou que a retirada incide apenas sobre as forças suplementares mobilizadas para aquela missão, e que cerca de 200 militares norte-americanos permanecem no país para operações de partilha de informações e treino.
Na perspetiva de Washington, a operação ilustra um modelo de cooperação em que os parceiros africanos assumem a liderança das ações de segurança, enquanto os EUA fornecem capacidades especializadas, como inteligência e apoio logístico. O general Anderson afirmou que a colaboração com a Nigéria “degradou significativamente” a liderança do Estado Islâmico, com efeitos que se estendem para além da África Ocidental, perturbando as redes de comunicação e recrutamento do grupo. Abuja, por sua vez, sublinha que a parceria permanece inalterada e que a retirada não afetará a dinâmica operacional das suas forças, que continuam a realizar ações contra os insurgentes.
Observadores em Lisboa notam que o modelo de intervenção cirúrgica seguido de retirada, mantendo um núcleo de assessoria, replica a abordagem adotada noutros teatros do Sahel e pode ser replicado em contextos como Moçambique, onde a insurgência em Cabo Delgado também tem atraído atenção internacional. A conferência de Luanda, que juntou chefes militares africanos, representantes dos EUA e do Brasil, reforçou a tónica na partilha de informações e na ligação entre segurança e desenvolvimento económico, temas centrais para a estabilidade da África Austral e do Golfo da Guiné.
A operação na bacia do Lago Chade foi precedida por um ataque aéreo norte-americano no dia de Natal, ordenado pelo então presidente Donald Trump, que alegou que os militantes visavam cristãos — uma narrativa rejeitada por Abuja, que insiste na complexidade da violência que afeta todas as comunidades. Apesar do êxito tático, a ameaça jihadista persiste no nordeste nigeriano, onde grupos como o Boko Haram e a Província do Estado Islâmico na África Ocidental continuam a realizar ataques. A continuação da partilha de informações entre os dois países é apontada como o principal instrumento para sustentar a pressão sobre as estruturas remanescentes do grupo, sem que estejam previstos, para já, novos destacamentos de forças norte-americanas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Estados Unidos retiraram a maioria das forças enviadas para uma operação específica contra o ISIS na Nigéria, depois de matar um alto líder global do grupo. A partilha de informações prossegue a pedido de Abuja, enquadrando o episódio como uma intervenção limitada e eficaz, e não como uma presença permanente.
Autoridades de defesa nigerianas esclareceram que as tropas retiradas pertenciam apenas a uma missão temporária na bacia do Lago Chade, e não aos 200 militares que realizam atividades conjuntas de inteligência e treinamento. A parceria de segurança mais ampla com os Estados Unidos permanece inalterada, corrigindo o que consideram uma narrativa enganosa da mídia estrangeira.
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