
A lacuna entre estratégia e execução trava a transformação digital nas organizações
Estudo global revela que 90% dos executivos admitem fracassar em metas estratégicas por má execução, enquanto a liquidez dos dados e a cultura adaptativa emergem como respostas.
Um estudo da Economist Intelligence Unit indica que 90% dos executivos de grandes empresas a nível global reconhecem não atingir os objetivos estratégicos devido a uma execução deficiente, e não por falta de visão ou talento. A constatação ecoa em diferentes geografias: na Suécia, consultores identificam uma “crescente lacuna entre a pressão para a mudança e a capacidade de implementação”; em Portugal, a escassez de profissionais de TIC pressiona empresas a buscar escala via aquisições, como a compra da Syffer pelo grupo LUZA. O diagnóstico é transversal: o problema não está no plano, mas no caminho entre o dito e o feito.
A raiz da falha, segundo analistas no México e na Suécia, reside na falta de clareza nas prioridades, na ausência de acompanhamento rigoroso e na diluição da responsabilização. Dados da FranklinCovey mostram que apenas 15% dos funcionários conseguem enunciar os objetivos da sua organização. Na Suécia, o livro “Förändringens fem fallgropar” mapeia cinco armadilhas: metas difusas, desconsideração do diálogo, falta de patrocínio interno, recursos insuficientes e encerramento precoce dos projetos. A estas soma-se, na perspetiva de académicos indonésios, a rigidez cultural: sem uma cultura organizacional adaptativa, que promova a aprendizagem contínua, a transformação digital esbarra em resistências internas.
No setor financeiro, a exigência de execução é ampliada pela velocidade dos dados. Observadores no México cunharam o conceito de “liquidez do dado” — a capacidade de fazer a informação correta fluir, de forma segura e contextualizada, até quem decide. A inteligência artificial é apontada como aliada, mas a sua eficácia depende da qualidade dos dados e de uma governação robusta, alertam analistas latino-americanos. Enquanto isso, na Indonésia, o crescimento das transações digitais (42,86% em abril de 2026, para 5,15 mil milhões de operações) é acompanhado por um aumento de fraudes: o centro nacional antigolpes recebeu quase 580 mil denúncias desde novembro de 2024. A resposta regulatória, com a obrigação de estratégias antifraude integradas, ilustra como a execução também é questão de segurança e confiança.
A experiência do setor bancário islâmico indonésio oferece um contraponto: o crescimento de dois dígitos dos ativos convive com um índice de financiamento problemático (NPF) bruto de apenas 2,28%, sinal de que sistemas de gestão de risco amadureceram. Contudo, a mesma fonte adverte que a saúde dos grandes bancos não reflete a realidade das instituições micro, onde o NPF pode atingir 45%. A lição é que a execução de qualidade exige capilaridade. O próximo marco a observar será a capacidade de as organizações traduzirem os investimentos em tecnologia e em formação de talentos (como os cursos de fintech na Indonésia ou a integração de competências em Portugal) em processos decisórios mais ágeis e culturas internas genuinamente adaptativas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Digital transformation is stalling because public policies and market incentives fail to turn strategies into concrete results. Structural reforms are needed to accelerate growth and innovation, otherwise the gap between ambition and execution will widen.
Digital transformation in Latin America is held back by local implementation issues, such as weak infrastructure and conflicting priorities. Progress is fragmented and often limited to specific sectors, while the overall picture remains uncertain.
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