
Esperança e luto sob os escombros na Venezuela: criança perde sinais vitais, chefe de polícia resiste
Nove dias após o duplo sismo, o destino do menino Fabio, de 9 anos, permanece incerto, enquanto o vice-almirante Gustavo Romero Matamoros comunica em código Morse sob um edifício colapsado.
As operações de resgate no litoral norte da Venezuela concentram-se em dois pontos emblemáticos da tragédia: o edifício Tahiti, em Caraballeda, onde o menino Fabio Bastardo, de 9 anos, está soterrado desde 24 de junho, e o condomínio Oasis Beach, em Catia La Mar, onde o chefe da polícia do estado de La Guaira, vice-almirante Gustavo Romero Matamoros, resiste com vida. De acordo com equipes internacionais que atuam no local, Romero conseguiu restabelecer contato por meio de batidas em código Morse e estaria acompanhado de outras vinte pessoas presas nos destroços.
O balanço oficial mais recente, divulgado pelo Ministério do Poder Popular para as Comunicações e Informação e repercutido pela imprensa italiana, aponta 2.645 mortos, 12.666 feridos e 15.050 deslocados. As autoridades venezuelanas contabilizam ainda 189 edifícios colapsados e 885 danificados, enquanto mais de 29.500 operacionais e 3.305 socorristas internacionais, incluindo equipas de El Salvador, Argentina e Espanha, trabalham na remoção de escombros. A dimensão da catástrofe levou a Organização Mundial da Saúde a alertar para o risco de surtos de sarampo e outras doenças infecciosas, agravado pela baixa cobertura vacinal e pelas condições precárias nos abrigos.
Sobre o paradeiro de Fabio, as informações são contraditórias. Socorristas citados pela agência Efe e por veículos da imprensa espanhola e italiana afirmam que, após o uso de sonares, georadares, cães e drones térmicos, “não foram detectados sinais de vida”. O pai, Francisco Bastardo, marinheiro que estava no estreito de Ormuz no momento do sismo e acompanhava a família por videochamada, insiste que o filho respondeu a chamados com assobios e pancadas até a manhã de sexta-feira. “Sinto no coração que Fabio segue vivo”, declarou à Efe, enquanto a avó materna denunciava que as equipas anteriores haviam abandonado as buscas. A imprensa brasileira, por meio da CNN Brasil, reportava ainda na sexta-feira que os socorristas intensificavam os esforços para salvar a criança, sem confirmar o óbito.
A gestão da crise gerou tensões. A presidente interina, Delcy Rodríguez, em conferência de imprensa com uma braçadeira negra de luto, defendeu a resposta do governo como “imediata e coordenada”, atribuindo os atrasos iniciais aos danos em aeroportos e estradas, e classificou as críticas como tentativas de “politizar uma crise humanitária”. No entanto, relatos da imprensa internacional, incluindo a enviada da CNN Internacional, documentaram a falta de combustível para escavadoras e a paralisação de máquinas pesadas, enquanto familiares escavavam com as mãos. A detenção do líder dos socorristas voluntários, Wilmer Antonio Cruz, conhecido como “El Topo”, após denunciar publicamente a ineficiência oficial, foi noticiada por veículos italianos, mas não houve confirmação das autoridades. As operações prosseguem em ritmo de urgência, com a estrutura dos edifícios a apresentar novas fissuras e deslocamentos, num cenário que os especialistas descrevem como “perigo iminente e total”.
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