
Atividade de serviços desacelera globalmente em junho com impacto de conflitos geopolíticos
Índices PMI recuam nos EAU, Reino Unido, Rússia e Índia, pressionados por custos elevados, incerteza geopolítica e enfraquecimento da procura, enquanto o emprego contrai em várias economias.
O setor de serviços e a economia não petrolífera de várias regiões registaram em junho uma perda de ímpeto, com os índices de gestores de compras (PMI) a revelarem a expansão mais fraca em mais de cinco anos nos Emirados Árabes Unidos e contrações no Reino Unido e na Rússia. O PMI dos EAU caiu para 50,8, o valor mais baixo desde fevereiro de 2021, enquanto o índice britânico desceu para 48,8, o segundo mês consecutivo em contração e o ritmo de queda mais acentuado em três anos e meio. Na Rússia, o PMI de serviços recuou para 48,2, a terceira contração mensal consecutiva, e na Índia o indicador caiu para 57,4, um mínimo de 17 meses, embora permaneça confortavelmente acima do limiar de 50 que separa expansão de contração.
O abrandamento reflete um conjunto de pressões comuns, com o conflito no Médio Oriente a ser citado como fator de perturbação nas cadeias de abastecimento, de aumento de custos e de retração da confiança dos clientes. Nos EAU, a desaceleração foi atribuída a decisões de despesa adiadas e a uma atividade turística contida, apesar do suporte do investimento público e do consumo interno. No Reino Unido, a incerteza política interna, incluindo a demissão do primeiro-ministro, agravou o sentimento de aversão ao risco. Na Rússia, a queda da procura foi associada à perda de poder de compra, enquanto na Índia a concorrência interna e o menor interesse dos clientes travaram as novas encomendas, ainda que as exportações de serviços tenham registado o ritmo mais rápido em três meses.
O mercado de trabalho foi o elo mais visível da pressão sobre as empresas. O emprego contraiu nos EAU pela primeira vez em mais de quatro anos, ao ritmo mais rápido desde agosto de 2020, e no Reino Unido e na Rússia os cortes de postos de trabalho aceleraram. Na Índia, as contratações foram praticamente suspensas, com as empresas a considerarem o quadro de pessoal suficiente para a carga de trabalho atual. Os custos dos fatores de produção continuaram elevados, impulsionados por transportes, matérias-primas e energia, mas as empresas mostraram capacidade limitada de transferir esses aumentos para os preços de venda, comprimindo margens num contexto de concorrência acrescida.
Apesar do arrefecimento, há sinais de alívio nas cadeias de abastecimento. O estreitamento de estrangulamentos no Estreito de Ormuz permitiu uma melhoria dos prazos de entrega nos EAU, e a redução das tensões geopolíticas poderá, na perspetiva de analistas do Golfo, apoiar uma recuperação gradual da procura. Contudo, a cautela dos clientes persiste e as empresas ajustaram a capacidade instalada, o que sugere que uma retoma do setor não petrolífero será lenta. Os próximos dados de atividade e as decisões de política monetária dos bancos centrais serão observados para avaliar se o arrefecimento se prolonga ou se a dissipação dos choques geopolíticos permite estabilizar a confiança.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O crescimento do setor de serviços da Índia desacelerou para uma mínima de 17 meses em junho, mas permaneceu confortavelmente acima do limiar de expansão. A desaceleração aponta para uma demanda interna mais fraca, mas não sinaliza contração, mantendo as perspectivas cautelosamente positivas.
A atividade do setor de serviços russo contraiu-se ainda mais em junho, com o declínio acelerando para o ritmo mais rápido desde o final de 2022. A queda do poder de compra e o enfraquecimento da demanda forçaram as empresas a reduzir o quadro de funcionários, aprofundando a desaceleração.
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