
Exportações do Golfo disparam e pressionam petróleo para mínimos do pré-guerra
Com a reabertura do Estreito de Ormuz, a oferta supera a demanda fraca, e analistas preveem Brent a US$ 60 até o final do ano.
As exportações combinadas de petróleo dos cinco principais produtores do Golfo Pérsico ultrapassaram os 10 milhões de barris por dia em junho, um salto de mais de 3 milhões face a maio, devolvendo os preços internacionais aos níveis anteriores ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão. O Brent, referência global, recuou para a casa dos 71 dólares, acumulando uma queda de 30% no segundo trimestre e anulando por completo o prémio de guerra. O movimento foi impulsionado pelo memorando de entendimento que suspendeu as hostilidades e permitiu a retoma do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, com o número de travessias a atingir o máximo desde o início dos combates.
Os Emirados Árabes Unidos lideraram a recuperação, com embarques recorde de 3,7 a 3,8 milhões de barris diários, libertando crude que estivera retido no Golfo. A Arábia Saudita elevou as exportações para 4,5 milhões e o Kuwait para 1,65 milhões, enquanto o Iraque e o Irão também registaram aumentos expressivos. Apesar da normalização logística, o excesso de oferta já se reflete na estrutura do mercado, que passou de backwardation para contango, sinal de que a perceção de escassez se desvaneceu. Cerca de 23 milhões de barris ainda aguardam trânsito no estreito, mas o pico de armazenagem flutuante de 96 milhões registado em abril ficou para trás.
Do lado da procura, a China, maior importador mundial, reduziu as compras de crude iraniano para metade em junho, preferindo recorrer às suas reservas recorde. A Índia, vista como potencial destino alternativo, mantém-se à margem enquanto aguarda esclarecimentos de Washington sobre pagamentos em dólares. Em Wall Street, bancos como o Citigroup e o Goldman Sachs preveem que o mercado caminha para um excedente, com o Citi a projetar o Brent entre 60 e 65 dólares no final do ano e a recomendar a venda de eventuais repiques de verão. A instituição avalia que os incentivos para manter o cessar-fogo superam os riscos de rutura, tanto para Washington como para Teerão.
A dinâmica de oferta é amplificada pela saída dos Emirados da OPEP em maio, o que lhes confere liberdade total de produção, e pelas ameaças do Iraque de abandonar o grupo caso não obtenha uma quota maior. A Rússia, por seu lado, elevou as exportações para máximos históricos ao desviar crude que as refinarias danificadas por ataques ucranianos não conseguem processar. A OPEP+ reúne-se este domingo por videoconferência para discutir os limites de produção de agosto, sendo esperado um novo aumento simbólico de 188 mil barris diários, a penúltima etapa de um plano de normalização que, na prática, já está a ser ultrapassado pelos acontecimentos no terreno.
O próximo marco factual será o desfecho das negociações entre os EUA e o Irão para converter a trégua temporária de 60 dias num acordo duradouro. Até lá, a janela de exportação iraniana permanece frágil: o Departamento do Tesouro autorizou vendas e pagamentos em dólares até 21 de agosto, mas uma eventual interrupção das conversações poderia levar ao encerramento antecipado dessa exceção, deixando milhões de barris iranianos novamente sem destino.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Em apenas duas semanas após o fim do bloqueio naval, o Irã inundou o mercado com 50 milhões de barris de petróleo bruto, embolsando cerca de 3,5 bilhões de dólares. A isenção de 60 dias do Tesouro dos EUA, permitindo pagamentos em dólares, tornou isso possível, levantando questões sobre o real impacto do memorando de paz.
Os preços do petróleo se mantiveram estáveis acima de US$ 71 enquanto os mercados aguardavam o resultado das conversações diplomáticas entre Irã e EUA. Os operadores esperam que as negociações reduzam as tensões no Oriente Médio, com volumes de negociação reduzidos devido ao feriado americano.
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