
George Lucas pede para sair da vitrine: o regresso dos Minions e a nostalgia de Hollywood
Enquanto a nova aventura dos Minions presta tributo à era de ouro do cinema mudo, Dwayne Johnson deixa escapar no Rio de Janeiro que Moana 3 já está a caminho.
Dentro de uma caixa de vidro, num museu dedicado à história do cinema, uma figura familiar gesticula e pede, com a voz abafada, que a deixem sair. Não é uma estátua de cera, mas o próprio George Lucas, criador de Star Wars, que interpreta a si mesmo numa curta aparição em Minions & Monsters, o novo filme da franquia Meu Malvado Favorito. A cena, que abre a narrativa, funciona como um cartão de visita: a produção da Illumination Entertainment mergulha na Hollywood dos anos 1920 para contar como as criaturas amarelas se tornaram estrelas do cinema mudo e, mais tarde, enfrentaram a transição para o sonoro.
A escolha do período não é apenas cenográfica. O argumento, assinado por Pierre Coffin e Brian Lynch, semeia o ecrã com referências que vão de Charlie Chaplin e Buster Keaton a Orson Welles e Humphrey Bogart. Num dos momentos mais celebrados pela crítica internacional, os Minions recriam a célebre sequência de Citizen Kane, enquanto noutro tentam, sem sucesso, repetir o diálogo de Casablanca na sua inconfundível algaravia. A própria indumentária dos protagonistas ganha uma explicação inédita: os icónicos macacões azuis não são um uniforme de trabalho, mas o resultado de uma excentricidade de um dos personagens, revela o filme. Em paralelo, a produção introduz Goomi, uma criatura verde inspirada no universo de H. P. Lovecraft, a quem o artista mexicano Abelito empresta a voz.
A vaga de revisitação do passado não se esgota nos Minions. A poucos dias da estreia mundial da versão live-action de Moana, a 9 de julho, Dwayne Johnson, que volta a encarnar o semideus Maui, confirmou durante uma ação promocional no Rio de Janeiro que a Disney já trabalha numa terceira animação da saga. “Sim, falámos de Moana 3”, disse o ator, acrescentando que os argumentistas Jared Bush e Dana Ledoux Miller estão a escrever o guião. A declaração, captada por jornalistas brasileiros, foi recebida como uma confirmação extraoficial de que o estúdio pretende prolongar o sucesso da segunda parte, que arrecadou mais de mil milhões de dólares em todo o mundo. A nova versão com atores reais, realizada por Thomas Kail, estreia Catherine Laga’aia no papel principal e foi filmada em cenários naturais da Oceânia.
A mesma lógica de resgate de propriedades intelectuais com forte lastro afetivo explica o anúncio de Camp Rock 3, que a Disney+ agendou para 13 de agosto de 2026. Os Jonas Brothers regressam como os irmãos Gray, mas a grande interrogação entre os fãs lusófonos — e não só — é a ausência de Demi Lovato no elenco, ainda que a cantora figure como produtora executiva. A nova história introduz uma competição musical no acampamento que deu nome à saga, com um elenco renovado que inclui Liamani Segura e Malachi Barton. Observadores em Lisboa e São Paulo notam que a estratégia dos estúdios parece cada vez mais ancorada na familiaridade das marcas, num momento em que as salas de cinema disputam a atenção do público com as plataformas de streaming.
No final de Minions & Monsters, George Lucas regressa ao ecrã, mudo, mas com um sorriso cúmplice. O produtor Chris Meledandri revelou que o cineasta já lhe falou sobre o papel que gostaria de desempenhar no próximo filme dos Minions. A imagem do criador de uma galáxia muito, muito distante a pedir licença para entrar numa franquia bilionária é, talvez, o emblema mais exato deste momento de Hollywood: um lugar onde o passado nunca termina, apenas aguarda a sua próxima deixa.
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