
Trump afirma que Cuba se aproxima dos EUA em meio a pressão econômica e militar
Declaração ocorre após novas sanções e bloqueio energético, enquanto Havana adota reformas de mercado e Washington discute abertamente a mudança de regime na ilha.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quarta-feira que Cuba “está se aproximando” da órbita norte-americana, durante a inauguração da Biblioteca Presidencial de Theodore Roosevelt em Medora, Dakota do Norte. A afirmação surge uma semana depois de o governo de Miguel Díaz-Canel ter aprovado um pacote de reformas econômicas com elementos de mercado, e no contexto de um endurecimento sem precedentes das sanções de Washington. Para a administração Trump, a aproximação cubana resulta de uma estratégia de pressão máxima que combina embargo financeiro, bloqueio energético total desde janeiro e presença militar naval. Havana, por sua vez, descreve as medidas como uma tentativa de aliviar uma crise social que, segundo relatos da imprensa internacional, mergulhou a ilha em apagões diários e paralisou o transporte.
Fontes da imprensa russa e europeia sublinham que a estratégia de Washington vai além da pressão econômica. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, terá mencionado a possibilidade de sequestrar o presidente cubano, de acordo com a agência russa Lenta.ru, enquanto o diário francês Le Figaro detalha a presença do porta-aviões USS Nimitz e do seu grupo de ataque no Caribe desde maio. Trump já havia afirmado em março que gostaria de “se apoderar” de Cuba e, em junho, confirmou a intenção de promover uma mudança de regime após a resolução do conflito com o Irão. A detenção de um suposto agente subversivo cubano nos EUA, anunciada pelo Departamento de Estado no mesmo dia da declaração presidencial, reforça a dimensão de confronto bilateral.
A crise cubana é observada com atenção no mundo lusófono. Em Brasília, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que historicamente condena o embargo e mantém canais de diálogo com Havana, ainda não se pronunciou oficialmente, mas diplomatas avaliam que uma escalada poderia afetar a estabilidade regional. Lisboa, que preside atualmente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acompanha a situação com cautela, segundo analistas, devido aos laços históricos e à presença de uma comunidade cubana em Portugal. Em Luanda e Maputo, a memória da intervenção militar cubana na guerra civil angolana confere à crise uma dimensão simbólica, ao mesmo tempo que gera preocupação com um eventual agravamento da crise migratória no Atlântico.
A Casa Branca não esconde a intenção de forçar uma mudança de regime, mas o calendário permanece incerto, condicionado pela evolução de outros conflitos, como o do Irão. Entretanto, o governo cubano prossegue com as reformas internas, que incluem a abertura a investimentos estrangeiros e a legalização de pequenas e médias empresas privadas, num esforço para estabilizar uma economia descrita por observadores como à beira do colapso. A próxima etapa poderá incluir novas sanções ou um eventual diálogo, mas, por ora, o impasse persiste, com a ilha a oscilar entre a pressão externa e a transformação interna.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump afirma que Cuba está se aproximando da órbita dos EUA, mas sua declaração contrasta com o aperto das sanções. A retórica da reaproximação mascara uma estratégia de pressão econômica para subjugar a ilha. As recentes reformas cubanas são retratadas como uma resposta forçada, não como um alinhamento voluntário.
Os Estados Unidos estão a levar a cabo uma estratégia multifacetada de pressão económica, diplomática e militar para derrubar o regime cubano. A afirmação de Trump de que Cuba se aproxima da órbita americana insere-se nesta campanha coerciva, que inclui um embargo reforçado e presença naval. A análise vê nisto uma tentativa calculada de explorar a vulnerabilidade económica da ilha.
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