
Indonésia faz história no vôlei asiático e ajusta rota para os Jogos de 2026
Título inédito no AVC Men's Cup sobre a Coreia do Sul eleva a moral, enquanto o país se prepara para sediar o boxe continental e persegue quatro ouros em Aichi-Nagoya.
A seleção masculina de vôlei da Indonésia conquistou no domingo, em Ahmedabad, o inédito título do AVC Men's Volleyball Cup ao derrotar a Coreia do Sul por 3 sets a 0 (34-32, 25-16, 25-23). A vitória, construída com autoridade diante de uma potência tradicional do continente, foi recebida em Jacarta como o início de uma nova tradição competitiva. O ministro da Juventude e Desportos, Erick Thohir, afirmou que o feito deve servir de alicerce para melhorar o desempenho nos Jogos Asiáticos e nos Jogos do Sudeste Asiático de 2027, ecoando a ambição de transformar um resultado isolado em legado duradouro.
O triunfo no vôlei contrasta com a cautela que marca a preparação para os Jogos Asiáticos de Aichi-Nagoya, em setembro. Apesar de enviar cerca de 420 atletas em 32 modalidades, a meta oficial é de apenas quatro medalhas de ouro — número inferior às sete obtidas na edição anterior, quando três provas de tiro e remo já não fazem parte do programa. O governo destinou 61 mil milhões de rupias (cerca de 3,5 milhões de euros) ao Comité Olímpico Indonésio e o chefe de missão, Todotua Pasaribu, anunciou a abertura de parcerias com o setor privado para complementar o financiamento. No tabuleiro regional, o Irão inscreveu 282 atletas, enquanto o Japão, anfitrião, e a China mantêm-se como favoritos.
Paralelamente, a Indonésia reforça a sua credibilidade como organizadora. A Federação Asiática de Boxe entregou a Jacarta a realização do Campeonato Asiático Sub-19 e Sub-23, entre 3 e 16 de julho, sob as novas regras da World Boxing, federação reconhecida pelo COI após o rompimento com a IBA. O presidente da Perbati, Ray Zulham Farras Nugraha, classificou a escolha como “validação do ecossistema” e prometeu transparência e sport science. O secretário-geral do Comité Olímpico Indonésio, Wijaya Noeradi, detalhou em tribunal que a mudança de afiliação internacional foi uma obrigação estatutária, e não uma tomada de posição política, num processo que ainda gera litígios internos.
A governação desportiva também avança no plano doméstico. A preparação do PON 2028, que terá Nusa Tenggara Timur, Nusa Tenggara Barat e DKI Jakarta como sedes, passou a contar com o acompanhamento da Procuradoria-Geral e da agência de controlo financeiro BPKP para garantir eficiência e responsabilidade orçamental. A decisão de não construir novos recintos, por ordem do governo central, levou à inclusão de Jakarta como região de apoio para modalidades que exigem infraestrutura especializada, solução que o presidente do KONI, Marciano Norman, considerou essencial para não sacrificar o nível competitivo.
Enquanto o vôlei masculino se prepara para a Liga do Sudeste Asiático (SEA V League), com etapas nas Filipinas e em Jacarta a partir de 15 de julho, o feminino sub-18 sofreu um revés: derrota por 3-0 para o Japão na estreia do Campeonato Asiático da categoria, ficando na lanterna do Grupo C. A Indonésia tenta agora a recuperação frente ao Irão para manter vivas as hipóteses de qualificação. No padel, o país lança em agosto a sua primeira liga profissional, com clubes-franquia em cinco províncias, num movimento que, segundo os promotores, procura criar identidade local e comunidade em torno de uma modalidade emergente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A vitória da seleção masculina de vôlei da Indonésia na Copa AVC é um marco histórico que valida a estratégia de desenvolvimento esportivo do país. Ela sinaliza uma nova era de ambição e reorganização, com governo e entidades esportivas se unindo para construir um sucesso duradouro. A conquista é vista como um catalisador de excelência e motivo de orgulho nacional.
O Irã, potência tradicional do vôlei asiático, vê a vitória indonésia com ceticismo comedido, observando que ela ocorre em um período de transição para muitas equipes estabelecidas. O resultado é considerado uma anomalia, não uma mudança na hierarquia regional, e as autoridades esportivas iranianas permanecem focadas em seus próprios preparativos para os Jogos Asiáticos. O sucesso indonésio é registrado, mas não é visto como ameaça à dominação de longa data.
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