
Ação judicial coletiva contra StubHub expõe crise na revenda de ingressos da Copa 2026
Fãs processam plataforma por cancelamentos de última hora que deixaram milhares sem entrada, enquanto StubHub e FIFA trocam acusações sobre falhas na infraestrutura digital.
Dois torcedores da Califórnia, Julia Reeker Moghal e Reuben Renteria, apresentaram uma ação coletiva num tribunal federal de Nova Iorque contra a plataforma de revenda StubHub, acusando-a de práticas de venda “falsas e enganosas” que os deixaram sem os ingressos adquiridos para a Copa do Mundo de 2026. A ação, que pede indenização de ao menos US$ 5 milhões e a proibição de a empresa comercializar entradas do torneio, surge após semanas de queixas de consumidores que viajaram para cidades-sede nos EUA, México e Canadá e foram barrados nos estádios.
A StubHub atribui os cancelamentos a “problemas na infraestrutura de venda de ingressos do organizador do evento”, a FIFA, e afirma que sua garantia FanProtect oferece reembolso ou bilhetes substitutos. A FIFA, por sua vez, rejeita qualquer responsabilidade, sublinhando que não tem “visibilidade nem controle” sobre transações no mercado secundário e que sua plataforma oficial — a única que garante a validade dos ingressos — opera de forma confiável. A entidade acrescenta uma taxa de 30% sobre cada ingresso revendido em seu marketplace próprio, o que, segundo analistas do setor na América do Norte, incentiva a migração para revendedores não oficiais.
Na perspetiva de associações de defesa do consumidor nos EUA, a situação expõe a prática da “venda especulativa”, na qual vendedores anunciam bilhetes que ainda não possuem, apostando na queda dos preços. Quando a cotação sobe, cancelam a transação para revender com margem maior, deixando o comprador apenas com o reembolso do ingresso, insuficiente para cobrir gastos com deslocamento e hospedagem. Para torcedores de países lusófonos que planejam assistir ao torneio, o episódio acende um alerta sobre os riscos do mercado secundário, num contexto em que a procura por ingressos supera largamente a oferta oficial.
A Copa de 2026, a primeira com 48 seleções e sediada em três países, adotou um sistema de bilhetes exclusivamente digital, acessível apenas pelo aplicativo da FIFA. A StubHub alega que falhas de desempenho nesse aplicativo prejudicaram as transferências entre plataformas, versão contestada pela entidade. O processo agora aguarda a certificação como ação coletiva, o que poderá ampliar o número de autores para centenas ou milhares de consumidores. A StubHub não comentou o litígio, e a FIFA não se pronunciou diretamente sobre a ação judicial.
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