
Macron anuncia devolução de 51 milhões de euros confiscados a tio de Assad
Visita a Damasco, a primeira de um líder ocidental desde a queda do regime, inclui acordos económicos e apoio ao banco central sírio.
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou em Damasco a devolução de mais de 50 milhões de euros confiscados pela justiça francesa a Rifaat al-Assad, tio do antigo presidente sírio. A quantia, precisamente 51 milhões de euros, será canalizada para projetos de desenvolvimento no país, no quadro da primeira visita de um chefe de Estado da Europa Ocidental à Síria desde a deposição de Bashar al-Assad, no final de 2024. A deslocação de dois dias, que incluiu a assinatura de vários acordos de cooperação, marca um passo na reaproximação entre Paris e a nova administração de Damasco, liderada por Ahmed al-Sharaa.
Segundo o Eliseu, a devolução dos ativos ilícitos visa “financiar projetos de desenvolvimento concretos no território sírio”. Em paralelo, foram firmados contratos económicos com empresas francesas: a TotalEnergies assinou um memorando para avaliar um bloco de exploração offshore no Mediterrâneo oriental, em consórcio com a QatarEnergy e a ConocoPhillips; a CMA CGM, que já opera o terminal de contentores de Latakia, obteve um novo contrato de concessão de 30 anos e vai expandir a sua presença logística, incluindo o transporte aéreo de carga a partir de Damasco. O presidente francês afirmou ainda que a França está disponível para apoiar a reestruturação do banco central sírio, num contexto em que a União Europeia já anunciou um pacote de 620 milhões de euros para a recuperação do país.
A visita foi ensombrada por dois engenhos explosivos rudimentares que deflagraram perto do hotel onde Macron estivera hospedado, causando 18 feridos, segundo o Ministério do Interior sírio. O incidente sublinha a volatilidade da segurança na capital, mesmo com o novo poder instalado. Na perspetiva de Damasco, a presença de Macron representa um reconhecimento político e uma oportunidade para atrair investimento externo. Observadores em Beirute e no Golfo notam que a França procura equilibrar a influência de outros atores regionais, como a Turquia e os países do Golfo, no processo de reconstrução síria, ao mesmo tempo que testa os limites do levantamento gradual das sanções europeias.
Rifaat al-Assad, que morreu em janeiro de 2025 aos 88 anos, foi vice-presidente da Síria e comandante das forças que reprimiram a revolta islâmica em Hama, em 1982, num massacre cujas estimativas de vítimas variam entre 10 mil e 40 mil. Exilado na Europa desde 1984, foi condenado em França a quatro anos de prisão por branqueamento de capitais e desvio de fundos públicos sírios, num processo que levou ao confisco de 90 milhões de euros em bens. A declaração de intenções assinada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países dá início ao processo formal de restituição dos 51 milhões de euros. As negociações técnicas prosseguirão nas próximas semanas, enquanto os contratos económicos agora anunciados entram em fase de implementação.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.60 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.40 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.20 | neutral |
A França devolve ao povo sírio os fundos roubados pela família Assad, marcando uma vitória da justiça.
Enfatiza a devolução dos fundos como um ato de justiça e reparação, omitindo o contexto histórico das atrocidades de Rifaat.
Não menciona o papel de Rifaat al-Assad no massacre de Hama de 1982, presente na imprensa europeia.
A França devolve os fundos roubados pelo 'açougueiro de Hama', um ato de justiça tardia contra o antigo regime.
Insere o contexto histórico das atrocidades para moralizar a restituição, apresentando-a como uma condenação do antigo regime.
Não menciona os detalhes dos acordos econômicos e a perspectiva de reconstrução, presentes na imprensa árabe.
Macron abre os cofres de Rifaat al-Assad, expondo a riqueza roubada do antigo regime devolvida à Síria.
Levanta questões sobre detalhes e implicações, criando um tom investigativo em vez de celebração.
Não menciona o rótulo moral de 'açougueiro de Hama' para Rifaat al-Assad, presente na imprensa europeia.
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